quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Nua



Escrevo, em linhas retas, minha torta emoção,

Declino...
Como um raio que se perde no horizonte em fim das horas;
Flutuo... Divago.
Caio em meio ao verde do campo, desigual, incontida, alheia...
Como uma folha  descuidada,
Deslizo... E...
Suave, bebo o sabor da ausência...
Há  um vagar na solitude deste desencanto que leva ao (oposto...)
SEM DESALENTO.
Apenas , uma sutil presença , um devaneio  que sofrejo...(...)
És-me como  o brilho do Sol,
 És-me como a noite em plena lua.
E... Eu ao luar,
Tua lua, nua...
Já é noite... Ou quase isso... Eu,
Vagueio e sonho...
COM BRANCAS RENDAS AO CHÃO.
Com estrelas: minhas e tuas soltas na escuridão...
...Reclamo,
...Declaro, declamo sussurro e chamo...
Minha paz em desatino e guerra,
Minha mórbida canção...
Tenho mãos cálidas e olhar disperso...
Minha carne geme,
Meus dedos inventam versos,
(HOJE NÃÕ HAVERÁ ESTRELAS...)
...E para sempre no universo: encanto e encantamento...
HAVERÁ
Distante estou do meu ser mais profundo,
Sou como  a estrela cadente... (:),
Faças um pedido, e eu, adivinho o desejo estrelar...
Metáfora, lirismo, fantasia...
Vivo  espaço na minha amplidão...
Fio de água, doce riacho, veio...
Sou como o sofrimento,
Sou o impróprio,
Sou o que não digo,
Sou o que rejeito, sou e apenas... Sou...
Sem  ilusão,  com sentimento em palma;
Busco.
Quem sabe, o doce descanso que virá... Ou, vira  calma...
...E assim:
És-me tudo, és-me  o nada.
Faz-mes maldita,
Faz-mes santa...
ANJO OU DEMÔNIO, SOLTA À LUZ DA LUA.
Luar...
Meu sorriso sonha...
Com um canto lírico, uma trova um verso,
Meu reverso...
Minha suprema magia,
Meu  suplício e vida,
Calvário sem cruz... Encontro-me crucificada...
PERDIDA.
Largada, feito trovão; assombro... Relâmpago  vazio...
Amplidão.
Clarão...

"Nua."

(Ednar Andrade)

(19*01*2011*)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Doce presença


Vozes...
Sons de criança jogando bola,
Euforia...
Risos  em melodia...
Uma rima viva  no ar...
Ela vai chegando soberana  entrando devagar...
Anoitece, é quase  noite
Redenção do Sol,
POESIA
Aloé  no ar,
É tanto mar...
“Felizcidade”
Doçura em canto...
Murmúrio  das águas, refrigério d'alma...
Lume vagalumes e estrelas  
Estrelar...
CINTILAM
Lua branca no céu... Logo será uma renda
Bordando o chão e a lagoa,
Meu barco: vai buscar  o vento...
E na vinda: tragas-me um pensamento   suave...
Um verso,
Doce  presença,
Um riso, uma alegria  ...
Cheiro de maresia...
Frutas frescas no pomar
Quintal moldura janelas
Pés na areia, folhas no chão, rede varanda...
Sons da mata, cantar de pássaro
Ponto de interrogação (?)
Cheiro de lenha fogueira
Festa no meu coração, 
Sentimento (...). Um  reverso neste verso  novo canto...
INTERROGO (?)
“TUDO É SURPEENDENTE”
No meu velho-novo coração,
Quem sabe perdi meus limites,
Ser feliz é bem melhor que ter razão.
 Portas  abertas, viver...

(Ednar Andrade).

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Amoras

     Cézanne - Compotier pitcher fruit.

Coser com linha de prata  as memórias...
E dizer:
Jaz... Aqui
Ao que já, não é... E jamais será...
Refazer dos trapos, o ninho perdido,
Sem chorar...
Ser, apenas ser... Sem desejar o sempre
... Mesmo sem saber para onde;
Caminhar...
Um olho no caminho ,
Outro no infinito
"Agora".
Trilhar  a  areia quente  do deserto, lamber o medo,
Com ombros cansados, erguer a cabeça... E...
Comer as sobras do desconhecido instante que restou.
É nas horas tristes dos percalços, que se descobre 
A alegria que há no  despertar em liberdade.
Depois da última dor;
Parir o assombro...
E, como uma ave, pelo espaço azul  voar... Simples, sem medo, sem espera...
Nua  de mentiras, entregue  a sí mesma, amar-se sem limites,
Sentir o fogo que arde e cura... Restaurar  a alma
Dar um abraço  na face da mentira.
E sem escrúpulos dizer-lhe que não é verdade
Dispersa de mágoas,
Sem olhar para trás... Digo:
Dá-me tuas mãos, doce abrigo... Meu...
Logo eu, que andei  pisando  torturas no meu desmedido querer...
Logo eu... Eu... "Deliro em euforia" e de contente rio  do descontente ...
Não, não posso querer outra  felicidade...
Esta que tenho, sou dentro de mim
E sem pressa dei-me por dona das minhas horas,
Já não creio nesta febre que mata tolos.
Tornei-me assim feliz ateu,  e suave como uma pétala
 Perambulo ... Sem tempo que me tome ou açoite...
Meu olhar no horizonte permanece 
Vou na direção  da vida,  saboreando  cada fruto:
É doce... Viver é doce
Pitangas maduras, jabuticabas, cajus...
Derramam na paz do meu pomar,
Perfumes de ternas flores...
Amoras...

