quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tarde azul


Silêncio é uma palavra que pinto de verde  
Para chamar de paz meu céu azul.
Paz é uma nuvem clara
Numa tarde cinza e fresca de inverno...

Inverno é uma estação aconchegante...
Pausa para pensar...
O vento é carícia e verso...
As mãos nos cabelos, um afago... Sorrio,

Uma taça de vinho
Ou uma xícara de chá,
Um café com leite...
Uma espreguiçadeira,

Um casaco de lã... "Lilás”
Envolta no edredom
Uma antiga canção, "um dia frio..."
Rever fotografias, tomar chocolate quente...

Silêncio, onde repouso o meu olhar
No balé colorido dos beija-flores e das borboletas...
Que dançam sobre as flores molhadas do campo
Numa dança sem igual, festejando a natureza

Mãe minha,
Meu eu em efusão,
Minha festa, minha rima; 
Terra, poesia sossego e vida.

Silêncio...
Ouço a voz que vem dos rios...
O canto das aves é minha prece...
Minha eterna oração.

(Ednar Andrade).



Homenagem

   Meu amigo Bruno Wittwer, primeiro da direita 
    para a esquerda e demais atletas na seqüência.

Homenagem ao meu grande amigo Bruno Wittwer que, ora, encontra-se em seu país (Suíça), tendo sido homenageado, juntamente com seus companheiros (ex-jogadores do Futebol Clube Sirnach Stella).

Justa homenagem ao meu amigo e atletas da época que levaram tantas alegrias à sua cidade de Sirnach, na Suíça.

Parabéns a todos os ex-atletas.

(Ednar Andrade).

terça-feira, 12 de julho de 2011

Soneto Antigo


Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.

(Cecília Meirelles).




Tu


Tu não me revelas quem és...
Sinto uma forte presença 
Nas tuas palavras;
Pareces com o meu amado quando recitas,

Quando me abordas...
Mas... Não creio que sejas ele...
Ou que, ele seja tu...
De toda forma,

Tens uma poesia linda...
Que desfolha...
Como uma flor que o vento sopra,
E sais, assim, dizendo versos...

Que encantam... Embalam e dão luz às vidas.
Numa feliz tarde soprada pela brisa
Que sai de todas as poesias,
Nascidas do amor,

Ou quem sabe da dor dos que amam,
Este dom divino de amar
Ou quem sabe sofrer
E viver de amar o amor*

(Ednar Andrade).

sábado, 9 de julho de 2011

Eu, nu




Eu vivo sempre na corda bamba,
Sou livre e escravo,
Nem pra frente, nem pra traz...
Estagnado nos meus vícios, que chamo de viver;

Às vezes bem dorido,
Às vezes pleno de coisas irreais,
Mas a verdade, às vezes dói; não me completa.
Porque não conheço o total;

Nunca fui inteiro
Talvez, jamais, seja.
Sou sempre mais que muitos....
Porque vomito sempre, a podridão que engolem...

Sou eu virado ao avesso,
Nunca apresentava "eu".
Porque eu,"na verdade ",
Choco, causo

"ALGO DIFÍCIL DE VER".
Sempre entre a vida e a morte
Sempre nu;
Nunca pronto pra festa.

(Andrey Jack).

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A vida

Nada me é tanto, que eu não seja mais...
(Ednar Andrade).

A boca pro beijo,
Para o afago; as mãos... 
Os olhos para falar, 
O desejo do outro desejo

Para o silêncio; o segredo
Para os dentes; o riso
Teu porto, meu abrigo
Sussurro é gemido...

Da noite; o deserto 
Remanso é sossego...
Do amor; o perigo
Do martelo; o prego.

A boca; as mãos,
Os olhos; o olhar
Desejo, silêncio e segredo...
Dentes sem riso,

Porto em desabrigo;
Desassossego; o deserto
...E o perigo? a vida,
O amor (...) O medo.

(Ednar Andrade).


segunda-feira, 4 de julho de 2011

A Vaquinha


Um Mestre da sabedoria passeava por uma floresta com seu fiel discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer uma breve visita...

Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, também com as pessoas que mal conhecemos.
 
Chegando ao sítio constatou a pobreza do lugar, sem calçamento, casa de madeiras, os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas rasgadas e sujas...

Então se aproximou do senhor aparentemente o pai daquela família e perguntou: Neste lugar não há sinais de pontos de comércio e de trabalho, então como o senhor e a sua família sobrevivem aqui?

E o senhor calmamente respondeu:

"Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros de alimentos e a outra parte nós produzimos queijo, coalhada, etc... para o nosso consumo, e assim vamos sobrevivendo". O sábio agradeceu a informação, contemplou o lugar por uns momentos, depois se despediu e foi embora. No meio do caminho, voltou ao seu fiel discípulo e ordenou:

Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e empurre-a, jogue-a lá em baixo". O jovem arregalou os olhos espantando e questionou o mestre sobre o fato da vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família, mas, como percebeu o silêncio absoluto do seu mestre, foi cumprir a ordem. Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer. Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns anos e um belo dia ele resolveu largar tudo o que havia aprendido e voltar naquele mesmo lugar e contar tudo àquela família, pedir perdão e ajudá-los. Assim fez, e quando se aproximava do local avistou um sítio muito bonito, com árvores floridas, todo murado, com carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou triste e desesperado imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver, "apertou" o passo e chegando lá, logo foi recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a família que ali morava há uns quatro anos e o caseiro respondeu: Continuam morando aqui.

Espantado ele entrou correndo na casa, e viu que era mesmo a família que visitara com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha): Como o senhor melhorou este sítio e está tão bem de vida???

E o senhor entusiasmado, respondeu:

Nós tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu, daí em diante tivemos que fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos, assim alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora...

Ponto de reflexão:

Todos nós temos uma vaquinha que nos dá alguma coisa básica para sobrevivência e uma conveniência com a rotina. Descubra qual, a sua... 

(Autor desconhecido).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cantiga de amor


Quando chegar amanhã
Ama-me como se fosse ontem.
Aos primeiros sinais de esquecimento
De surdez, de acomodação
Quando a visão embaralhar
E a mente em desequilíbrio
Afastar-me da lucidez,
Ama-me como se fosse ontem.
Quando eu parecer importuna
Descrevendo a mesma estória
Insistindo em recordar o passado
Gastando horas a fio
A folhear antigos retratos,
Ama-me como se fosse ontem.
Quando a comida parecer insalubre
E a água travar no céu da minha boca
Ou quando envergonhada
Perceber os primeiros sinais
De uma temida incontinência
Atormentando os meus dias,
Ama-me como se fosse ontem.
E quando eu esquecer o seu nome
Ama-me intensamente nessa hora
Quando até o meu alargado sorriso
Embeber-se de melancolia
Ou quando eu chorar à sensação
De desconhecer sua face,
Ama-me, pois, mais do que hoje.
Ama-me amanhã, como se fosse ontem
Ao lembrar-se das tantas madrugadas
Quando em silêncio eu velei o seu sono
Ao lembrar-se de outras madrugadas
Em que com minhas mãos
Enxuguei o seu pranto de menino
E desenhei no céu
Algumas nuvens de carinho.
Ama-me amanhã, como se fosse ontem
Pela certeza única desse amor
Um amor que se vive pela vida inteira
Pois mesmo quando pressentires
Que eu esqueci-me de mim
Ainda assim, não terei esquecido
O meu amor por você.

(Suely Nobre Felipe).

*Texto extraído do blog substantivo plural.

Olhar


Uma romã,
Um prato de lentilha (...)
No olhar
Interrogação (?)
Um  fio invisível de esperança 
;
R
E
S
T
A
:
O aceno 
A fresta
Estrada 
Em Cone.

(Ednar Andrade).

Sono



Sono,         
     Cama,
           Olhos fechados,
                                Quarto,
                                    Lençol,
                                          Travesseiro.  

                                               Sonho....

(Ana Júlia)