domingo, 21 de novembro de 2010

Smart Eyes



Olhos atentos...
Castanhos... Espertos...
Observam,indagam,
... Assertivos e certos.

Brincam, buscam,
Espiam lentos...
E de lado, saindo, 
Vão-se em doces movimentos...

(Danclads Lins de Andrade).

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um cantar, um encanto



Navego neste teu pensar,
Assim como um barco pequenino...
...E nesta lira reflito-me e sonho*****
              "
Dizer-te belo é pouco, sussurro.

Então, digo-te: - Cem palavras minhas... E nada digo... Sem palavras...
Fico.
Fico debruçada em pensamentos e imagens, me vem socorrer o coração aflito.
Vou rezando em busca de socorro, implorando aos céus  o ar que perco e neste desatino permaneço, 
Enquanto morro... Há no céu um silêncio, e o silêncio se faz música no ar.
És assim como um desgosto que gosto de sonhar,
Uma praia deserta, um rio dentro do mar: (Iemayá Assessu)... Um encanto, um cantar,
-Quase lamento-
(Um mantra que louva um descontentamento...)
EM VÃO...
Um vagar no vento,
Um sorrir e querer chorar, escondido em meu olhar.
Mãos que buscam as palavras que invento, para a lira deste amar... Rimar...
Sonâmbula,
Torta, como uma velha árvore, quase descambo, tropeço no verso;
MARCADA.
Como um esquecido tronco no deserto envergo, plantado, balançando ao vento que passa,
Irreverente e barulhento; 
Não pára, para me olhar... É meu este distante mar, de mais ninguém...
SUPORTO O TEMPORAL,
Carrego nos ombros a vela desta embarcação,
Minha búsola, já enferruja ,
 ...E mesmo assim navego....
Sigo o  rumo ,
                           ''
.... Sou  o meu deserto o meu mar, o meu rio,
E rio...
Leito vazio.
O azul das águas ficaram turvas e confusas, uma realidade distante se faz porto
INSEGURO...
Aporto e sinto no rosto um frio que faz vacilar.
A hora é morta, rasgo as vestes,
Dispo-me e caminho...

(Ednar Andrade).

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Assim como a brisa...


Minha conclusão, aos 53 anos, é de que: bom é ter alguém para compartilhar o "viver". É maravilhoso ter um amor que não traduza a posse do objeto amado.

Um amor onde não haja a necessidade de territórios marcados, onde, nesta relação, cada um é quem é, sem subterfúgios, lavados, claros, transparentes no pensar e no agir. Amor não implica controle, nem submissão. Quando sentimos algo inquietante no peito, na cabeça, como tantos proclamam em seu santo louvor e nome: amor, ele não é sofrimento que consome, tem que ser suave o seu sentir, tem que haver prazer, aquele prazer, nas mínimas coisas. Sua presença há de trazer bem-estar, se não for assim,  se já não formos capazes de ser como antes, se perdemos o gosto pela liberdade e ao mesmo tempo queremos ser o herdeiro deste bem alheio e sagrado... Aí é chegada a fatídica hora, o instante é de "reflexão"... Não estaremos, assim, amando; estamos é adoecendo, e com certeza causando ao outro uma possibilidade de também ficar doente. Porque: o amor é um sentimento livre que não sobrevive a prisão(ões) ...Ele alimenta-se da sua liberdade de ser.

O amor um pássaro gigante com asas estendidas, prontas para alçar voos excitantes. Promete ser fiel a quem sabe amar. (Amar) é um ato sublime, profundo... Assim como viver: "respirar"...(?) Respirar... Quem poderia viver sem ar? O amor para ser vivido precisa de material maduro como: confiança; não no outro, mas em si... Preciso é também que o meu caminho e o do outro seja regado com uma chuva mansa de sabedoria e conhecimento de que o outro não é "seu"; é antes de tudo "propriedade particular de si mesmo", e que num gesto de amar está contigo na busca de ser feliz, mas isso não *quer dizer que seja para sempre ... Já disse o poeta que: "sempre não é todo dia". Eu concordo também com aquele cara maravilhoso que nos ensinou a máxima: que seja infinito enquanto dure... (Mas como também dizem que o Amor é cego; poderá ser enquanto duro infinito). Tenho tentado amar, pois quando somos ainda bem jovens não sabemos definir o inexplicável movimento desta forte onda que carecemos ter para sentirmos-nos completos.

