quarta-feira, 27 de abril de 2016

Entardecer...



… Mas tu sumistes
Na multidão dos felizes
E eu debrucei-me a mirar
O pôr-do-sol
Da minha janela.

(Ednar Andrade).

Poema das 24 horas



… É que nos ponteiros de mim,
amanhece,
anoitece.
… Amanhece,
… Anoitece
… Sem hora.

(Ednar Andrade). 

Somos



…Um poema em carne e osso
Mãos carregadas de gritos
Versos; silencioso pranto
Tanta vida, tanto desencanto …
Tu e eu nesta vida.

A vida e nada, além do nada ser;
Somos.

(Ednar Andrade).

Desvarios



Aqui pra nós: ando com as flores meio desbotadas. Por isso tão lenta…….

Mas tudo passa. Desculpe-me as demoras, as paradas da estrada >>>>. Nem tenho escrito, nem reparado nas flores; as pedras, vez por outra, atrapalham os caminhos, machucam nossos pés, ainda mais eu, que costumo pisar descalça pela vida. Me pego com o olhar preso no cinza das chuvas, sem notar que brotam no campo de tantas várias cores; novas flores.

Há um desvario que se faz rumo e quando este fenômeno me acode, destono dos meus acordes, dos meus sons, então como uma valsa descompassada, me desalinho até nos cabelos. E desço mar a fora feito rio fora do leito, acidentando tudo pelas vielas. Deslizo como o lodo e me escondo no verde musgo da minha morada secreta e profunda, sem me suster do risco e dos perigos vastos e paro nas encostas dos meus desabrigos, juntando-me aos veleiros aquieto-me, calo e sonho com o Sol que torna luzente o negro das noites caladas .

Eu sei, alguém já me disse que o meu sem som, chega ser glacial, que meu sem luz, acende o medo e a interrogação, talvez cause espanto, pois tudo que parece abismo me é refúgio no meu habitado mundo de ausentes calendários e remotos vagares.


Para mim, é tão e apenas um inevitável e quente travesseiro, onde deito o corpo cansado e adormeço as ausências de cores.

(Ednar Andrade).

domingo, 21 de dezembro de 2014

É natal!



Então, não é que seja Natal. 

Você teve 365 dias para desejar o bem, ser feliz, fazer feliz também... amar, dizer que ama, dar presentes, distribuir sorrisos... Louvar ao Criador, agradecer a benção de Jesus ser o Senhor. 

Mas só em dezembro você resolve dizer tudo isto? O aniversariante, este não é aplaudido? O que mais importa é o valor do seu vestido? 

Por isso e por tudo isso, para mim o ano todo é Natal.

Ame a todos o ano inteiro, deseje o bem a qualquer um.

Façamos assim: a felicidade, o bem querer, a bondade, o amor, não apenas em dezembro deve nascer. E sem mais, declaro que ele veio para mim e para você. Então, é Natal? O que é o Natal? A ceia? O cartão de crédito? A mesa farta? A roupa nova? 

O Natal poderia ser...

... Não direi, diga você! Por que para mim, o ano inteiro, a vida é o renascer. 


(Ednar Andrade).

Jesus, Maria e José

Nasceu então o menino
Entre o simples e os seus
Nasceu então o amor
O mundo não entendeu
Brilhou uma estrela tão bela…
Jesus, Maria e José
Olhavam para o pequenino
Que do amor fez-se Rei
.. Dos pobres e dos sem destino
Da paz,de ninguém e de todos
Filosofo,poeta ,meu e teu.
Do crente e do ateu.
Jesus de Maria nasceu
É Natal….. É Natal !!!!
Que o mundo diga amém !!
Que a paz vença a guerra,
Nasceu o menino, nasceu.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Frio Azul



A tarde posta
No deserto frio e azul do lago.
Na caneca de chá mate,
A fumaça em espiral.
Desenhando
A última cena de inverno,
Os dedos sobre o teclado
Diziam textos como em prece.
Pássaros no céu batendo asas
Como num coral.
O olhar perdido no verde.
Hoje a tarde fez-se longe.


(Ednar Andrade).

sábado, 10 de maio de 2014

Eu e ela


Eu e ela


Amor e bordados*



Minha mãe bordava ao bastidor, lençóis da nossa casa, bordava florais azuis, tão lindos.....

Com pássaros e borboletas, bordava um mundo, enchia, de sonhos e cores, a nossa casinha tão simples e tão esmerada por ela.

À noite, depois de todos os cansaços, abria a porta da frente, olhava para mim e sorria; nas mãos, uma caixa com linhas, agulhas e poesias, para nós, ela tecia contente.

Havia na sala grande, e quase vazia, uma rede sempre armada e poltronas azuis de veludo, bordadas... Era ali onde ela escrevia, com linhas, as cores que nos enfeitava.

...E se deleitava distraída ouvindo valsas. Ao seu lado havia sempre uma magra menina com cabelos longos e pretos, com duas longas e mal feitas tranças: eu as fazia como quem bordava -o rosto- Não sabia de mim, apenas existia e era feliz.

Ela gostava de bordar os panos da casa, era muito linda e ainda é.

Mas naquelas noites, naquelas tarde de frescas e variadas linhas e cores, enquanto eu ficava sentada olhando, querendo aprender, às vezes eu dançava, dançava, ficava tonta e adormecia .Rs....

Minha mãe não era mulher prendada na cozinha, isto era trabalho para Zefinha.

Era minha mãe aquela mulher magra e forte, que durante toda a sua vida acordou cedo e, a pé, ia trabalhar.

Mãe de cinco filhos, séria, mas risonha, tinha segredos no olhar, tinha um poema no peito e a vida para ninar.

Em outras noites, quando chovia e tínhamos medo do trovão, ela ao nos ver assim, esticava-se numa  rede e punha-se a nos embalar, cantarolando rezas, cantigas para aquietar, dormir e sonhar.

Tinha alma de anjo, candura de santa e mãos pálidas, com ela cresci sabendo que sem amor e perdão a vida não é vida, não.

(Ednar Andrade).