sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Violão Espanhol (tradução)







Uma sala esfumaçada, um pequeno bar, 
Eles vêm para te ouvir tocar 
Beber e dançar a noite toda 
Eu me sento com a multidão 

E fecho meus olhos 

E sonho 

Mas você não sabe 

Você nem sabe que eu estou lá 

Eu queria estar em seus braços
Como o violão espanhol
E você me tocaria a noite toda
Até o amanhecer
Eu queria que você me colocasse em seus braços
Como o violão espanhol
E você me tocaria a noite toda
A noite toda
Eu seria sua música, eu seria sua música 



Preencha meu coração com 
Cada nota que toca 
Eu oro para que você olhe em minha direção 
E abrace junto ao coração algum dia, sim 
Eu tenho vontade de ser aquela que 
Você dá carinho com ternura 
E você não sabe 
E você nem sabe que eu existo 


Eu queria estar em seus braços 
Como o violão espanhol 
E você me tocaria a noite toda 
Até o amanhecer 
Eu queria que você me colocasse em seus braços 
Como o violão espanhol 
E você me tocaria a noite toda 
A noite toda 
Eu seria sua música, eu seria sua música


Te sientes inteligente 
Cierras tus ojos 
Y suenes que soy tuyo 
Pero yo no se 
Ni si quiera que estas aqui 


Me gustaria tenerte en mis brazos amor 



Eu me sento com a multidão 
E fecho meus olhos 
E sonho 
Mas você não sabe 
Você nem sabe que eu existo, oh
Eu queria estar em seus braços 
Como o violão espanhol 
E você me tocaria a noite toda 
Até o amanhecer 
Eu queria que você me colocasse em seus braços 
Como o violão espanhol 
Eu queria estar em seus braços 
Como o violão espanhol 
A noite toda 
Eu seria sua música, eu seria sua música 
(Seria tu cancion)


Eu serei tua canção, sua canção, sua canção 
Eu serei sua canção, sim 
Eu serei tua canção, sua canção, sua canção 
Toque me a noite inteira 
Eu serei tua canção, sua canção, sua canção 
Eu serei sua canção, sim 

Eu serei tua canção, sua canção, sua canção 
Eu quero ser sua canção 
Eu serei tua canção, sua canção, sua canção 
Eu serei sua canção, sim 
Eu serei tua canção, sua canção, sua canção 
Me abrace a noite inteira


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Amiga dos Ventos (Vídeo)

Amiga dos Ventos


Sou amiga dos ventos
Sou amante dos mares
Sou bem-vinda nos lugares
Aonde vou
Sou a força da terra
Sou a luz dos luares
Sou a chama nos altares
Do amor

Não que algo aconteça
De especial comigo
Que eu possua mil poderes
Celestiais
Nem que eu seja dotada
De um saber feiticeiro
Protegida dos potentados
Astrais

O que eu trago é mais simples
É banal como a chuva
Natural como uma uva
Ter sabor
Vem da vida o mistério
Dessa facilidade
De ser tudo e nada disso
Ter valor.

(Composição de Gilberto Gil, interpretação de Maria Betânia)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Frase




    Foto encontrada no site: www.imotion.com.br/.../details.php?image_id=1121


Estás sempre comigo em meus pensamentos e em meu coração, onde habitas* (Ednar Andrade).

Acorde Final



   Foto de Rubem Alves, autor do texto.

Eu havia colocado no toca-discos aquele disco com poemas de Vinícius e do Drumond, disco antigo, long-play, o perigo são os riscos que fazem a agulha saltar, felizmente até ali tudo tinha estado liso e bonito, sem pulos e sem chiados, o próprio Vinícius, na sua voz rouca de uísque e fumo, havia recitado os sonetos da separação, da despedida, do amor total, dos olhos da amada. Chegara finalmente o último poema, meu favorito, "o haver" - o Vinícius percebia que a noite estava chegando, tratava então de fazer um balanço de tudo o que se fez e disso, o que foi que sobrou? Por isso as estrofes começam todas com uma mesma palavra, "resta..." - foi isso que sobrou.Resta essa capacidade de ternura, essa intimidade perfeita com o silêncio...Resta essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em face da injustiça e do mal entendido...
Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes nos poetas tomam por esperança...Começava naquele momento a última quadra, e onde tantas vezes lê-la e outras tantas ouvi-la, eu já sabia de cor as suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando a última, que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar.O pôr-do-sol é belo porque as suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão. A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que vinte minutos. Se a sonata fosse uma música sem fim é certo que o seu lugar seria entre os instrumentos de tortura do diabo, no inferno.Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca?O poema também tinha de morrer para que fosse perfeito, para que fosse belo e para que eu tivesse saudades dele, depois do seu fim. Tudo o que fica perfeito pede para morrer. Depois da morte do poema viria o silêncio, o vazio. Nasceria então outra coisa no seu lugar: a saudade. A saudade só floresce na ausência.É na saudade que nascem nos deuses - eles existem para que o amado que se perdeu possa retornar - que a vida seja como o disco, que pode ser tocado quantas vezes se desejar. Os deuses - nenhum amor tenho por eles, em si mesmos. Eu os amo só por isso, pelo seu poder de trazer de volta para que o abraço se repita. Divinos não são os deuses. Divino é o reencontro. A voz de Vinícius já anunciava o fim. Ele passou a falar mais baixo. 
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante...E eu, na minha cabeça, automaticamente me adiantei, recitando em silêncio o último verso:
".. Sem saber que é a minha mais nova namorada."Foi então que, no último momento, o imprevisto aconteceu: a agulha pulou para trás, talvez tenha achado o poema tão bonito que se recusava a ser uma cúmplice do seu fim, não aceitava a sua morte, e ali ficou a voz morta do Vinícius repetindo palavras sem sentido: "sem saber que é a minha mais nova"..."sem saber que é a minha mais nova"..."sem saber que é a minha mais nova..."
Levantei-me do meu lugar, fui até ao toca-discos, e consumei o assassinato: empurrei suavemente o braço com o meu dedo, e ajudei a beleza a morrer, ajudei-a a ficar perfeita. Ela me agradeceu, disse o que precisava dizer, sem saber que é a minha mais nova namorada... Depois disso foi o silêncio.Fiquei pensando se aquilo não era uma parábola para a vida, a vida como uma obra de arte, sonata, poema,coreográfico. Já no primeiro momento quando compositor, ou o poeta ou o dançarino preparam a sua obra, o último momento já está em gestação. É bem possível que o último verso do poema tenha sido o primeiro a ser escrito por Vinícius. A vida é tecida como as teias de aranha: começam sempre do fim. Quando a vida começa do fim ela é sempre bela por ser colorida com as cores do crepúsculo.
Não, eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço: "Para todas as coisas há o momento certo. Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer" (eclesiastes 3, 1s).A vida não é uma coisa biológica. A vida é uma entidade estética. Morta a possibilidade de sentir alegria diante do belo, morreu também a vida, tal como Deus nos deu - ainda que na parafernália dos médicos continue a emitir seus bips e a produzir ziguezagues no vídeo.
A vida é como aquela peça. É preciso terminar.
A morte é o último acorde que diz: está completo.
Tudo o que se completa deseja morrer. 

