quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A importância da Literatura



“Precisamos ler bons livros e incitar à leitura aos que vêm depois de nós”.

(Mario Vargas Llosa).


Em feiras de livros ou mesmo livrarias, freqüentemente alguém se aproxima pedindo-me autógrafo. “É para minha mulher, filha ou mãe”, explica. “Ela adora ler!” De pronto pergunto: “E o senhor? Não gosta de ler?” E a resposta é quase sempre a mesma: “Gosto, mas sou muito ocupado.”
Já ouvi essa explicação dezenas de vezes. Esse homem – e milhares outros como ele – tem tantos afazeres importantes, tantas obrigações e responsabilidades, que não pode perder seu precioso tempo mergulhado num romance.
Segundo esse raciocínio, a literatura seria uma atividade dispensável, uma diversão que somente pessoas com muito tempo livre poderiam se permitir.
Gostaria de apresentar alguns argumentos contra a idéia da literatura como passatempo e em prol de considerá-la, além de uma das ocupações mais estimulantes e enriquecedoras do espírito humano, uma atividade insubstituível para a formação de cidadãos na sociedade moderna e democrática. Por essa razão, ela deveria ser semeada nas famílias desde a infância e fazer parte de todos os programas educacionais.
Vivemos numa era de especialização em virtude do extraordinário desenvolvimento da ciência e da tecnologia, e da conseqüente fragmentação do conhecimento em incontáveis avenidas e compartimentos.
A especialização traz benefícios. Possibilita pesquisa e experimentos, e é a força motriz do progresso. Mas também destrói os denominadores comuns culturais que permitem a coexistência, a comunicação e a solidariedade. E leva à separação dos seres humanos em guetos culturais de especialistas, confinados – pela linguagem, por códigos de conduta e pelo conhecimento particularizado – a uma especificidade contra a qual um antigo provérbio já nos advertia: não se concentre tanto na folha, a ponto de esquecer que ela é parte da árvore e esta, da floresta.
Em grande medida, a noção da existência dessa floresta depende do senso de conjunto que une a sociedade e não a deixa se desintegrar numa centena de especificidades. A ciência e a tecnologia, portanto, já não podem desempenhar esse papel unificador da cultura.
A literatura, por sua vez, foi e, enquanto existir, continuará sendo um denominador comum da experiência humana. Aqueles de nós que leram Cervantes, Shakespeare, Dante ou Tolstoi entendem uns aos outros e se sentem indivíduos da mesma espécie porque, nas obras desses escritores, aprenderam o que partilhamos com seres humanos, independentemente de posição social, geografia, situação financeira e período histórico.
Nada nos protege melhor da estupidez do preconceito, do racismo, da xenofobia, do sectarismo religioso ou político e do nacionalismo excludente do que esta verdade que sempre surge na grande literatura: todos são essencialmente iguais. Nada nos ensina melhor do que os bons romances a ver nas diferenças étnicas e culturais a riqueza do legado humano e a estimá-las como manifestação da multifacetada criatividade humana.
Ler boa literatura é ainda aprender o que e como somos – em toda a nossa humanidade, com nossas ações, nossos sonhos e nossos fantasmas -, tanto no espaço público como na privacidade de nossa consciência. Esse conhecimento se encontra apenas na literatura. Nem mesmo os outros ramos das ciências humanas – a filosofia, a história ou as artes – conseguiram preservar essa visão integradora e um discurso acessível ao leigo, pois também eles sucumbiram ao domínio da especialização.
O elo fraternal que a literatura estabelece entre os seres humanos transcende todas as barreiras temporais. A sensação de ser parte da experiência coletiva através do tempo e do espaço é a maior conquista da cultura, e nada contribui mais para renová-la a cada geração do que a literatura.
O que a literatura deu à humanidade, então?
Um de seus primeiros efeitos benéficos ocorre no plano da linguagem. Uma sociedade sem literatura escrita se exprime com menos precisão, riqueza de nuances, clareza, correção e profundidade do que a que cultivou os textos literários.
