sexta-feira, 18 de março de 2011

Ablaze



This love 
Burns. 
It is like fire; 
It's missing ... 
Want, 
Needy ... 
Thus: 
Without reason 
Emotion 
Passion 
My love ... 
My man 
My secret 
My silence 
My fear 
Wish 
Noise 
Beast 
My wolf 
My male 
I am your female 
In the flesh that burns 
Groaning and wants you ... 
What dreams, hopes, loves you 
Devour me 
Come ... 
Come .... because I'm yours 
Anytime ... 
Anywhere 
When you want ... 
In bed 
In the dream .... 
Groaning, wishing you here. 
In my own sex, burning ... 
Loving in the night ... doing ... 
I even shed 
... get rid of our enjoyment ... 
  
(Ednar Andrade) 
.


Casa pobre


Era uma casa de pobre
(Ninguém tinha um sonho “nobre”)
Amor... Lá isso tinha,...
Um alpendre, onde à tardinha

Via-se o Sol morrer,
A cajazeira... De frutas docinhas...
Um tapete de folhas no chão;
O olhar perdido no verde,

Tempos... Que longe vão...
Que ninguém pode esquecer,
Vida (“já foi viver”)

A harmonia desses dias,
Caminhar longe do hoje.
Onde está a casa pobre?

(Domingo, 03.08.1984).
(Ednar Andrade).

quinta-feira, 17 de março de 2011

Borboletas...


Jardins e margaridas, quintais, beija-flores, borboletas e poemas. Corria com total euforia, inconsciente fantasia que a fazia aprisionar borboletas; uma escura intenção (uma não clara evidência), elas chamavam-lhe a atenção.


Coloridas, belas, livres. No seu coração não havia o perverso instinto da prisão.

A vida entrava e saía pelas narinas numa perfeita harmonia de “ar e liberdade” e, por tantas vezes... Sentia uma angústia, um desconforto incompreensível por elas: asas, liberdade, vida, vôo, porque prisão? Porque aprisionar o belo? Para que tornar inerte, sem vida, um ser tão belo?

Mas, entre flores e quintais, estavam lá as suas presas, não que quisesse matá-las, mas uma necessidade de tê-las, de admirá-las, também traduzi-las, entendê-las, quem sabe... Aprender, com elas, o segredo de ser livre? E, por isso, as surpreendia. Olhava-as com uma certa dó, até pedia desculpas.

Não sei se por amá-las tanto ou por não saber como frear estranho sentimento de posse.

Borboletas: sinônimo de liberdade, sinônimo de belo.

Num gesto rápido, trêmulo, frenético, segurava a presa. A borboleta debatia-se e ela, angustiada, pedia-lhe calma. Depois, no inconsciente movimento, dirigia-se à estante, abria um livro e ali depositava aquele poema, porque era um poema. Nunca entendera o movimento de tal comportamento. Por que não deixar livre coisinha tão bela...?

Depois, passadas horas, voltava ao livro, retirava de lá aquela pérola e a admirava... Era como um poema, conversava com ela, num gesto “quase esquizofrênico”, dizia-lhe coisas nunca dizíveis, nunca reveláveis a alguém. Entre ela e a borboleta, ela sabia havia um sentimento comum: a vontade de ser livre. Pobres borboletas que, sacrificadas, viravam poemas...

Ali moravam, dependendo da sorte, com Drummond, dependendo da sorte, com Vinícius... Dependendo da sorte... Um mundo tão encantado, onde se misturavam a dor e a poesia. 


Felizes borboletas...

Sacrificados poemas...    


(Ednar Andrade).

Sol & Lua

  

Eras uma dor,
Eras uma mágoa,
Uma tristeza
Profunda
N’alma.
Mas, tu
Eras o Sol
E só raiavas
Ao dia.
Então,
Eu, na noite
- Lua sem companhia -
Sempre esperei
O raiar
De um novo dia.
És a sombra,
Chegas-me
Sorrateiro,
Sem avisar,
A qualquer hora
Do dia.
Afloras
Na minha guerra,
Na minha ausente paz.
Chegas-me como a bandeira
Flamejante em chamas,
Em luz
E eu, pequena estrela,
Rendo-me à tua forte,
Flamejante luz.
És como o dia:
Grandiosa aurora,
Airosa,
Rósea,
De cores mil.
Decifras
Em tons
Minha paz,
Meu eu,
Meu nada,
Meu sempre,
Meu eterno
E sempre ser.
Ser como sou.
Ser como queira ser.

(Ednar Andrade)
(27*02*2011).

quarta-feira, 16 de março de 2011

Sobre teu peito



Chegou  sem bater.
Abriu a porta da minha manhã,  entrou.
Entrou roubando  o brilho do Sol.
É como um vento Sul "bem Norte"...

Desnorteando tudo...
Todos  os desabrigos do  ser,
Arrasta , impele, remete...
Ao calor do teu peito quente
E ao aconchego da tua respiração...

Juro, deitaria e isso hoje bastaria: 
Olhar teus olhos,
Ouvir tua voz,
Beijar tuas mãos...

Depois em total silêncio, sentir teu abraço
Ouvir teu coração
Sentir-me assim suave...
Sem  saudades e sem razão...

(Ednar Andrade).


Concert pour une voix

segunda-feira, 14 de março de 2011

Você é meu único desejo


Você é meu único desejo 
você colocou meu coração em chamas 
seus olhos - seus lábios e seu sorriso 
eles fazem minha vida tão interessante
Você nunca sabe o quanto eu te amo 
se você vai ser meu - eu serei verdadeiro



(Buddy Holly).


sexta-feira, 11 de março de 2011

Poema que rezo


És um poema,
Que rezo,
Que gemo,
Que choro.

És belo;
És todos os versos,
Cantos e cantares
Da minh’alma frágil e poética.

És o que grito e calo.
Alegria, o riso,
A imprópria hora
Sem lugar, nem tempo.

És atalho, caminho,
Sossego e rima.
És o silêncio,
A noite a se derramar,

A chama, o fogo, o aroma
Mais puro que sei respirar.
És meu olhar
Sem calma, convulso.

És a barulhenta monotonia
D’alma minha;
És o verde do meu olhar
Já sem luz.

És a minha mão a tremular.
És o balanço da rede a divagar...
És a música preferida;
És o amor mais profundo,

O melhor lugar do mundo
Para minh’alma repousar.
Meu perpétuo querer
E viver para amar.

(Ednar Andrade).
(11*03*2011).

Vestida de Sorriso


Vesti-me de sorriso,
Desfilei  na passarela,
Vesti-me de colombina
De  todas as fantasias ...

Pintei  de cores vivas,  a minha tristeza
Pus na boca  a alegria do meu vermelho batom
Dancei  todas as músicas que ouvi
Sem perder o tom entre as serpentinas coloridas

CINZA ESTAVA MEU CORAÇÃO.
Passou o carnaval,
A alegria  passou,
Os risos as cores ... Passou tudo enfim,  
Passou.


(10*03*2011)

domingo, 6 de março de 2011