A maior prova de amor que já pude dar e ter está contida numa frase que, por inteira necessidade minha, num momento de total desatino senti (Quem ama liberta*). Este foi o meu teste de fogo, é quando em dado momento tu, que estavas seguro em tua torre , e ela era a torre mais segura possível, parece que tudo é perfeito, nada te falta, até tua miopia te faz um bem inestimável... Para que ver o que te cerca? Se estás na lama e está quentinho, isto te traz uma falsa sensação de pleno ninho (É lama, mas está quentinho...) (E DAÍ? PARA QUE TENTAR SAIR DESTE CONFORTO, SE POSSO DESCOBRIR O TREMOR DO FRIO?) E vamos seguindo, chamando submissão de amor, esta coisa pegajosa acompanhada de neurose e descontentamentos, sem olhar na cara do outro, que por sua vez fica covarde... Piedade? Para que? Verdade. Esta sim, foi minha genitora, foi esta grande que pariu para mim a real identidade do amor.

Volto à minha frase escudeira e reafirmo: - Quem ama liberta-se e também liberta. E que é preciso amar com o corpo, e com a cabeça continuar sendo infinitamente seu, seu maior patrimônio é ter-se como seu, dono das suas vontades, idas e vindas e amar, e porque não amar? Amar sim. Mas, livres, assim como a brisa.

Penso que estou na trilha certa, minhas asas cresceram... Aprendi que voar é o mesmo que ser livre e  faço aos outros aquilo que quero que me façam; amo  sem exigir amor. Minha alma gêmea eu sou, e me amo com um amor nunca antes a mim doado.

(Ednar Andrade).

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Poesia




Até parece sonho,

A verdade que componho...
Alma transparente,
“Pele nua”, traduz meus sentimentos
Sem nenhum pudor.
Como verso, pura quimera... Diriam...
... E a vontade de viver.
A rima é o contra-verso... E o re-verso.
Se é para falar, silencio...
Se é para rir, choro...
Se tiver saudades, canto...
Se vier o medo, sigo...
Sem olhar para os lados.
Meu pássaro alado,
Meu mais velho invento...
Assim sigo, segues
Como irmãos e filhos,
Mãe e pai do tempo,
Aprendizes, somos.
Vagos de incertezas;
Plenos desta prosa;
Pobres de ilusão.
Coragem,
Loucura,
(Coração de poeta),
“Corpo de mulher”,
Sentimento em universo.
(Solto dentro da prisão
Abstrata do amar...)
Parece sonhar o poeta,
Quando diz
A mais pura flor da verdade
Em seu sonho.
Esbarro, num caudaloso rio de mim
E, não me banho...
Meu leito vira rio
Para o deleite do espanto (...)
A minha melhor prece é a poesia,
Onde planto versos
E colho rimas.

(Ednar Andrade).




terça-feira, 16 de novembro de 2010

Convite à Paixão


Hoje me bastaria,
Não mais que o teu abraço
E eu sanaria todo este tédio.
Mas, não te busco...
Em vão seria eu te procurar.
Não estarias, por certo
E o meu peito aperta aberto.
Me roubas a respiração.
Sinto uma saudade!
Faz assim não...
Me telefona,
Me diz, qualquer coisa...
Diz que me ama,
Que pensa em mim.
Diz que ouviu ao longe
A voz do meu silêncio.
Diz que sentiu saudade
E que deseja ardentemente me abraçar.
Me sentir, me tocar.
Que eu, inquieta que estou,
Acalmaria este desejo de te amar.
Este desejo que já não me dá paz,
Toma conta dos meus sentidos
E me propõe uma paixão,
Que eu já não evito
E quero te dar.

(Ednar Andrade).

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Moinhos...

