domingo, 6 de janeiro de 2013

Fragmento




Hoje..............

Estou como diria Vanusa: vasculhando minhas gavetas, arrumando as ideias... Dando ordem de comando ao que está fora do lugar na minha louca vida.

É preciso retirar os fragmentos tolos que se escondem nas frestas da alma, bater bem o pó.... Retirar o que não nos serve nem como lembranças......Para assim aprender a respirar o ar mais puro que ainda houver no pulmão dos sentimentos...... Poucas palavras me prendem e só por elas estou decidindo o meu destino agora, pois aprendi que destino escolhemos.... Ele não nos invade.
Estou fazendo uma escolha, não sei se vou não sei se fico. Talvez vá.........

O domingo acabou.... Agora que o sol se foi.... E eu sou como a noite, quieta e sem luz, apenas sons que só eu escuto ficam comigo e aguardam na quietude da minha boca.

(Ednar Andrade).




sábado, 22 de dezembro de 2012

Natal



Festa de plebeus e nobres.
Nozes, luzes, presentes, árvores,
Papai Noel, as lojas em promoção,
Corre-corre nos shoppings,
Sapatinho na janela, guirlandas, a cidade em festa,
Profusão de cores, expectativas, sonhos,
A felicidade na efeméride da confraternização.
Na parede, Jesus, em uma cruz,
Aguarda o convite da festa.

(Danclads Lins de Andrade).

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Festa divina?




Todos falam de festa (Festas) O mundo parece que espera uma fusão de felicidade e sonhos... Luzes e cores em toda parte, anjos de papel, pura arte.
Sinos e sons, canções e versos. É tudo tão controverso. E onde mora a paz?

Papai Noel é o rei ou o aniversariante? Parece que há uma con-fusão no sentido da data.
*
Quem nasceu em Dezembro?
Quem trouxe a paz e as promessas?
Quem deu pelo homem a vida?
Quem acendeu nos corações o amor?
Quem tão humilde em simples manjedoura nasceu e brilhou?
Quem anunciou a paz entre os homens?
Quem é o menino tão pobre e lindo?
(............)
*
PAPAI-DO-CÉU
“Sempre novo” nos abençoa e enche de graça e de paz.... Sempre paz......
Nos dá todos os dias, mesmo que não mereçamos sua benção e raros presentes.
Nos dá flores, Sol e mar, pássaros, rios e verde. Tudo enfim ...E como se não bastasse, Deus deu ao mundo seu amado filho, seu grande e único amor.
Mas o homem tudo faz errado, nada agradece, não aprendeu o mandamento que salva a todos de tudo que está errado: AMOR.
Natal Festa divina, festa de amor fraterno, festa ao Deus menino...
É festa do alter-ego, deuses inflados.

Festa na mesa de alguns...
Fome na rua dos meninos,
Fagulha apagada nos abandonados...
Nos bêbedos, nos viciados: a fome voraz cracoolizados....
Mas é Natal e nas lojas tudo é colorido e caro, tudo é de alguns...
E o que resta é encher a cara de festa, engolir falsos sorrisos, usar o melhor vestido, rir louco, desordenado, - sem aplausos o menino - sem se importarem com os velhos, com os pobres descalços e sujos...
Aqueles que não têm lar, nem bolo, nem panetone. Comem do lixo o que sobra da festa mentirosa e porca.

...Então é Natal e o que você fez?

(Ednar Andrade).

domingo, 2 de dezembro de 2012

Ser rei



Espero a esperança
Do meu lado ficar,
Como eu sempre sonhei.
Amar uma criança
É melhor que se amar;
É como ser rei.

(Ana Júlia Barreto Coelho Andrade Dos Santos).

sábado, 1 de dezembro de 2012

Dezembro




Mais uma vez, Dezembro.
Mas uma vez, Promessas...
Mais um Dezembro e fé.
Uma vez mais, a vida.
Mais uma esperança.
E brilha, nos olhos, uma eterna estrela *
Nasce e renasce, em todos, a luz....
Nasceu o menino.
Seu nome é Jesus*

Feliz natal.

(Ednar Andrade).

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Livro









"Vai passar, eu sei que vai passar"
(Caio Fernando Abreu).


