quinta-feira, 17 de março de 2011

Sol & Lua

  

Eras uma dor,
Eras uma mágoa,
Uma tristeza
Profunda
N’alma.
Mas, tu
Eras o Sol
E só raiavas
Ao dia.
Então,
Eu, na noite
- Lua sem companhia -
Sempre esperei
O raiar
De um novo dia.
És a sombra,
Chegas-me
Sorrateiro,
Sem avisar,
A qualquer hora
Do dia.
Afloras
Na minha guerra,
Na minha ausente paz.
Chegas-me como a bandeira
Flamejante em chamas,
Em luz
E eu, pequena estrela,
Rendo-me à tua forte,
Flamejante luz.
És como o dia:
Grandiosa aurora,
Airosa,
Rósea,
De cores mil.
Decifras
Em tons
Minha paz,
Meu eu,
Meu nada,
Meu sempre,
Meu eterno
E sempre ser.
Ser como sou.
Ser como queira ser.

(Ednar Andrade)
(27*02*2011).

quarta-feira, 16 de março de 2011

Sobre teu peito



Chegou  sem bater.
Abriu a porta da minha manhã,  entrou.
Entrou roubando  o brilho do Sol.
É como um vento Sul "bem Norte"...

Desnorteando tudo...
Todos  os desabrigos do  ser,
Arrasta , impele, remete...
Ao calor do teu peito quente
E ao aconchego da tua respiração...

Juro, deitaria e isso hoje bastaria: 
Olhar teus olhos,
Ouvir tua voz,
Beijar tuas mãos...

Depois em total silêncio, sentir teu abraço
Ouvir teu coração
Sentir-me assim suave...
Sem  saudades e sem razão...

(Ednar Andrade).


Concert pour une voix

segunda-feira, 14 de março de 2011

Você é meu único desejo


Você é meu único desejo 
você colocou meu coração em chamas 
seus olhos - seus lábios e seu sorriso 
eles fazem minha vida tão interessante
Você nunca sabe o quanto eu te amo 
se você vai ser meu - eu serei verdadeiro



(Buddy Holly).


sexta-feira, 11 de março de 2011

Poema que rezo


És um poema,
Que rezo,
Que gemo,
Que choro.

És belo;
És todos os versos,
Cantos e cantares
Da minh’alma frágil e poética.

És o que grito e calo.
Alegria, o riso,
A imprópria hora
Sem lugar, nem tempo.

És atalho, caminho,
Sossego e rima.
És o silêncio,
A noite a se derramar,

A chama, o fogo, o aroma
Mais puro que sei respirar.
És meu olhar
Sem calma, convulso.

És a barulhenta monotonia
D’alma minha;
És o verde do meu olhar
Já sem luz.

És a minha mão a tremular.
És o balanço da rede a divagar...
És a música preferida;
És o amor mais profundo,

O melhor lugar do mundo
Para minh’alma repousar.
Meu perpétuo querer
E viver para amar.

(Ednar Andrade).
(11*03*2011).

Vestida de Sorriso


Vesti-me de sorriso,
Desfilei  na passarela,
Vesti-me de colombina
De  todas as fantasias ...

Pintei  de cores vivas,  a minha tristeza
Pus na boca  a alegria do meu vermelho batom
Dancei  todas as músicas que ouvi
Sem perder o tom entre as serpentinas coloridas

CINZA ESTAVA MEU CORAÇÃO.
Passou o carnaval,
A alegria  passou,
Os risos as cores ... Passou tudo enfim,  
Passou.


(10*03*2011)

domingo, 6 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

Fantasiado de Adão

   Detalhe da Capela Sistina, de Michelangelo Buonarrotti. Adão. 


Linda esta tua fantasia!
Coração guardado no peito,
O sexo em exposição,
Vestido de Adão,
Assim, para mim,
Tua Eva, que cheia
De emoção
Assisto radiante
A esta tentação.
Donos do Paraíso
Na floresta noturna
Dos nossos sonhos
Vejo-te nu;
Meus olhos pulam
De excitação,
Ai quem me dera,
Quisera eu...
Compartilhar essa maçã contigo,
Ser a serpente do teu paraíso...
Viver no Éden deste pecado...
Que nos faz loucos,
Nos faz meninos
E sem juízo,
Cheios de saudade,
Para cometer loucuras,
Virar uma serpente,
Para te tentar,
Me enroscar contigo,
Mergulhar no gozo
Deste jogo-carne
Destes teus perigos.

(Ednar Andrade).

quinta-feira, 3 de março de 2011

Um carnaval que passou...



Bate como se fossem tambores,
Sem serpentina nem cores,
Em pleno carnaval.
Sem festas, , serpentinas, nem cores.
Bate, meu coração,
Anunciando um estandarte sem brilho
E o que cintila na porta-bandeira
É tão opaco que quase não se vê.
Mas, a vida caminha...
E aqui dentro
Cada batida num dó maior,
Maior que as passarelas,
Que as fantasias e confetes,
Sorrisos e desilusões.
E continua este carnaval...
E continua sem desfiles,
Nem vitórias,
Porque o fim da batucada não acabou.
O Sol não veio, nem vai chegar
Bate... meu coração,
Como se fossem tambores
Em pleno carnaval,
Sem serpentinas, nem cores.

(Ednar Andrade).

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Eu, tu.


Um verso
De encontro
Ao sempre,
Enquanto durar
O sentir,
O amor,
O amar.
Eu, tu,
Todos, enfim.
Tudos.
Segredo, mágoa,
Abstração, sonhar,
Querer, quereres,
Amar, amares,
Sentir, sentires.
Depois, a noite.
Secreto medo,
Saudade, lampejo,
Vida em flor,
Amor, sempre.

(Ednar Andrade)
(27*02*2011).