Uma humanidade sem romances seria muito parecida com uma comunidade de gagos e afásicos. Isso também vale para o indivíduo. As pessoas que nunca lê, lê pouco ou lê apenas lixo pode falar muito, mas vai sem dizer pouco, porque dispõe de um repertório mínimo de palavras para se expressar.
Não se trata de uma limitação somente verbal, mas também intelectual, uma indigência de idéias e conhecimento, porque os conceitos pelos quais assimilamos a realidade não são dissociados das palavras que nossa consciência usa para reconhecê-los e defini-los.
Nenhuma disciplina substitui a literatura na formação da linguagem. O conhecimento transmitido por manuais técnicos e tratados científicos é fundamental, mas eles não nos ensinam a nos exprimir corretamente. Ao contrário, com freqüência são mal escritos porque os autores, às vezes expoentes indiscutíveis em sua profissão, não sabem transmitir seus tesouros conceituais.
Outro motivo para se conferir à literatura um lugar de destaque na vida das nações é que, sem ela, a mente crítica – verdadeiro motor das mudanças históricas e melhor escudo da liberdade – sofreria uma perda irreparável. Porque toda boa literatura é um questionamento radical do mundo em que vivemos. Qualquer texto literário de valor transpira uma atitude rebelde, insubmissa, provocadora e inconformista.
A literatura apazigua essa insatisfação existencial apenas por um momento, mas nesse instante milagroso, nessa suspensão temporária da vida, somos diferentes: mais ricos, mais felizes, mais intensos, mais complexos e mais lúcidos. A literatura nos permite viver num mundo onde as regras inflexíveis da vida real podem ser quebradas, onde nos libertamos do cárcere do tempo e do espaço, onde podemos cometer excessos sem castigo e desfrutar de uma soberania sem limites. Como não nos sentirmos enganados depois de ler “Guerra e Paz” ou “Em Busca do Tempo Perdido” e voltar a este mundo de detalhes insignificantes, obstáculos, limitações, barreiras e proibições que nos espreitam de todo canto e em cada esquina corrompem nossas ilusões?
Quer dizer, a vida imaginada dos romances é melhor: mais bonita e diversa, mais compreensível e perfeita. Talvez seja esta a maior contribuição da literatura ao progresso: lembrar que o mundo é malfeito, e que poderia ser melhor, mais parecido com o que a imaginação é capaz de criar.
A sociedade livre e democrática requer cidadãos responsáveis, críticos, independentes, difíceis de manipular, em constante efervescência espiritual e cientes da necessidade de examinar continuamente o mundo em que vivemos, para tentar aproximá-lo do mundo em que gostaríamos de viver.
Sem insatisfação e rebeldia, ainda viveríamos em estado primitivo, a história teria parado, o indivíduo não teria nascido, a ciência não teria alçado vôo, os direitos humanos não teriam sido reconhecidos e a liberdade não existiria. Tudo isso nasce dos atos de desafio a uma vida que se mostra insuficiente ou intolerável. Para esse espírito que despreza a vida como ela é – e, com a insensatez de Dom Quixote, tenta tornar o sonho realidade -, a literatura serve de magnífica espora. A verdade é que o desenvolvimento da mídia audiovisual – que ao mesmo tempo que revoluciona as comunicações monopoliza cada vez mais o tempo que dedicamos ao lazer, relegando a leitura a segundo plano – permite-nos imaginar para um futuro próximo uma sociedade moderníssima, repleta de computadores, telas e microfones, mas sem livros.
Temo que esse mundo cibernético seja profundamente incivilizado, sem espírito, apático – uma resignada humanidade de robôs.
Evidentemente , é muito improvável que essa terrível perspectiva venha algum dia a se concretizar. Não existe um destino que decida por nós o que vamos ser. Depende de nosso discernimento e de nossa vontade que essa utopia macabra se realize ou se apague.
Se queremos evitar o desaparecimento dos romances – ou sua restrição ao sótão dos objetos inúteis – e com isso o desaparecimento da própria fonte que estimula a imaginação e a insatisfação, que refina nossa sensibilidade e nos ensina a falar com eloqüência e precisão, que nos torna livres e nos garante uma vida mais rica e intensa, então devemos agir. Precisamos ler bons livros e incitar à leitura os que vêm depois de nós.


(Mario Vargas Llosa).

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Viver



Quero apenas e só apenas viver... Sem sofrer, nem me preocupar em saber se há, ou não, amanhã.

Antes assim, sem sofrer, sem drama, sem chorar, e não é melhor? Viver cada dia sem as incertezas do amanhã? Sim, claro, sempre... O hoje está de forma efêmera, aqui, comigo, contigo, onde quer que a hora esteja.

Não, não há motivos para querer antecipar o tempo, ou sofrer pelo que passou. O que passou foi bom, o que virá pode ser bem melhor. Então: hoje é o calendário do tempo... Vivamos com graça e felicidade cada data, cada dor, cada sorriso, cada amanhecer, mas o hoje é o melhor momento, o hoje nos diz da verdade de estarmos vivos, de sermos o que realmente somos e termos o amor que temos, o abraço que recebemos, o carinho que realmente existe. O resto são gotas de saudades ou lamentos, são sobras de um vivido tempo que chamamos passado.

Não é mero saudosismo, não é isso. É que a vida nos faz como a pedra: duros, marcados pela própria existência, nos mostra rumos que no começo da estrada nos parecem percalços e, no entanto, são rumos certos que sinalizam abrigo. Abrigo que interfere na calma do desabrigo, com muita proeza, com muita certeza e daí, e com muita felicidade, descobrimos o quanto somos frágeis... E como precisamos do certo, mas nada é tão certo quanto as improváveis incertezas da vida.

O tempo passa, e com ele fiquei mais esperta, mais doce, paciente... Tudo que antes me parecia aflição hoje nada mais é que um banal acontecimento.

Olho para a garrafa de vinho, e vejo que já tomei todas as taças... Rs... E sei que assim como o vinho quanto mais velho melhor, quanto mais vivemos, mais entendemos que tudo passa... E o que fica é o que realmente valeu: viver.

(Ednar Andrade)

Les feuilles mortes/ As folhas mortas

 Les feuilles mortes

Oh, je voudrais tant que tu te souviennes,
Des jours heureux quand nous étions amis,
Dans ce temps là, la vie était plus belle,
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui.

Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Tu vois je n'ai pas oublié.
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi,

Et le vent du nord les emporte,
Dans la nuit froide de l'oubli.
Tu vois, je n'ai pas oublié, 
La chanson que tu me chantais... 

C'est une chanson, qui nous ressemble,
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais.
Nous vivions, tous les deux ensemble,
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais.

Et la vie sépare ceux qui s'aiment, 
Tout doucement, sans faire de bruit. 
Et la mer efface sur le sable, 
Les pas des amants désunis.

Nous vivions, tous les deux ensemble,
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais.
Et la vie sépare ceux qui s'aiment,
Tout doucement, sans faire de bruit.

Et la mer efface sur le sable
Les pas des amants désunis...

(Jacques Prevert / Joseph Kosma)



As folhas mortas

Ah, eu só quero que se lembre
Dos dias felizes e nós éramos amigos
Naqueles dias de vida foram os mais bonitos
E o sol mais quente do que hoje

As folhas mortas são recolhidas por uma pá
Você vê, eu não esqueci
As folhas são recolhidas por pá
As memórias e se lamenta também

E o vento do norte os vence
Na noite fria do esquecimento
Você vê, eu não esqueci
A canção que você cantou para mim

É uma canção que se assemelha a nós
Você, você me amou e eu te amei
E todos nós vivemos juntos os dois
Você que me amava, que me amou

Mas a vida separa aqueles que se amam
Lentamente, silenciosamente
E o mar apaga na areia
Os passos dos amantes distantes.

Vivemos, juntos,
Você que me amou, eu que te amei.
E a vida separa aqueles que se amam,
Baixinho, baixinho.

E o mar apaga na areia
Os passos dos amantes separados...

(Tradução de Ednar Andrade).




O 1º livro



Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão-cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É gérmen - que faz a palma,
É chuva - que faz o mar.

(Castro Alves).


Eu contava com 7 ou 8 anos – não sei ao certo, pois longe vai no tempo os meus 7 ou 8 anos... Rs – quando meu pai chega do trabalho com uma novidade: um presente para mim: um livro! O livro era um clássico de Júlio Verne: “A Volta ao Mundo em 80 dias”.

O livro tinha algo atraente para qualquer criança: além de letras tinha figuras. Como toda e qualquer criança, eu não tinha uma disciplina de leitura, uma vez que estava sempre envolto em vários compromissos (jogar bola, brincar de pião, correr com carrinho feito de lata de leite ninho, etc) – uma agenda cheia... Rs. Mas, lia e lia porque gostava. Qual criança que leu este livro não se encantou com as aventuras de Philias Fogg?

Ah! E como foi importante para mim este incentivo à leitura. Passei, a partir de então, a me interessar mais por literatura, por livros, por autores. Claro que, anos depois, pude assistir na televisão a versão de “A Volta ao Mundo em 80 dias”, mas não é a mesma coisa. O livro tem o mérito de mexer com a imaginação do leitor, fazendo-o explorar lugares, a vislumbrar situações, a visualizar pessoas que só é possível por meio do imaginário.

Isto sem falar, é claro, que por meio da leitura o indivíduo enriquece-se culturalmente, espiritualmente, evoluindo individualmente, o que tem reflexos não só para si, mas, também, para a sociedade, uma vez que uma pessoa culta tem mais possibilidades de mudar o seu destino e influir no de sua sociedade. É o olhar para o Sol e abandonar a visão da parede da caverna, como demonstrou Platão, ou seja, sair do lugar-comum e descobrir um mundo novo.   

Lendo este clássico de Júlio Verne eu ficava a imaginar os perigos nas selvas africanas, os combates com os antípodas asiáticos, os passeios de elefante na Índia, os rituais dos ameríndios, os animais da Amazônia... Enfim, descortinava-se diante de mim um mundo rico em culturas, povos, lugares, aventuras.  

Já li muito, principalmente os clássicos: Júlio Verne, Agatha Christie, Cervantes, Shakespeare, Machado de Assis, dentre outros. Gosto dos mais variados aspectos literários: poesia, contos, crônicas, romances, etc. Alguns livros e autores me impressionaram, tais como: Memórias Póstumas de Braz Cubas, onde Machado de Assis conversa com o leitor; Eu e Outras Poesias, onde Augusto dos Anjos aborda de uma forma crua e original as principais indagações humanas; Angústia, onde Graciliano Ramos mostra a realidade social de uma forma contundente, tornando o livro merecedor do titulo que tem; Ensaio sobre a Liberdade, onde John Stuart Mill demonstra a importância para o homem e para a sociedade deste direito individual, dentre outros.

Mas, coube a Júlio Verne ser-me o anfitrião deste mundo abrangente, rico, singular e fantástico que chamamos de Literatura.

(Danclads Lins de Andrade).

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Um 5 de outubro diferente...


Aparentemente, era um dia como outro qualquer. Eu cursava a 7ª série do 1º grau e me encontrava no colégio em mais um dia de aula. Era um dia chuvoso e lembro que nem pudemos jogar vôlei, pois a quadra (que era no barro) virou lama – imprestável à prática esportiva, segundo o nosso professor.

Bem, eu estava assistindo a uma aula – cuja matéria o tempo se encarregou de me fazer esquecer – um tanto chata, quando a diretora do colégio suspendeu todas as aulas e determinou que todos os alunos descessem ao pátio para se perfilarem e cantar o hino nacional. Eu sempre gostei destas demonstrações patrióticas, mas confesso que não entendi nada! Não era 7 de setembro, não era Proclamação da República, nem nenhum outro feriado pátrio; era um 5 de outubro como outro qualquer, assim eu pensava; mas não era. Era 5 de outubro de 1988.

Quando cheguei em casa fiquei sabendo, pela TV, que a  constituinte tinha concluído seus trabalhos e o Álvaro Pereira, jornalista da Globo, anunciou solenemente que estava promulgada a nova Constituição do Brasil; a Constituição Cidadã, nas palavras de Ulisses Guimarães.

Nos dias que se seguiram, todos queriam entender um pouco mais dos novos direitos previstos no texto constitucional (habeas data, mandado de injunção, PIS, PASEP, etc) ou dos direitos que já existiram, mas foram constitucionalizados (FGTS, seguro-desemprego, etc).

O tempo passou... Já fazem 22 anos da promulgação da Lei Fundamental do País e eu, hoje formado em Direito e advogado há mais de 10 anos, tenho acompanhado a evolução da Constituição do Brasil (e não Constituição de 1988, como bem explicado pelo Ministro Eros Roberto Grau, do STF), cuja efetividade ainda não atingiu um grau satisfatório, mas já foi capaz de conferir cidadania ativa a um povo que, até então, se via carente de direitos e farto, em deveres...

(Danclads Lins de Andrade).

E agora, José?





A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?

E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?

(Carlos Drummond de Andrade).

domingo, 3 de outubro de 2010

Vitória x Derrota


"O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas.
O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas..."

(José Saramago).