terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Amor

 
 Quadro "Amor", de Gibran Khalil Gibran.

E alguém disse:
Fala-nos do Amor:

- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.

E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.

Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra.

Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.

Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.

Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da Vida.

Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.

O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.

O amor não possui
nem quer ser possuído.

Porque o amor basta ao amor.

E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher,
marcará ele o vosso curso.

O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.

Mas se amarem e tiverem desejos,
deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.

Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.

Acordar de manhã com o coração cheio
e agradecer outro dia de amor.

Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.

Voltar a casa ao crepúsculo
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado,
e na boca, um canto de louvor.

(Gibran Khalil Gibran).

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ruínas Aladas





"Minha alma escorre como em um rio de palavras. Sou uma metáfora que ressoa como um gemido de uma Fênix em pedaços. Há uma chama que consome minha imagem, meu reflexo e meu aroma. Estou perdido, sem memória possível, desaparecido e pulsando. Não há mais sóis nem templos de ilusão. Existo como um EU, que se reconstrói entre cacos e silêncio". 

(Clarice Lispector).

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Teu Silêncio


Sim, farei...;





I


Sim, farei...; e hora a hora passa o dia...
Farei, e dia a dia passa o mês...
E eu, cheio sempre só do que faria,
Vejo que o que faria se não fez,
De mim, mesmo em inútil nostalgia.

Farei, farei... Anos os meses são
Quando são muitos-anos, toda a vida,
Tudo... E sempre a mesma sensação
Que qualquer cousa há-de ser conseguida,
E sempre quieto o pé e inerte a mão...

Farei, farei, farei... Sim, qualquer hora
Talvez me traga o esforço e a vitória,
Mas será só se mos trouxer de fora.
Quis tudo -- a paz, ilusão, a glória...
Que obscuro absurdo a minha alma chora?

II

Farei talvez um dia um poema meu,
Não qualquer cousa que, se eu a analiso,
É só a teia que se em mim teceu
De tanto alheio e anónimo improviso
Que ou a mim ou a eles esqueceu...

Um poema próprio, em que me vá o ser,
Em que eu diga o que sinto e o que sou,
Sem pensar, sem fingir e sem querer,
Como um lugar exacto, o onde estou,
E onde me possam, como sou, me ver.

Ah, mas quem pode ser o que é? Quem sabe
Ter a alma que tem? Quem é quem é?
Sombras de nós, só reflectir nos cabe.
Mas reflectir, ramos irreais, o quê?
Talvez só o vento que nos fecha e abre.

III

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre o sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solene pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

(Fernando Pessoa, in: Novas poesias inéditas, 1933).

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pais que viram filhos



Hoje eu vou falar com você, que tem pai ou mãe idoso. É um privilégio a gente envelhecer com os nossos pais perto da gente, né?
Mas tem um momento em que eles deixam de ser nossos pais, pra virarem nossos filhos.

É claro que nem todo idoso fica debilitado ou exige cuidados especiais.
Mas o herói da sua infância pode ser tornar frágil e indefeso.
A mulher ativa, que cuidava de você, pode virar uma dependente sua.
Ninguém está preparado pra ser a mãe ou o pai dos próprios pais.
Mas chega a hora em que é necessário.
Alguns velhos viram crianças e dão trabalho!
Eles precisam do nosso tempo. Que é um tempo muito menor do que eles dedicaram a nós, não é verdade?

Então eu torço pra que você tenha muito amor e paciência pra cuidar dos seus velhos, se eles precisarem.
Mas não porque eles esperam que você retribua.

Amor e dedicação não se cobram de volta.
Eles são a sua matriz, a sua origem.
Virar as costas nessa hora é negar a sua própria história.
Eles podem não ter sido os melhores pais do mundo...
Mas cabe a você ser o melhor filho do mundo, agora.
Se a sua vida for longa, um dia você pode virar filho do seu filho.
E quando a idade chega, é bom poder contar com alguém que cuide da gente, não por obrigação...
Mas por amor.

(Lena Gino).