Respiro profunda e inutilmente
E balbucio um texto
("Vai passar, eu sei que vai passar")
Mas eu apenas
Balbucio;
Certeza que passa,
Não tenho.
Preciso comer este texto
Para alimentar a esperança
Que não tenho
E, dizendo a mim mesma,
Tudo passa, inclusive
Eu
Que sigo...
Olhos abertos;
Peito fechado;
Punho cerrado.
Em certos pontos da vida,
Somos como um livro jogado.
Uma história,
Digamos,
Até interessante...
Mas, largado num canto,
Lá está:
Esquecido, empoeirado
E dentro dele
Toda história,
Todos os silêncios,
Todas as exclamações
E uma inútil interrogação
Insiste
Em contar fatos.
Suas verdades
São como contos
Mal-assombrados
Bizarros,
Macabros.
Um dedo na narina;
Outro na ferida.
Assim, respira
Um livro fechado.
Uma porta,
Duas insinuações de janela,
Uma caixa com fendas
E uma teimosa alma
insistindo em vazar pela fresta.
O dia dorme;
A noite acorda.
Feito de contrastes,
O relógio parece querer enganar
O tempo veloz
Que,
Irreverente, nada tem a ver
Com a indiferença
Que permeia
O desabitado
Mundo meu.
Feriado é como dia de enterro:
Morto,
Posto entre as paredes
E a luz fluorescente
E através das escadas sujas,
Mal postas que me dão acesso
Às batidas do coração,
Implodo
Numa busca que me parece inútil
E é inútil tentar
Fazer e dar sentido
Ao que está morto.
É inútil adoçar o café,
Mastigar o pão.
Inútil é, também,
Abrir os braços
Para doar
E pedir abraço.
(Há braços estendidos
Que abraçam apenas o vão
E mãos vazias de corpos gelados
Que desfiam sorrisos vagos).
... Não quero me enganar;
Não gosto da mentira.
Dela tenho total pavor,
Mas a feia verdade é bela,
Penso nela
Como alguém que num deserto ]
Entende
Que a verdade é:
Ainda posso respirar,
Mesmo que por uma narina.
Passar, talvez, não passe.
Mas, deixará nos pés feridos, calejados
De quem pisa em brasa,
De quem beija espinhos,
Marcas,
Como troféus
E dentro das feridas,
Um livro jogado, esquecido
Entre a poeira e o sangue.

(Ednar Andrade).

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Silêncio de caboclo


   ("O Caipira", de Almeida Júnior).

Sentado, naquela pedra,
O caboclo chora e sonha;

Sentado, naquela pedra,
O caboclo chora e ri;

Depois, como quem come,
Faz um cigarro e pita

E brinca de que acredita
No que a vida faz sentir.

Sentado, naquela pedra,
O caboclo, para ninguém, mágoas, conta

E o vento, apenas o vento,
Passa e lhe sorri.

Depois o cigarro apaga,
O caboclo engole a mágoa...

Cospe, olha em volta,
E deitado, naquela pedra,...

Olha pro céu... Assovia...
Faz dela, cama macia;

Cobre-se de desencanto, encolhido no seu canto,
Olha o sol...; já é dia.

(Ednar Andrade).


sábado, 3 de novembro de 2012

Amanheceu...



Amanheceram noites e sombras
... E desde então todas as noites são espera,
São versos que compomos
De saudades e quereres tristes e sós.

Amanheceu...
E eu te amo muito mais.
- seguimos as noites dentro do sonho
Abertos ao sonhar.

A noite é como um navio,
Como o leito de um rio
Se esvaindo na busca da correnteza
Com toda desventura da escuridão.

- meu ser solitário,
Tristonho em desabrigo
Busca no desvario que componho
Um pequeno gesto teu.

Como leve brisa,
Estrelas vagueiam na noite; sonho,
Buscando no nada,
Esquecidos carinhos.

Meu sorriso é raro...
Meus cabelos soltos
Exalam perfume, como um dueto,
Sou eu o vento; és ninguém.

(Ednar Andrade).

Onírico

    (Maia Flore, na série Sleep Elevation).

Acho que sonhei
Um sonho que não lembro agora,
Mas acordei sentindo um gosto,
Não sei se feliz,
Amarga-me a boca
Pesam-me os ombros e o corpo.

Acho que sonhei,
Mas não me lembro
Do haver sonhado.
Era algo que me tira
A calma ou me deixa
À flor da palma.

Não sei, não me lembro agora,
A que objeto entreguei o meu cansaço;
A que fragilidade expus minh’alma;
Em que momento viajei
Nas vastas asas.
Acordei, não sei...

(Ednar Andrade).


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Lá*


Lá, onde o silêncio é rei, 
Não há saudade do sol, 
Não há medo,
Nem talvez, 

Nem eu,
Nem tu,
Nem nós.

Lá, seremos sempre “eu”,
Depois do pranto e do adeus.
A tarde mora,
Morna, morta.

(Ednar Andrade).