Vento, moinho dos meus pensamentos,
Em descontentamento, lamento…
Enfrento o tempo, contando as horas que passam lentas…
Há movimento, uivos no ar, desolação e desamar…
Como um velho vagão, vou sobre os trilhos, atenta aos sinais dos meus perigos.
Velha ferrovia , corroída, abandonada sem destino, sem rumo…
Vejo a vida da janela….
Alguns cegos de encontro à porta que em nada vai dar,
São passageiros do comum lugar…
Olhares perdidos na paisagem fugaz.
Eles estão inebriados de fantasia…
Vidas vazias, mãos em gestos … Acenam e nada entendem…
Seus sentidos estão em tolo desalinho, como um tecido esgarçado…
…E tecem seu tempo num vagabundo linho…(…) Vaidade, tolices… Desperdícios

Moinhos, moinhos… Moinhos…
De encontro ao declinio, vagueiam e ficam estagnados,
Buscando, no nada, um ninho.
De ventos, moinhos…
Assisto.
Meu olho solta um grito (sofro), calo… Sofro…
No vai-e-vem dos ponteiros, descontrolados, eles flutuam..
Sem se darem conta do descompasso,
Dançam…
Uma ritmada música que desafina no final…
…E segue o velho trem,
Trem da vida, sem apito sem hora,
sem hora e sem sinal e sem partida,
Um dia chegará ao seu ponto final .



(Ednar Andrade).

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Nó...



Nó, sem começo, sem fim...
Neste sem fim, e afinal...
Nem festa, nem temporal: caminho...
Não sei parar...
E... Neste olhar sem rumo, rumina o meu calar.
... Eu sigo... E seguimos nós...
Vou, vamos neste vago tempo...
Me encontro pedra do jogo,
Na labareda deste fogo, queimo, queimas...
No desigual mundo, sou teu igual...
Novelinho sem ponta, sem começo, sem lugar algum...
Desassossego.
Farto-me de abismo, sou o perigo,
Meu infinito e meu desabrigo,
Porto inseguro – navio sem mar,
Neste desamar... Escorrego
De encontro ao fundo deste “oceanar”.
Barco sem vela... Para que lado foi a vida?
Caminhos sem despedida,
Guerra de esperar,
Heróis, sem resistência,
Um farol sem direção,
Faca de ponta afiada, luzente, quente,
És como o fogo,
Entorpecente, quente, és como o ópio.
Terço, rosário, ou prece... Teço, teces.
Tormento.
Canção, lamento.
(São dez, oito, horas... Amém).
O céu se veste de noite,
Cai a tarde, chega a escuridão...
... E o peito se aperta e se enrosca
No nó de nós...
Tento um canto...
Mas o desencanto
Me faz desafinar...

(Ednar Andrade).



domingo, 7 de novembro de 2010

Perejil de la playa


                                          
Perejil de la playa... Una flor lila,
Simple, singela.
És común encontrar-la en el caminos
Donde está el mar y ni necesidad de estar cerca.

Perejil de la playa... Una flor linda, simples.
Nació a cubierta el camino
De que no tienen nada,
Una flor para adornar el jardín de nadie.

Perejil de la playa... Una terna florecilla, frágil,
Pero tan hermosa, tan natural, 
Como Dios lo hizo en un astillero.

Flor que bendiga a los medios
De los cuales atrasos frente a la playa...
Como si fueran estrellas
Que guía la trayectoria de un pescador.



Perejil de la Playa … Una flor de hoy
Adorna el pelo
Y me recuerda un momento tan hermoso …
Nacen y mueren con el sol en la tarde
Y aún con vida dentro de mi anhelo.

(Ednar Andrade).

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sem medo da solidão



“Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância. Solidão é muito mais do que isto.  Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma...” 


(Francisco Buarque de Holanda).


Verdade. E já me senti assim, solidão é isto sim... "Graças ao sofrimento e a dor, hoje não sinto solidão". Tenho-me ao meu lado, carrego comigo minhas experiências e tudo enfim que me faz ter grande companheira: minha maturidade, a ausência dos medos...