(Ednar Andrade).

(*12*01*20011*)





terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Vertigem


Desmaia o dia,
Como a vertigem que há no meu pensar...
Olho  em volta de tudo...
Uma quietude feito uma hemorragia  derrama-se no ar...
Noite, cortina de neblina,
Porto dos meus sonhos,
De ti e por ti,
Chorei e tantas vezes choro, se estou distante
Cai a noite
...E eu me calo como que a rezar...
Também desmaio, com o coração a sussurrar...
Componho  uma suave nota na solene companhia dos grilos...
Poesia...
Cantiga de ninar...
Há no coaxar dos sapos,na beira do rio...
A noite está posta,
SOSSEGO...
E nada  é - além desta vertigem - 
Tudo silencia...
Apenas  a  brisa  sopra  um segredo:
A noite enfim vai chegar...

(Ednar Andrade).

sábado, 8 de janeiro de 2011

Abismo

 
De  mim  e  de nós...
Vício...
 “Entorpecente, substância  que devasta.”
Lança sem dó  o coração... Rasga  ...
E faz, em jorro, derramar toda a minha alegria...
Sem nada, de mim, sobrar.
Intacto nada, nada fica...
Sangrento  veio  escorre,
Sinto-me assim: esvaindo-me  toda...
Lutar não luto.
Fico  de luto;
Alma  sucumbida ...
 O olhar no nada,buscando  distraída  o  lugar..
Lugar incomum... Onde sei que mora  a vida.
... E assim: cambaleante...
Bebo  todos  os  sabores  deste vinho que não me dá prazer.
De  um  lado  para  o  outro, na escuridão  do  descontentamento...
Sigo-te, persigo-te... Vício...
Levas-me ao fundo do mais  escuro  poço.
Arrastas-me  contigo  neste  abismo  e eu me perco...
... E peço socorro...
Nenhuma  voz, nenhum  simples  sinal...
Meu  deserto; morrestes  comigo?
Fiquei  eu, de  ti , no total  desabrigo,  onde vaga, vagueio...
"Num  soluçar  perdido...""
Aguço-me, aguço-te, sem resposta  em completo  perigo
A vida  fica tarde, o Sol desmaia nos ponteiros do nosso tempo...
O calendário  me  diz  que  caminho  e  tropeço  nas  mortas  horas de mim  e de nós...
Meu  ópio... Droga  "BENDITA""que  inalo  e  por ela  choro...
Meu  calvário, minha  dolorosa  cruz.
Meu contraditório  santuário , onde , só em ti , encontro  perdida  a  paz  que  busco.
Neste  penar, inalo-te ofegante até os fragmentos  que  de nós sobraram...
Minha  fonte de ar inconfundível .
Meu cálice  de misto e raro sabor ... Degusto...
Sorves e esbanjas  em   teu silenciar  um  aroma  que   sinto quando  é  primavera  em  mim...
E das "orquídeas  que  cultivo  és  a mais  bela" imagem que guardo  nos olhos do meu silente  amparo...Me  desamparas...
Minha  capela  secreta  feita de pedras  no deserto  de mim...
Rezo ....
Uma  oração  que  a natureza  escuta  e  apenas ,"cala ."..
Meu  caminhar  nas  sombras ...
Meus  pés  cravejados  de espinhos  doem... Como doem...
GEMO...
Estou  cansada, sinto- me  mal...
INVADO A FRESTA...
E pela janela da minha  paz  sem calma, saio a te buscar em vão...
Não me dás  paz... Nem  abrigo... Nenhum compasso para meu perdido  destino...
És  o naufragar  onde velejo e morro...
Meu  inseguro  porto , onde  sem saber mudar  os  ventos  não velejo ...
 AGUARDO...
Insaciada ,
Insana ,
 Apática , o Sol que me queimará  esta  ferida ...
E resumirá  a cinzas   como um santo bálsamo  este meu, de ti, vício...

*Ednar Andrade**

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Corais e Azuis


Banho-me  no dourado deste entardecer
Mergulhada na verde paisagem deste  encantado viver...
Sou como quem sonha...
Olhos abertos, perdidos, imersos... Vagueio...
Um trago, um verso, uma saudade, uma prece...
Quem sabe...
Um pássaro que canta  feliz no seu ninho...
Degusto o sabor desta tarde calma e me aninho...
Começo de era, brotos em flor, são agora meus dias...
Assim sem pressa, sem medo, sigo.
Me  deito nas mornas águas que  me acariciam... 
Em minha alma quase tudo é mar...
Velejo... E nos meus vagos  dias deixo-me livre de qualquer sofrer...
Não sei das horas, aqui não tem calendário...
Aqui as noites demoram... Os dias são verdes...
As manhãs  corais e azuis... Como estou feliz...
Minhas mãos desenham pensamentos cheios de risos...
Agora  canto...
Sequei o pranto, me refiz.
Reconstrução...
Caminhos e longas auroras surgem...
Canção  de plena  paz, estrela  minha...
Minha maior estrela... Posso ver-te de perto em cada amanhecer...
A tarde  cai suave ... A noite vem com encanto  e com ela um doce silêncio
Minha oração é o sossegar dos bichos,
Um sussurro...
Uma quietude... Brisa  a balançar  folhagem e frutos...
Perfume  do mato...
Silvestres flores... Cajus tão doces... Frutas frescas...
Pomar de sonhos... Reais  momentos...
Tudo é como  encanto
... Miragem...
Suspiro.
Feliz canto...
E aguardo a noite no balanço  da rede...

(Ednar Andrade).

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010