(Rubem Alves).

Loucos e Santos


    Foto de Oscar Wilde, autor do texto.


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.  
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. 
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. 
Deles não quero resposta, quero meu avesso. 
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. 
Para isso, só sendo louco. 
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. 
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. 
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. 
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. 
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. 
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. 
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
Não quero amigos adultos nem chatos. 
Quero-os metade infância e outra metade velhice! 
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. 
Tenho amigos para saber quem eu sou. 
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

(Oscar Wilde)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O mosquito escreve

O Mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.
 

O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U e faz um I.
 

Esse mosquito
esquisito
cruza as patas, faz um T.
 

E aí, se arredonda e faz outro O,
mais bonito.
 

Oh!
já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever o seu nome.
 

Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?
 

E ele está com muita fome.
 

(Cecília Meileles in “Ou isto ou aquilo”)

domingo, 29 de novembro de 2009

Me Encante


    Foto da casa de Pablo Neruda em Ilha Negra, no Chile.
Foto postada no site http://naturalpatriot.org




Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu POSSA me dar ...

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser ...
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos ...
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar ...

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar ...

Me encante com suas palavras ...
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos medos, sem,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade ...

Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com o seu primeiro namorado ...
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva ....

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre ...
Mas, me encante de verdade, com vontade ...

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por TODOS OS DIAS ...
Pelo resto das nossas vidas!



(Pablo Neruda).

Texto enviado pelo meu amigo Batista.  

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

JADE




Já de idade...

Nos aconselha sapientemente.
Com voz mansa, em quase declamar,
Deleita-nos com suas palavras
Algumas suaves; outras nem tanto.
Porém, desobedientes que somos,
Apesar de ouvirmos atentamente seu falar,
Nos perdermos em meio ao dia-a-dia
E deixamos de seguir conselhos tão sábios.

Já de idade...

Presenteia-nos com o seu saber dividir,
Qualidade esta invejável.
Tudo que já viveu, tudo o que tem e tudo o que sabe
Vem para nós, como forma de preparação à vida.
Ela é assim...
Já de..., a pedra da imortalidade
Imortal? Não sei... Talvez...
Em nossos corações e em seus ensinamentos, com certeza.

Já de idade...

Mãe, amiga, amante, linda, louca, sábia, apreciadora de uvas, jardineira, praieira, poeta e avó...
Assim é nossa Jade.
A qual amamos e muitas vezes deixamos de dar e/ou demonstrar o seu verdadeiro valor
Mas mesmo assim amamos...
VC É MUITO ESPECIAL.
TE AMO MUITO.

(Marliene)
 
Postagem em gratidão à homenagem da norinha Marliene. Obrigada, Marlouca que eu... rsrs... Também te amo, vc sabe...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Os Pescadores






O mar azul sem fim/
O sol vermelho quase se pondo/
O barco chega/
É uma festa /
Homens falando/
Cantando em prosa/
Com som e versos/
Pés na areia /
Roupas surradas/
Olhares que dizem poemas mudos/
Cabelos brancos .../
Suor na testa/
Contam histórias de mar, de pesca/
De grandes peixes/
E até de sereias/
O fim da tarde é sempre festa/
Ancoram barcos, ancoram barquinhos/
Com velas coloridas/
Algas no caçoá e peixes também.../
No coração deles, amores/
São eles que chegam/
Mãos diligentes, sempre contentes/
São os pescadores/
Rostos marcados e o sol nas testas/
Felizes, cantantes e contentes/
Seguem na vida /
E sentem suas dores e seus amores/
No Norte ou no Sul /
Do meu Pirangi*

(Ednar Andrade)