sexta-feira, 25 de junho de 2010

Saudades de Michael




Michael, muitas vezes confuso e confundido, rejeitado, amado, até, quem sabe, odiado, não passou de forma desapercebida. Até mesmo os que não confessam seu carinho por ele, por não sentir ou por hipocrisia ou por pura covardia, não pode deixar de ser citado por mim, ao contrário do que disse, quando cito covardia e sentimentos do nível, sempre declarei, pelo artista, meu imenso carinho.

Suas canções sempre repletas de amor, embalaram e embalam sentimentos vivos, assim como no meu peito, "Ben" será sempre a minha preferida, pois quando criança ia cantarolando no caminho da escola, como que para diminuir a distância, percurso que fazia a pé diariamente, pois a escola era bem distante de casa, fazia eu a minha própria tradução... Rsrs... 

Hoje, avó, agora canto para minha netinha Júlia, a mesma canção... E digo para ela que não estamos sós.

(Ednar Andrade).


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Graças À Vida




Graças à vida que me deu tanto
Me deu dois olhos que quando os abro
Distinguo perfeitamente o preto do branco
E no alto céu seu fundo estrelado
E nas multidões o homem que eu amo

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o ouvido que em todo seu comprimento
Grava noite e dia grilos e canários
Martírios, turbinas, latidos, aguaceiros
E a voz tão terna de meu bem amado

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o som e o abecedário
Com ele, as palavras que penso e declaro
Mãe, amigo, irmão
E luz iluminando a rota da alma do que estou amando

Graças à vida que me deu tanto
Me deu a marcha de meus pés cansados
Com eles andei cidades e charcos
Praias e desertos, montanhas e planícies
E a casa sua, sua rua e seu pátio

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o coração que agita seu marco
Quando olho o fruto do cérebro humano
Quando olho o bom tão longe do mal
Quando olho o fundo de seus olhos claros

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o riso e me deu o pranto
Assim eu distinguo fortuna de quebranto
Os dois materiais que formam meu canto
E o canto de vocês que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto

Graças à vida, graças à vida


(Violeta Parra).

Se


Quem me entenderia 'se'...
Pudesse entrar em minha cabeça...
Quem afinal me descobre,
Quando me cubro de espanto?
Quem me conhece tanto e a ponto
De reconhecer o pranto,
Quando sutil deixo escapar
A lágrima que teimo em guardar?
O meu sorriso tão rosa,
Quem o fará desbotar?
A quem confio o encanto
Da minha vida revelar?
Sem engolir uma vírgula,
Nem um ponto?
Desta história que estremece
Feito gelatina da cor do juá
Ainda pergunto sem crer
Na resposta de muita gente:
Quem sou? alguém sabe, gente?
Se existir na boca de alguém
A reticência... eu me conheço
Bem mais que muita gente...
Sem me enganar, nem perder
Ponto, vírgula ou parênteses...
Quem me conhecerá?


(Ednar Andrade).

terça-feira, 22 de junho de 2010

A felicidade é periférica.




... Se algo ou alguém nos faz ter um enganoso sentimento de infelicidade, ao nosso redor a felicidade pode está cantando gemendo e nos invadindo, quase adentrando, e nós: apenas olhando para dentro... Esquecidos de ser perifericamente felizes... "Verdade", esta amiga que nos sacode e nos acode ao mesmo tempo, pois tantas vezes sofremos e esquecemo-nos de agradecer, "de ser felizes", de sermos serenos, na simplicidade de existir e "termos tanto"... E vermos tão pouco... E com esta cegueira, do infinito existir, perde-se tanto bem querer, tantos afagos vindos do colo da vida, tanta ternura, jogamos fora em nome da Dor. E o sal??? O sal da vida está em nossas mãos. Temos apenas que saber dosar, sorver, degustar com apurado desejo de ser e fazer feliz quem verdadeiramente sem pedir, sem impor-nos, sorri como que num geste materno apenas dar... É assim, o acordar, o dormir e o despertar, constatando que podemos ter na mão o "sal "e também dele fazer doação de felicidade e de amor.

