quarta-feira, 13 de abril de 2011

Quereres


Silêncios,
Coqueiros,
Sentimentos,
Amor,
Querer,
Quereres,
Desalentos,
Silenciares,
... Silencio...
Noite,
Vento,
Ventania,
Versos
Invento,
São tantos...
Os sentimentos...
Saudade,
Lágrima,
Contento,
Descontento,
Espaço,
A hora,
O tempo,
Eu choro;
Tu olhas.
Eu sinto;
Tu calas.
Escura,
Confusa,
Tal qual
A noite.
Reticente,
Perigosa,
Aflita,
Bendita,
Desdita,
Que busco...
Oh! Calma...
Contento,
Descontentamento...

(Ednar Andrade)
(27*02*2011).


terça-feira, 12 de abril de 2011

E aí?



Pra que tanta bobagem?
Tanta etiqueta, se no fundo tudo é uma faceta
Pra que tanto ódio, tanta agonia?
Tanto corre-corre, em vez de euforia


Se não se leva nada, nem a etiqueta,
Nem o ódio, nem a farsa
Tudo que se leva está na caixa
Vamos amar mais, 


Elevar as mentes para as coisas boas
Porque qualquer dia o sopro acaba
E você meu chapa... O que fez de tudo?
A não ser: Não fez nada?


Não sei por que te falo
E aqui tentando...
Acho que falei,
Mas se ainda tens tempo, faz como te digo


Sejas mais amigo, ame, isto faz bem
Tenha para o próximo um sorriso amigo
Porque qualquer hora vai chegar o trem
E aí? Como é que fica?

(Ednar Andrade)
(02.06.1982).

domingo, 10 de abril de 2011

Memórias...




Lá estava a velha árvore, com galhos tão fortes, um tronco robusto, como uma mãe turca com seios fartos... E braços estendidos como abrigo.

Um alpendre: ali havia uma velha mesa, não existiam cadeiras, seus ocupantes sentavam-se em bancos rústicos, confeccionados com restos de madeiras que sobrara de alguma construção. Pois, além de tanta faceta, o sisudo homem era também pedreiro e erguia com carinho e autenticidade suas moradas...

Mesa aconchegante, onde todos, depois da refeição, permaneciam por puro prazer, prazer de conversar... Contar e ouvir histórias de algum lugar...

Podia ser uma "estória", também fazia bem à alma de quem ali se sentia como num teatro. Eram sempre bem contadas com um tom  colorido de veracidade. Algumas não passavam de velhas e ricas lendas, outras traziam consigo um cheiro real de vida, contadas com tamanha força que trazia seus cheiros e sons.

Um cenário de rica visão: fogão de lenha, onde uma "velha chaleira de ferro  bem pesada" (que ainda guardo comigo), permanecia com uma tépida água para, quem sabe, um bom café ou, na preferência de outros, um calmante chá de canela. Um cesto de vime continha gravetos bem finos,  cortados com capricho para facilitar o acender do fogo, tudo  criado com o descuidado carinho de quem  é "feliz na simplicidade"... Então, família reunida, silêncio durante a refeição, nada se pedia sem dizer "por favor", seguido um satisfeito "obrigado..."

Manhãs de domingo: café bem forte, e na velha mesa, bolo de milho, tapioca e risos... Filhos reunidos, o amor e o pão...

(Ednar Andrade).

sábado, 9 de abril de 2011

Fumaça


Não me ames,
Sou como a fumaça, sumo
E o que deixo
Pode não ter sumo.
Não me queiras,
Sou como a brisa;
Apenas passo por ti
Sem deixar rumo
E o que é trilho: desarrumo;
O que seria norte: desnorteio.
Sou como a tempestade,
Devasto, arrasto, viro, reviro.
Sou como a sombra:
Protejo e parto.
Sou como o mar: água e sal;
Barco e tempestade;
Amor e saudade.

(Ednar Andrade).

terça-feira, 5 de abril de 2011

Mágoa



E tu não entenderias
O que diz a minha boca,
O que murmura ou sofreja
Meu coração aflito.
Sou como o coração das madrugadas,
Sou como a flor do deserto
Que mesmo abandonada
Enfeita o caminho de quem passa.
Tu não suportarias a minha presença
E a minha mágoa,
Pois assim como a ave
Que busca no deserto a companhia perdida,
Busco o menor gesto,
A salvação da nau perdida.
Tu não suportarias o gemido
Que da minha alma escapa
Dentro da noite.
Sou como o disperso vulto;
O fantasmagórico som que restou
Do amor.

(Ednar Andrade).

Existir




Às vezes, não basta, existir, é preciso resistir, gritar para sentir que existo, me espetar para sentir que sinto. Às vezes, encher algum espaço com alguma coisa para sentir que contenho algo.

