quarta-feira, 4 de maio de 2011

Saudade



Esta saudade tem o movimento da minha respiração 

(Ednar Andrade).


(04.05.2009).

Silêncio



“Às vezes, tudo o que eu mais preciso é do meu silêncio repousando no teu colo” (Leonel).

domingo, 1 de maio de 2011

Limonada



Limão nada
Carinho,
Suco,
Sorrisos...
Avó.

(Ednar Andrade).




Saudade


Bate de frente... 
Ah, poesia fria! 
Saudade do tempo 
Que em ti ardia!
Te encontrava na ilha!
Me Entregava a tua magia 
Teu corpo, minha intenção 
Meus dentes, cravados em teu coração 
Meu amor massageado em tua mão 
Serrilhado na afiada emoção 
Lucidez? Pra que? Não quero não! 
Bom demais nesse delírio 
No real da tua fantasia. 
Sem tortura ou martírio 
Me entrego as tuas manias.

(El Brujo).

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Salsa da praia



Salsa da praia… Uma flor lilás,
Simples, singela.
É comum encontrá-la nos caminhos
Onde mora o mar e nem precisa ser perto.

Salsa da praia… Uma flor linda, simples.
Nasceu para enfeitar o caminho
Dos que nada têm, uma flor para enfeitar
O jardim de ninguém.

Salsa da praia… Uma florzinha terna, frágil,
Mas tão linda, tão natural, assim como Deus fez
Em qualquer quintal.

Flor que abençoa os caminhos de quem mora
Na praia… Como se fossem estrelas que guiam
O caminho de um pescador.

Salsa da praia… Uma flor que até hoje
Enfeita meus cabelos
E me faz lembrar um tempo tão lindo…
Elas nascem com o Sol e morrem no fim da tarde
E permanecem vivas dentro da minha saudade.

(Ednar Andrade).

Néctar





A verdade aproxima-se.
Olha-me com os olhos 
abismados da beleza.

Não sou a mulher
que corta os pulsos e se joga da janela
nem aquela que abre o gás
nem mesmo a loba que entra no rio
com os bolsos cheios de pedra.

Sou todas elas.

Escrever me fez suportar todo incêndio

– toda quimera. 

(Marize de Castro).

terça-feira, 26 de abril de 2011

A sós



Ávida
... A vida,
Café quentinho,
Batata-doce,
Manhã...
O piar
Dos pássaros,
Uma vontade mansa...
De ficar... Nos lençóis.
Manhãs;
Frescas manhãs...
Sem sóis,
A sós,
.
.
.
“Comigo”.
(Ednar Andrade)

sábado, 23 de abril de 2011

Uma dor que não demora



Um olhar,
Um sorriso...
E um silêncio....
Mar, que mar distante...
Areia densa...
Palavra que não falei,
Segredo que não deixei.
Uma saudade e uma fotografia,
Depois, partida...
Partidas, sem adeus!!!
Ausências... Devaneio...
Bordados de medo; “devaneios”...
Medo que se derrama, e derrama em vão.
E seguimos... E na distância
Ou na direção do agora;
Trazemos vivas as lembranças...
Daquele primeiro instante...
E ainda assim, em cada volta
Uma saudade torta, uma vontade morna...
E uma dor... Que não demora.

(Ednar Andrade).

Venenos lentos...


“Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!

Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre”.

(Clarice Lispector)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Medo


Ainda me lembro dos dias em que, quando criança, me assustava com a ideia da morte, com a escuridão que meus olhos não conseguiam transpor. Gelavam-me os ossos e o sangue ao imaginar o que poderia surgir daquela escuridão, do monstro que poderia sair de lá e vir em busca de mim.

O medo era meu melhor e único companheiro de todos os dias, quem me cortava a carne e quem também a servia aos convidados do banquete. Todos os dias a carne branca estava à mesa, servida aos abutres que vinham atraídos pelo odor do medo, da podridão que me embriagava as entranhas desde cedo. A imagem serena e clara da carcaça escondia a ausência de qualquer tipo de pureza e beleza interior, mas o espelho me apresentara a face lânguida do meu maior inimigo e com quem eu travaria a mais longa e tórrida guerra.

(Max Araújo).