Tudo depende realmente de como respiramos, se para baixo ou para todos os lados, com movimentos giratórios na emoção e com ela a descoberta da abundância de motivos para as razões do ser feliz, por ser, por existir, e por querer sê-lo. Sem questionar a dor que passa como um vento mais forte, buscar na fragilidade o encantamento da descoberta, o doce sabor do amargo, e degustar com cara de aprendiz que o sal da vida é o tempero natural que surge na maturidade. E que só assim é possível ser sapiente diante desta falsa impressão, mesmo quando dizem que ela é a que fica como boa lembrança, eu "discordo da total infelicidade que pregam os pessimistas", acredito que felizes são os que vivem um dia de cada vez, se tiver que sofrer que sofra, não tire da dor o direito de chegar com mãos ásperas e te empurrarem para um lugar novo e desconhecido que te fará com certeza viver uma sagacidade invejável para os tolos. "Preciso é que se morra para renascer", não importa quanto custa cada experiência, não há gozo sem cansaço, não há fome na fartura, não há cura sem remédio, saudades sem amores, silêncios sem preces... A vida assim, como o oceano esconde mistérios... Mas é preciso que alguém mergulhe e vá até "quase "o fundo... Eu disse, quase, pois, não há final para tantos segredos... Então, que de forma feliz e periférica, bebamos com prazer até a dor. Bom é sorver com gozo tudo o que se vive, como presente, mesmo que sejam as tormentas, pois delas, com plena certeza, surgirá ou surgirão as benesses do saber. Os louros e aplausos do tempo, o aloé da colheita da vida nos dá suportes.

No meio desta reflexão, estive pensando em um tempo ainda não tão distante em que eu tomava um ônibus e no caminho de para aonde ia, olhava na cara das pessoas. Os passageiros pareciam personagens de novela, sorriso, maquiagem, expressão boa, aquilo mais parecia uma perfumaria com rodas e motor, mas onde todos traziam um texto a ser traduzido e eu, infinitamente tola, sentia-me só no mundo dos meus aflitos pensamentos, chegava a pensar ser a única com queixa naquela caixa de metal barulhenta... Misturada aos vários perfumes havia um forte odor de alguma “infeliz axila”, o que tornava urgente o fim da viagem. Já ali eu dosava o "SAL" e minimizava a dor. De forma periférica, sempre descobri que a felicidade existe no que somos dentro e fora.

(Ednar Andrade).

domingo, 20 de junho de 2010

Saudades da ilha


Ah! Se assim como um pássaro
Soubesse eu voar
Sairia daqui agora
Pousaria naquela lagoa

Beberia todos os versos
Daquele poema, daquele encanto
Que existe
Naquele lugar

Ah! Se pudesse eu, assim como um passarinho,
Fazer naquele canto um ninho
Sairia daqui agora, dormiria sob o embalo
Do galho de alguma árvore que existe naquele lugar

Ah! Eu me transportaria
Antes que chegasse o dia
Iria agora correndo de saudade, até gemendo,
Sentir o vento, a brisa e ali me deitaria

Para sonhar, sonhar, sonhar.

(Ednar Andrade).

sábado, 19 de junho de 2010

"Cotovia"




Meu amor
Eu vejo a lua brilhar
Por que você quer partir agora ?
Lá longe, a noite é calma
É a rainha do mundo
Fica mais um segundo, fica mais um segundo
Vem comigo
A luz dos meus dias
Descobrir-nos-á
E somente a noite
Esconde-nos-á
É o amor impossível
Que o mundo não entende (nada)
Fica mais um momento, fica mais um momento
Fica comigo
Então, você está enganado
Foi o rouxinol
Que te acordou
E não a cotovia
Que nos traz os dias
Fica mais um segundo
Esquece o mundo, vem comigo




DENISE EMMER - 1978

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Homenagem a José Saramago (1922* - 2010†)


Foto pesquisada na web


Poema à boca fechada

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.


Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.


Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.


Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.


Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.


(José Saramago).


Foto pesquisada na web.

Na ilha por vezes habitada


Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.


(José Saramago).




Imagem pesquisada na web: José Saramago (1922* - 2010+).


“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos” (José Saramgo).



“Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais” (José Saramago).


Imagem pesquisada na web
Espaço Curvo e Finito


Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças
E ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe,
Um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.


(José Saramago).

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Fragmentos


Ei, estou aqui pensando em todo este silêncio;
"Silêncio que a minha boca rejeita".
O ontem tem hoje, nisso, uma parcela.
Ontem tanto, hoje nada.
E é o nada de hoje que me estrangula a quietude da alma.
É assim que você precisa me ver:
Andando absorvida deste jeito por mil pensamentos.
Pareço uma fera que ruge, presa.
Agora, por exemplo, a minha calma virou mar;
A minha lucidez foge totalmente.
Olho-me no espelho do meu quarto.
Minha fisionomia parece de uma mulher estranha,
Estranha demais para o sorriso dos meus olhos travessos.
Hoje eu queria o meu ontem. Que maravilha!
Repito minha frase: é quando pode dois, um ser.
Um pássaro, um pardalzinho desses, que tenho no quintal,
Que bom! Eu queria ser, pois só assim eu voaria para a tua janela.
Olhando nos olhos, no fundo dos olhos, eu te diria baixinho
Para ninguém ouvir que hoje me tiras a calma,
Da mão a palma, o riso, a razão, da voz o som.
Mas, diria também que tudo ontem foi bom.