Para matar, para tentar ressuscitar algo, fazer um milagre, me sentir um pouco “Deus”, para não me sentir tão impotente. Enfrentar a angústia com uma lança de dois gumes, para com a medida que me fere o monstro, feri-lo também. Para não me esquecer que ele é parte de mim; me abrir e ver que tenho vísceras, para perceber que não sou só um ser oco e sim pulsante, VIVENTE.

Sentir algo que, por hoje, só hoje, talvez não amanhã, mas hoje me traz a sensação abissal de medo, de me mostrar...

De andar, de correr na direção da morte, abraçá-la (como se isso fosse bom), disfarçada de paraíso mas fedendo a enxofre... Talvez amanhã, talvez amanhã, mas não hoje...

Posto que hoje, existir, não basta........

(Andrey Jack Andrade).

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Minha alma


Como um pequenino barco,
Em alta noite,
Em completa escuridão navega.
É tanto mar, tanto mar, tanto mar...
Tanto amor e (des)amar
É tanto amar e tanto mar.
Meu coração, pequenino barco,
Sem domínio, sem porto, à deriva, navega
E na escuridão da vida,
Sem saber o porto, aporta.
É tanto mar, tanto mar...

(Ednar Andrade).   

Só uma estrela


Tanto verde,
Tanta noite,
Tanto sentimento,
Eu te amo.
Só uma estrela vejo:
Eu te amo.

(Ednar Andrade)
(27*02*2011).

domingo, 3 de abril de 2011

Amores


Não tenho amor,
Tenho amores
E um deles
É este verde,
Este silêncio,
Esta paz...
Que me consome
E come.
Sou areia
Deste chão.
Sou faísca,
Luz,
Negra noite,
Escuridão,
Sou a saudade,
O peito ferido,
Aberto em chaga.
Sou e estou
Na paz
Do que calo
E vivo.
Sou o meu
Próprio desabrigo.
Sou a bailarina
Palha do coqueiro
Para lá e para cá...
Para ali e para lá...
Sou como a criança
Que brinca, festeja
E dança
Em plena guerra.
Sou o desatino
Do barco
Em calmaria.
Sou o veleiro
Que defronta
Com a tormenta.
Sou como o cais
Que espera
Sua âncora
Que desespera
A incerteza
Do que virá.
Aurora,
A última estrela,
O horizonte
Rasgando o dia.
Esperanças,
Calmaria.
Sou o amor,
O flagelo,
A alma
Esculpida
No nada.
Sou como
O rio
Sou a água
Que, irreverente,
Caminha
De encontro
Ao desconhecido
Porto.
Sou o querer,
Sou o desgosto,
Sou a tua
E a minha mágoa.

(Ednar Andrade).

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Tudo em mim



Havia um silêncio em mim, que eu chamava de paz. 


Havia uma mansidão em mim, falsa sintonia entre o desespero e a dor. 


Havia um que, não sei de que, que, de tanto haver, tomava conta do meu não-ser. 


Havia uma interrogação que eu exclamava dia-após-dia no meu ser, tão sem ser. 


Mas, eu, comia, engolia, aspergia, respirava, sentia, essa coisa que não sei dizer. 


Havia uma sensação de falsa paz e luz e sossego, de ser o que não sou, de querer o que não quero ter.


Havia tudo em mim, menos o que eu queria ter. 


Havia uma coisa que não sei o nome e chamei, sem saber como chamar essa coisa sem nome, e no fundo da minha alma aflita, conturbada, confusa, chamei de amor. 


Hahaha... Amor, palavra indigesta, profunda, confusa, até abstrata, assim como uma medusa, tantas faces, o que será, o que seria, o que é o amor? Amor eu já tentei decifrar, sentir, não sei se sei dizer: o amor é como... Um mal que busca o bem no querer; é ter o que não se pode ter; é buscar no infinito o nada que é querer... E querer o que seria? Seria a posse do outro? Querer seria estar aqui, além no infinito, a posse do outro ser? Não sei, talvez um dia alguém, possa, enfim, compreender... O que é amar, querer, sentir, ter... Hummmm... Não sei, não sei assim simplesmente dizer. 


Mas, sei que havia em mim um querer que não pude "ter", talvez "por não saber" querer e... Com medo, fugi, corri, deixei que escapasse de mim e do meu ser o que queria ter. Chamaria a isso de amar? Se de amor ninguém sabe entender? Como poderia eu, assim, cega, surda, contida, abrir-me, dar-me a este tão grande movimento que chamam de amar o amor. 


Mas, havia em mim uma sede infinita, toda em mim, completamente infinda de querer. 


A isso chamei de sentimento, a isso chamei de viver. 


E disso, fiz tantos sonhos, tantos planos, tantos sorrisos, para, depois, então, descobrir que o amor não é, nem está além de mim. 


(Ednar Andrade).