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

É Verão






Quantas vezes eu disse: "É verão"
A estação mais bela do ano
É quando as manhãs e as tardes são da cor do Sol
E as noites frescas...
Verão é uma estação, assim como a Primavera,
Onde os amantes sonham e vivem
Romances com cara de novela
 Onde os namorados passeiam de mãos dadas.
Aqui, na praia, acontecem as grandes paixões
Os corações, assim como os vulcões, acordam
Os velhos passeiam rebuscando, quem sabe, um tempo
Onde não tiveram tempo de serem felizes...
A minha alma assume uma cor dourada.
Fico feliz e enamorada da vida,
Do mar, das noites...
Ás vezes sinto uma saudade morna
Que não me incomoda,
Me faz rir...
Faço longas caminhadas,
Como que catarses
Assim como quem faz um reparo,
Um conserto em algo que quebrou
Ou como um escultor
Que busca lapidar a obra
Ou quem sabe achar a perfeição:
Perfeição, palavra que não existe!
Palavra que não busco.
É verão... Aqui da areia assisto
Um céu colorido de aves gigantes
São Parapentes
E tudo isso por que é verão
As noites se iluminam,
As casas silenciosas ganham vida.
Aqui vivo uma grande felicidade
E me misturo à natureza
E me embriago do perfume do mar...
A vida não tem pressa;
A festa vai começar: é verão!


(Ednar Andrade).

Ah! o amor...



Imagem por Cris Kowalsk

Quem dera o amor não fosse um sentimento e sim uma equação matemática:
Eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Mas não funciona assim.

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem.

Caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.

O amor não é chegado a fazer Contas, não obedece a razão.

O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Costuma ser despertado mais pelas flechas do cupido que por uma ficha limpa.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã de Caetano.

Isso são só referências.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Amar não Requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.

Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
Milhares existem aos honestos, generosos tem às pencas,

Bons motoristas e bons pais de família tá assim, ó ...

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor de sua vida é ...


Simplesmente maravilhoso!

(Autor desconhecido).

A cegueira do amor




Todos os sentimentos dos homens, reunidos num lugar da terra, tiveram uma idéia:
Vamos brincar de esconde-esconde?
A curiosidade sem poder conter-se perguntou:
Esconde-esconde?
O que é isso?
É um jogo, explicou a loucura, em que eu fecho meus olhos, conto até 100 enquanto vocês se escondem.
Quando eu terminar começo a procurá-los, e o primeiro que eu encontrar ocupa o meu lugar no jogo.

O entusiasmo dançou, a alegria deu tantos saltos que acabou convencendo a dúvida e até a apatia, que nunca se interessava por nada.
Mas nem todos participaram.
A verdade preferiu não se esconder.
A soberba opinou que era um jogo muito tolo e a covardia preferiu não se arriscar.

Um, dois, três...
Começou a contar a loucura.
A primeira a se esconder foi a pressa...
A fé subiu ao céu e a inveja se escondeu atrás da sombra do triunfo, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da árvore mais alta.
O esquecimento... Não me recordo onde se escondeu...

Quando a loucura estava lá pelo número 99, o amor ainda não havia achado lugar para se esconder...
Até que encontrou um roseiral e decidiu ocultar-se entre as rosas.

- 100! Terminou de contar a loucura. E começou a busca. A primeira a aparecer foi à pressa.
Depois escutou a fé...
Num descuido encontrou a inveja e, claro, pôde deduzir onde estava o triunfo.

A dúvida foi mais fácil ainda.
Encontrou-a sentada numa cerca sem decidir em que lado se esconder.
E assim foi encontrando a todos:
O talento, nas ervas frescas;
A angústia numa cova escura...
Apenas o amor não aparecia.

Quando a loucura estava quase desistindo encontrou um roseiral, pegou uma forquilha e começou a mover os ramos.
No mesmo instante ouviu-se um doloroso grito.
Os espinhos tinham ferido o amor nos olhos.
A loucura não sabia o que fazer para se desculpar...
Chorou, rezou, implorou e até prometeu ser seu guia.

Desde então o amor é cego e a loucura sempre o acompanha.



(Autor desconhecido).

terça-feira, 12 de janeiro de 2010




Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver...
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber