terça-feira, 16 de novembro de 2010

Convite à Paixão


Hoje me bastaria,
Não mais que o teu abraço
E eu sanaria todo este tédio.
Mas, não te busco...
Em vão seria eu te procurar.
Não estarias, por certo
E o meu peito aperta aberto.
Me roubas a respiração.
Sinto uma saudade!
Faz assim não...
Me telefona,
Me diz, qualquer coisa...
Diz que me ama,
Que pensa em mim.
Diz que ouviu ao longe
A voz do meu silêncio.
Diz que sentiu saudade
E que deseja ardentemente me abraçar.
Me sentir, me tocar.
Que eu, inquieta que estou,
Acalmaria este desejo de te amar.
Este desejo que já não me dá paz,
Toma conta dos meus sentidos
E me propõe uma paixão,
Que eu já não evito
E quero te dar.

(Ednar Andrade).

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Moinhos...

Vento, moinho dos meus pensamentos,
Em descontentamento, lamento…
Enfrento o tempo, contando as horas que passam lentas…
Há movimento, uivos no ar, desolação e desamar…
Como um velho vagão, vou sobre os trilhos, atenta aos sinais dos meus perigos.
Velha ferrovia , corroída, abandonada sem destino, sem rumo…
Vejo a vida da janela….
Alguns cegos de encontro à porta que em nada vai dar,
São passageiros do comum lugar…
Olhares perdidos na paisagem fugaz.
Eles estão inebriados de fantasia…
Vidas vazias, mãos em gestos … Acenam e nada entendem…
Seus sentidos estão em tolo desalinho, como um tecido esgarçado…
…E tecem seu tempo num vagabundo linho…(…) Vaidade, tolices… Desperdícios

Moinhos, moinhos… Moinhos…
De encontro ao declinio, vagueiam e ficam estagnados,
Buscando, no nada, um ninho.
De ventos, moinhos…
Assisto.
Meu olho solta um grito (sofro), calo… Sofro…
No vai-e-vem dos ponteiros, descontrolados, eles flutuam..
Sem se darem conta do descompasso,
Dançam…
Uma ritmada música que desafina no final…
…E segue o velho trem,
Trem da vida, sem apito sem hora,
sem hora e sem sinal e sem partida,
Um dia chegará ao seu ponto final .



(Ednar Andrade).

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Nó...



Nó, sem começo, sem fim...
Neste sem fim, e afinal...
Nem festa, nem temporal: caminho...
Não sei parar...
E... Neste olhar sem rumo, rumina o meu calar.
... Eu sigo... E seguimos nós...
Vou, vamos neste vago tempo...
Me encontro pedra do jogo,
Na labareda deste fogo, queimo, queimas...
No desigual mundo, sou teu igual...
Novelinho sem ponta, sem começo, sem lugar algum...
Desassossego.
Farto-me de abismo, sou o perigo,
Meu infinito e meu desabrigo,
Porto inseguro – navio sem mar,
Neste desamar... Escorrego
De encontro ao fundo deste “oceanar”.
Barco sem vela... Para que lado foi a vida?
Caminhos sem despedida,
Guerra de esperar,
Heróis, sem resistência,
Um farol sem direção,
Faca de ponta afiada, luzente, quente,
És como o fogo,
Entorpecente, quente, és como o ópio.
Terço, rosário, ou prece... Teço, teces.
Tormento.
Canção, lamento.
(São dez, oito, horas... Amém).
O céu se veste de noite,
Cai a tarde, chega a escuridão...
... E o peito se aperta e se enrosca
No nó de nós...
Tento um canto...
Mas o desencanto
Me faz desafinar...

(Ednar Andrade).



domingo, 7 de novembro de 2010

Perejil de la playa


                                          
Perejil de la playa... Una flor lila,
Simple, singela.
És común encontrar-la en el caminos
Donde está el mar y ni necesidad de estar cerca.

Perejil de la playa... Una flor linda, simples.
Nació a cubierta el camino
De que no tienen nada,
Una flor para adornar el jardín de nadie.

Perejil de la playa... Una terna florecilla, frágil,
Pero tan hermosa, tan natural, 
Como Dios lo hizo en un astillero.

Flor que bendiga a los medios
De los cuales atrasos frente a la playa...
Como si fueran estrellas
Que guía la trayectoria de un pescador.



Perejil de la Playa … Una flor de hoy
Adorna el pelo
Y me recuerda un momento tan hermoso …
Nacen y mueren con el sol en la tarde
Y aún con vida dentro de mi anhelo.

(Ednar Andrade).

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sem medo da solidão



“Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância. Solidão é muito mais do que isto.  Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma...” 


(Francisco Buarque de Holanda).


Verdade. E já me senti assim, solidão é isto sim... "Graças ao sofrimento e a dor, hoje não sinto solidão". Tenho-me ao meu lado, carrego comigo minhas experiências e tudo enfim que me faz ter grande companheira: minha maturidade, a ausência dos medos...

Não é que eu tenha ficado egoísta, eu só aprendi a me amar, e ter-me como uma verdadeira presença que toco, sei seu verdadeiro nome e não me abandona jamais... Nem deixo que a vaidade me alimente.

Seu nome: realidade, companheira que deveria ser inseparável a qualquer um e é, mas em certos momentos da vida, no auge da mocidade, nós a tememos e não a vemos com a cara que realmente tem; olhando para ela, como que com mágoa, assim pensando, sê-la uma inimiga, simplesmente porque bom é substituir ou maquiar algo, que alguns chamam de destino, e eu de escolha.

Escolha... A escolha é a chave sem cópia do destino que ninguém fabrica, além de nós. É livre o direito, a opção de “sofrermos ou de sermos felizes”. Ninguém há que tenha tamanha capacidade de fazer feliz o outro. Esta consciência é o que nos liberta, é o que nos faz ver que podemos ter pessoas, conviver com elas, mas sempre estaremos sós, o que é muito bom. A nossa mente não pode sofrer a influência do medo de estar consigo. É confortável saber-se dono do seu sentimento, quando há, na mocidade, uma terrível e romântica ilusão de sermos um do outro ou, assim, como ser o outro.

Também é verdade que não se pode ser feliz sozinho. Compartilhar o riso, as alegrias, é fundamental ou o riso seria insípido, idiota, louco. Também é indispensável, a pessoa confidente, “o beijo depois do café (Roberto Carlos)”... Rsrs... Todos têm razão. Mas, quantos tomam café juntos, dividem a cama, dividem o prazer e continuam sós? E fica aí provado que mesmo estando acompanhados, podemos estar sós.

Recebi hoje, de uma amiga, um e-mail contendo o texto do Chico Buarque, já citado acima, onde o mesmo descreve com prosa e graça o tema: solidão e pus-me a pensar em como é maravilhoso não mais carecer de companhia(s) para fugir da solidão.

Isso já foi como doença e continua sendo, não para mim. Mas, como um todo, ninguém está isento deste primário sentimento. O que vale, ou o que pode valer, é estar apenas acompanhado? Se tantas vezes podemos continuar sós em meio ao tumulto ou quantas vezes perdemos o prazer de sorver, de viver momentos de ímpar sabedoria por insegurança ou disfarçado desejo de posse.

E o que é perder-se da alma? Na minha visão, perdemos-nos da alma quando a fantasia faz-se maior que a realidade. A vida não é complicada, viver é simples, tão simples quanto respirar. E se não respiramos direito, da forma como devemos ou como deveríamos, aí sim, buscamos na alma do periférico e não na nossa a essência da companhia. Não, não sou egocêntrica, mas defendo que só me encontrei, quando fiquei de frente comigo. E que é maravilhoso estar com os amigos, ter como é verdadeiramente poucos nomes para chamar de amigos e ter a certeza de que para ser feliz o homem precisa nascer feliz. É algo que defendo e digo: você é ou não feliz. E quando o homem é feliz, está feliz, não tem medo deste monstro: solidão.



Isto é bom... Me dá certezas, e razão para seguir sem fantasmas. 

(Ednar Andrade).

Noturno



Insônia...
E essa droga de dia
Que não raia!
Ao longe ouço um carro,
Quebrando o silêncio da cidade
Que dorme, cansada, fatigada...
E preguiçosa.
Somente meu cérebro,
Nesta madrugada,
É quem continua o trabalho
Estafante e incessante de pensar.
Penso em tudo...
Trabalho, relacionamento, futuro...
O preço do pão e a origem do universo.
As horas avançam
Sem minha avença.
O tempo não pára
Para ninguém.
A calmaria das horas
E o negrume da noite
Aliada aos silêncios das coisas
Não são suficientes para dobrar-me
O cérebro e fechar-me os olhos,
Os quais, olho no espelho,
E já os vejo vermelhos.
O tempo não pára,
As horas avançam,
Mas o dia não raia.
Segue, lenta e sem-vontade, a vida...
E como esta madrugada,
Continua, para uns, sem que o Sol brilhe.

(Danclads Lins de Andrade).




quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sabor de Sal...


Um cheiro de verão,
Mornas tardes, sentimentos na mão.
São dias lindos... Inesquecíveis tardes em familia.
Onde o Sol se despede com preguiça... E faz manhã...
Tardes, frescas tardes...
Onde a felicidade tem um sabor de sal,
Um marinho sabor...
Um gosto temperado,
Comum... Nas tardes de sal...
Que já anunciam o verão.
Minha verde mata tinge-se de azul,
O meu entardecer fica dourado como o Sol que aqui mora....
Caminho sem pressa nas minhas memórias,
Tudo é sentimento...
E me banho nos sonhos da minha lagoa de águas claras... Tão azuis...
Belo poema tingido, me banho...
Medito; pergunto; insisto... Permaneço e suspiro...
Adentro a mata, os rumos dos meus secretos sonhos, não há como fugir,
Não sei mentir. Lá fora há um mundo que desconheço,
Minha paz mora neste regaço de poesia,
Sou feliz, desfruto da mais pura paz...
A Lua faz poesia, meu coração cita os versos...
Rezo, rezo por ti, por mim...
E o amor me toma nos braços da saudade...
E ternamente choro... E adormeço...
E sonho...
Com o verão que logo vem...

(Ednar Andrade).

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Erótica



Meu corpo se aperta, quero teu beijo...
Faísca, lampejo, carne, tesão...
Quero, tua boca, teu cheiro, tudo de ti quero...
Adoro, venero, suplico e espero...
Vem, me diz que és meu,
Que meu corpo é teu...
Que tudo desperta...
Nosso amor, nossa festa... Diz:
Que sou o teu porre,
O teu lúdico e grande amor sublime...
O amor da tua vida... Vem com tua voz mansa, me agita, me alcança...
Me envolve, me encanta, vem...
Me canta...
Me deixa tonta, alerta, elétrica querendo-te em mim...
Ai... Me pega, me arrasta,
Não nega, me farta com o teu prazer...
Hum... Que saudade de ti, de nós...
A sós... E de mais ninguém...
Nas noites, nos dias, nas horas vadias...
Quero-te cada vez mais... Bem mais...
Ser tua mulher,
Ser tua amante, de hoje de ontem...
E apenas ser, como quiseres,
Sem pudor, sem vergonha, na cama, no mato, onde puder ser...
Somente tua, Meu Sol, tua Lua...
No paraíso deste querer...
Me aperta, me abraça, com as tuas pernas me enlaça...
Com teu hálito me nina....
Me põe pra dormir...
Me farta, me aninha...
Me leva ao céu do nosso prazer...
Meu doce veneno, meu homem, menino...
Meu doce segredo,
Meu abismo, meu medo...
Meu amanhecer,
Meu Sol tão dourado...
Tem cor de pecado...
Não sou sem você.

(Ednar Andrade).

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nem Lua, nem luar



Calma
Silêncio...
Solidão; não... Cansaço...
Pausa, ausência, fim de tarde,
Saudade, cheiro, pensamento...
Vida, lugar, sentimento, partida,
Dividida. É meio tarde, quase noite... Nas nossas vidas,
Cai a tarde, não há Sol, não há Lua, nem Luar...
Só as lembranças desta verdade nua, crua, minha e tua.
E neste sem-fim, em mim, mora o mais doce poema,
Nascido destas mornas tardes,
Em que descanso meus versos de amar cansados...
E aguardo...
Agora chega mais mansa, a noite...
E com ela, a suavidade, uma música no ar, um perfume,
O doce aroma das flores...
A quietude me aconchega, se achega,
Me faz pensar mais e mais...
Em tudo, em nós, no tempo,
No descontentamento turvo deste lamento,
Me encontro e busco a paz neste verso,
Um olhar que perdeu-se no tempo,
Um gesto que ficou,
Do tempo, as marcas,
Da vida, o amor,
A viva flor, o suspiro...
E o incerto...
E mais uma noite.


(Ednar Andrade).

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os Amantes...


Ser amante é ter o sabor dos doces poemas escondidos...
É ser a musa do eterno desejo; a pura flor do querer.
Uma agonia que acalma,
Uma dor que dar prazer,
Um querer no outro querer,
Ser a "borboleta errante"
E vagar no jardim da emoção mais louca...
Ser rainha de um só rei*
É um amar permanente que encanta a alma e faz pungente...
(Dolorido) o Amor.../
Ser amante é perder o sono para sonhar com o objeto amado...
É ter os beijos mais doces do pecado,
Fingir sorriso, quando chora...
Buscar, na permanente ausência, o fragmento que fica,
Fazer-se feliz com alma aflita...
Dizer versos quentes com o corpo gelado...
Ter no coração um perfume e uma grande saudade...
Olhar para o oceano e querer ser o barco,
Cantar uma canção e desaguar num rio de lágrimas...
Ser a preferida, o doce e o fel...
Num elo sem mágoas, apenas amar...
Amar... Amar...

(Ednar Andrade).