(Ednar Andrade).

terça-feira, 15 de junho de 2010

Memórias de uma Copa


Escrete canarinho de 1982.

Começou mais uma Copa do Mundo... Vejo alguns jogos e penso: "não fazem mais copas como antigamente", uma frase um tanto batida e que se justifica, conforme Bial, porque tendemos exaltar os fatos do passado em detrimento dos fatos do presente e isso, talvez, por que envelhecemos e perdemos, com o tempo, o elã inicial do primeiro contato.

Minha melhor lembrança de Copa do Mundo é a de 1982, minha primeira copa (ou ao menos a primeira que guardo vívida na memória, uma vez que em 1974 e 1978 eu não entendia nada do assunto... Rsrs).

Lembro do primeiro jogo: a vitória da Bélgica por 1x0 sobre a Argentina, com gol de Van Den Berg. Mas, o que me interessava eram os jogos do Brasil. Vi uma partida inesquecível: Brasil 2 x 1 União Soviética. Levamos um susto com o Gol de Bal e pensei: "estamos fritos", pois Dasaev, o goleiro deles, nem brisa deixava passar; pegava tudo. Parecia uma defesa sólida, mas como diria Marx: "Tudo que é sólido desmancha no ar". Assim, dois torpedos, um de Éder e outro de Sócrates, derrubaram a muralha russa. Depois, goleamos a Escócia (4x1) e a Nova Zelândia (4x0) com atuações fantásticas da esquadra canarinho. Passamos à segunda fase da copa.

Recordo-me que a cada gol do Brasil, a meninada corria para festejar na rua. A rua, sem calçamento, virava o nosso Maracanã, ou melhor - já que a copa era na Espanha - o nosso Santiago Bernabeu, onde as traves eram de tijolos (um de cada lado) e a bola era de borracha e já surrada pelo tempo. A efémeride futebolística tinha  o condão de aproximar as pessoas, fazendo-as confraternizar. Bons tempos...

Veio a segunda fase, enfrentaríamos Argentina, então campeã, e a Itália. A Argentina tinha a base que fora campeã em 1978 (Fillol, Bertoni, Tarantini, Gallego, Passarella, etc) e um jovem, chamado Maradona. Mas, não foram páreos para Zico, Sócrates, Falcão e cia. Passeamos em campo: Brasil 3 x 1 Argentina (gols de Zico, Serginho e Júnior). 

O próximo adversário seria a Itália. Os italianos, na primeira fase tinham feito uma campanha marcada por empates (com Polônia, Peru e Camarões). O Brasil levava vantagem no saldo de gol, pois tinha feito 3x1 nos portenhos, enquanto os italianos só tinham vencido por 2x1. Assim, bastaria empatar e passar à semi-final.

O Brasil entrou em campo tentando cadenciar o jogo, tocando a bola e "gastando o tempo". Entretanto, esta postura foi responsável pelo primeiro gol italiano: Cerezo tenta um passe lateral e Paolo Rossi intercepta, avança e marca na saída de Valdir Perez. O jogo começa a ficar mais disputado. O Brasil vai para cima, a Itália responde e assim vai até que Sócrates, de dentro da área, chuta cruzado e empata. Mas, a defesa novamente falha e Paolo Rossi marca para a squadra azzurra. Terminou o 1º tempo: vantagem deles. Recomeça a partida, o Brasil avança, mas esbarra em Scirea e Gentile, defensores italianos. O jogo prossegue aguerrido até que Falcão manda um "tiro" indefensável para Zoff, empatando e reacendendo as esperanças do Brasil. A alegria toma conta da rua. Faltavam poucos minutos para o jogo acabar. Nos estertores da partida, a Itália consegue um escanteio. A defesa sai para fazer a linha de impedimento; Júnior fica plantado e Paolo Rossi marca 3x2 e elimina o Brasil. A rua ficou vazia; os meninos não jogaram naquele dia...

É fato, ficou para a história do futebol: não fomos campeões em 1982. Mas, guardo na memória os lances geniais de uma seleção injustiçada que fez do futebol uma arte e dos dias de jogos do Brasil, uma oportunidade para confraternizar.

(Danclads Lins de Andrade).

Brasilllllllllllllll!!!!




BRASILLLLLLLLLLLLL!!!!!!

“Uma terça com cara de domingo... Aos 07:00 do 1º temp0 o arrepio; aos 10:00 do 2º tempo o êxtase”


(Ednar Andrade)