Não é que eu tenha ficado egoísta, eu só aprendi a me amar, e ter-me como uma verdadeira presença que toco, sei seu verdadeiro nome e não me abandona jamais... Nem deixo que a vaidade me alimente.

Seu nome: realidade, companheira que deveria ser inseparável a qualquer um e é, mas em certos momentos da vida, no auge da mocidade, nós a tememos e não a vemos com a cara que realmente tem; olhando para ela, como que com mágoa, assim pensando, sê-la uma inimiga, simplesmente porque bom é substituir ou maquiar algo, que alguns chamam de destino, e eu de escolha.

Escolha... A escolha é a chave sem cópia do destino que ninguém fabrica, além de nós. É livre o direito, a opção de “sofrermos ou de sermos felizes”. Ninguém há que tenha tamanha capacidade de fazer feliz o outro. Esta consciência é o que nos liberta, é o que nos faz ver que podemos ter pessoas, conviver com elas, mas sempre estaremos sós, o que é muito bom. A nossa mente não pode sofrer a influência do medo de estar consigo. É confortável saber-se dono do seu sentimento, quando há, na mocidade, uma terrível e romântica ilusão de sermos um do outro ou, assim, como ser o outro.

Também é verdade que não se pode ser feliz sozinho. Compartilhar o riso, as alegrias, é fundamental ou o riso seria insípido, idiota, louco. Também é indispensável, a pessoa confidente, “o beijo depois do café (Roberto Carlos)”... Rsrs... Todos têm razão. Mas, quantos tomam café juntos, dividem a cama, dividem o prazer e continuam sós? E fica aí provado que mesmo estando acompanhados, podemos estar sós.

Recebi hoje, de uma amiga, um e-mail contendo o texto do Chico Buarque, já citado acima, onde o mesmo descreve com prosa e graça o tema: solidão e pus-me a pensar em como é maravilhoso não mais carecer de companhia(s) para fugir da solidão.

Isso já foi como doença e continua sendo, não para mim. Mas, como um todo, ninguém está isento deste primário sentimento. O que vale, ou o que pode valer, é estar apenas acompanhado? Se tantas vezes podemos continuar sós em meio ao tumulto ou quantas vezes perdemos o prazer de sorver, de viver momentos de ímpar sabedoria por insegurança ou disfarçado desejo de posse.

E o que é perder-se da alma? Na minha visão, perdemos-nos da alma quando a fantasia faz-se maior que a realidade. A vida não é complicada, viver é simples, tão simples quanto respirar. E se não respiramos direito, da forma como devemos ou como deveríamos, aí sim, buscamos na alma do periférico e não na nossa a essência da companhia. Não, não sou egocêntrica, mas defendo que só me encontrei, quando fiquei de frente comigo. E que é maravilhoso estar com os amigos, ter como é verdadeiramente poucos nomes para chamar de amigos e ter a certeza de que para ser feliz o homem precisa nascer feliz. É algo que defendo e digo: você é ou não feliz. E quando o homem é feliz, está feliz, não tem medo deste monstro: solidão.



Isto é bom... Me dá certezas, e razão para seguir sem fantasmas. 

(Ednar Andrade).

Noturno



Insônia...
E essa droga de dia
Que não raia!
Ao longe ouço um carro,
Quebrando o silêncio da cidade
Que dorme, cansada, fatigada...
E preguiçosa.
Somente meu cérebro,
Nesta madrugada,
É quem continua o trabalho
Estafante e incessante de pensar.
Penso em tudo...
Trabalho, relacionamento, futuro...
O preço do pão e a origem do universo.
As horas avançam
Sem minha avença.
O tempo não pára
Para ninguém.
A calmaria das horas
E o negrume da noite
Aliada aos silêncios das coisas
Não são suficientes para dobrar-me
O cérebro e fechar-me os olhos,
Os quais, olho no espelho,
E já os vejo vermelhos.
O tempo não pára,
As horas avançam,
Mas o dia não raia.
Segue, lenta e sem-vontade, a vida...
E como esta madrugada,
Continua, para uns, sem que o Sol brilhe.

(Danclads Lins de Andrade).