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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Amiga dos Ventos
Sou amiga dos ventos
Sou amante dos mares
Sou bem-vinda nos lugares
Aonde vou
Sou amante dos mares
Sou bem-vinda nos lugares
Aonde vou
Sou a força da terra
Sou a luz dos luares
Sou a chama nos altares
Do amor
Sou a luz dos luares
Sou a chama nos altares
Do amor
Não que algo aconteça
De especial comigo
Que eu possua mil poderes
Celestiais
Nem que eu seja dotada
De um saber feiticeiro
Protegida dos potentados
Astrais
De especial comigo
Que eu possua mil poderes
Celestiais
Nem que eu seja dotada
De um saber feiticeiro
Protegida dos potentados
Astrais
O que eu trago é mais simples
É banal como a chuva
Natural como uma uva
Ter sabor
Vem da vida o mistério
Dessa facilidade
De ser tudo e nada disso
Ter valor.
É banal como a chuva
Natural como uma uva
Ter sabor
Vem da vida o mistério
Dessa facilidade
De ser tudo e nada disso
Ter valor.
(Composição de Gilberto Gil, interpretação de Maria Betânia)
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Acorde Final
Foto de Rubem Alves, autor do texto.
Eu havia colocado no toca-discos aquele disco com poemas de Vinícius e do Drumond, disco antigo, long-play, o perigo são os riscos que fazem a agulha saltar, felizmente até ali tudo tinha estado liso e bonito, sem pulos e sem chiados, o próprio Vinícius, na sua voz rouca de uísque e fumo, havia recitado os sonetos da separação, da despedida, do amor total, dos olhos da amada. Chegara finalmente o último poema, meu favorito, "o haver" - o Vinícius percebia que a noite estava chegando, tratava então de fazer um balanço de tudo o que se fez e disso, o que foi que sobrou? Por isso as estrofes começam todas com uma mesma palavra, "resta..." - foi isso que sobrou.Resta essa capacidade de ternura, essa intimidade perfeita com o silêncio...Resta essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em face da injustiça e do mal entendido...
Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes nos poetas tomam por esperança...Começava naquele momento a última quadra, e onde tantas vezes lê-la e outras tantas ouvi-la, eu já sabia de cor as suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando a última, que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar.O pôr-do-sol é belo porque as suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão. A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que vinte minutos. Se a sonata fosse uma música sem fim é certo que o seu lugar seria entre os instrumentos de tortura do diabo, no inferno.Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca?O poema também tinha de morrer para que fosse perfeito, para que fosse belo e para que eu tivesse saudades dele, depois do seu fim. Tudo o que fica perfeito pede para morrer. Depois da morte do poema viria o silêncio, o vazio. Nasceria então outra coisa no seu lugar: a saudade. A saudade só floresce na ausência.É na saudade que nascem nos deuses - eles existem para que o amado que se perdeu possa retornar - que a vida seja como o disco, que pode ser tocado quantas vezes se desejar. Os deuses - nenhum amor tenho por eles, em si mesmos. Eu os amo só por isso, pelo seu poder de trazer de volta para que o abraço se repita. Divinos não são os deuses. Divino é o reencontro. A voz de Vinícius já anunciava o fim. Ele passou a falar mais baixo. Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante...E eu, na minha cabeça, automaticamente me adiantei, recitando em silêncio o último verso:".. Sem saber que é a minha mais nova namorada."Foi então que, no último momento, o imprevisto aconteceu: a agulha pulou para trás, talvez tenha achado o poema tão bonito que se recusava a ser uma cúmplice do seu fim, não aceitava a sua morte, e ali ficou a voz morta do Vinícius repetindo palavras sem sentido: "sem saber que é a minha mais nova"..."sem saber que é a minha mais nova"..."sem saber que é a minha mais nova..."
Levantei-me do meu lugar, fui até ao toca-discos, e consumei o assassinato: empurrei suavemente o braço com o meu dedo, e ajudei a beleza a morrer, ajudei-a a ficar perfeita. Ela me agradeceu, disse o que precisava dizer, sem saber que é a minha mais nova namorada... Depois disso foi o silêncio.Fiquei pensando se aquilo não era uma parábola para a vida, a vida como uma obra de arte, sonata, poema,coreográfico. Já no primeiro momento quando compositor, ou o poeta ou o dançarino preparam a sua obra, o último momento já está em gestação. É bem possível que o último verso do poema tenha sido o primeiro a ser escrito por Vinícius. A vida é tecida como as teias de aranha: começam sempre do fim. Quando a vida começa do fim ela é sempre bela por ser colorida com as cores do crepúsculo.Não, eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço: "Para todas as coisas há o momento certo. Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer" (eclesiastes 3, 1s).A vida não é uma coisa biológica. A vida é uma entidade estética. Morta a possibilidade de sentir alegria diante do belo, morreu também a vida, tal como Deus nos deu - ainda que na parafernália dos médicos continue a emitir seus bips e a produzir ziguezagues no vídeo.A vida é como aquela peça. É preciso terminar.A morte é o último acorde que diz: está completo.Tudo o que se completa deseja morrer.
(Rubem Alves).
Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes nos poetas tomam por esperança...Começava naquele momento a última quadra, e onde tantas vezes lê-la e outras tantas ouvi-la, eu já sabia de cor as suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando a última, que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar.O pôr-do-sol é belo porque as suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão. A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que vinte minutos. Se a sonata fosse uma música sem fim é certo que o seu lugar seria entre os instrumentos de tortura do diabo, no inferno.Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca?O poema também tinha de morrer para que fosse perfeito, para que fosse belo e para que eu tivesse saudades dele, depois do seu fim. Tudo o que fica perfeito pede para morrer. Depois da morte do poema viria o silêncio, o vazio. Nasceria então outra coisa no seu lugar: a saudade. A saudade só floresce na ausência.É na saudade que nascem nos deuses - eles existem para que o amado que se perdeu possa retornar - que a vida seja como o disco, que pode ser tocado quantas vezes se desejar. Os deuses - nenhum amor tenho por eles, em si mesmos. Eu os amo só por isso, pelo seu poder de trazer de volta para que o abraço se repita. Divinos não são os deuses. Divino é o reencontro. A voz de Vinícius já anunciava o fim. Ele passou a falar mais baixo. Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante...E eu, na minha cabeça, automaticamente me adiantei, recitando em silêncio o último verso:
Levantei-me do meu lugar, fui até ao toca-discos, e consumei o assassinato: empurrei suavemente o braço com o meu dedo, e ajudei a beleza a morrer, ajudei-a a ficar perfeita. Ela me agradeceu, disse o que precisava dizer, sem saber que é a minha mais nova namorada... Depois disso foi o silêncio.Fiquei pensando se aquilo não era uma parábola para a vida, a vida como uma obra de arte, sonata, poema,coreográfico. Já no primeiro momento quando compositor, ou o poeta ou o dançarino preparam a sua obra, o último momento já está em gestação. É bem possível que o último verso do poema tenha sido o primeiro a ser escrito por Vinícius. A vida é tecida como as teias de aranha: começam sempre do fim. Quando a vida começa do fim ela é sempre bela por ser colorida com as cores do crepúsculo.
Loucos e Santos
Foto de Oscar Wilde, autor do texto.
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
(Oscar Wilde)
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
O mosquito escreve
O Mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.
O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U e faz um I.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U e faz um I.
Esse mosquito
esquisito
cruza as patas, faz um T.
esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí, se arredonda e faz outro O,
mais bonito.
mais bonito.
Oh!
já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever o seu nome.
já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever o seu nome.
Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?
E ele está com muita fome.
(Cecília Meileles in “Ou isto ou aquilo”)
domingo, 29 de novembro de 2009
Me Encante
Foto da casa de Pablo Neruda em Ilha Negra, no Chile.
Foto postada no site http://naturalpatriot.org
Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu POSSA me dar ...
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.
Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.
Me acarinhe se quiser ...
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.
Me encante com seus olhos ...
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar ...
E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar ...
Me encante com suas palavras ...
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos medos, sem,
E depois me diga o quanto te encantei.
Me encante com serenidade ...
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.
Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.
Me encante como você fez com o seu primeiro namorado ...
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.
Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva ....
Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre ...
Mas, me encante de verdade, com vontade ...
Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por TODOS OS DIAS ...
Pelo resto das nossas vidas!
Texto enviado pelo meu amigo Batista.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
JADE
Já de idade...
Nos aconselha sapientemente.
Com voz mansa, em quase declamar,
Deleita-nos com suas palavras
Algumas suaves; outras nem tanto.
Porém, desobedientes que somos,
Apesar de ouvirmos atentamente seu falar,
Nos perdermos em meio ao dia-a-dia
E deixamos de seguir conselhos tão sábios.
Já de idade...
Presenteia-nos com o seu saber dividir,
Qualidade esta invejável.
Tudo que já viveu, tudo o que tem e tudo o que sabe
Vem para nós, como forma de preparação à vida.
Ela é assim...
Já de..., a pedra da imortalidade
Imortal? Não sei... Talvez...
Em nossos corações e em seus ensinamentos, com certeza.
Já de idade...
Mãe, amiga, amante, linda, louca, sábia, apreciadora de uvas, jardineira, praieira, poeta e avó...
Assim é nossa Jade.
A qual amamos e muitas vezes deixamos de dar e/ou demonstrar o seu verdadeiro valor
Mas mesmo assim amamos...
VC É MUITO ESPECIAL.
TE AMO MUITO.
(Marliene)
Postagem em gratidão à homenagem da norinha Marliene. Obrigada, Marlouca que eu... rsrs... Também te amo, vc sabe...
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Os Pescadores
O mar azul sem fim/
O sol vermelho quase se pondo/
O barco chega/
É uma festa /
Homens falando/
Cantando em prosa/
Com som e versos/
Pés na areia /
Roupas surradas/
Olhares que dizem poemas mudos/
Cabelos brancos .../
Suor na testa/
Contam histórias de mar, de pesca/
De grandes peixes/
E até de sereias/
O fim da tarde é sempre festa/
Ancoram barcos, ancoram barquinhos/
Com velas coloridas/
Algas no caçoá e peixes também.../
No coração deles, amores/
São eles que chegam/
Mãos diligentes, sempre contentes/
São os pescadores/
Rostos marcados e o sol nas testas/
Felizes, cantantes e contentes/
Seguem na vida /
E sentem suas dores e seus amores/
No Norte ou no Sul /
Do meu Pirangi*
(Ednar Andrade)
O barco chega/
É uma festa /
Homens falando/
Cantando em prosa/
Com som e versos/
Pés na areia /
Roupas surradas/
Olhares que dizem poemas mudos/
Cabelos brancos .../
Suor na testa/
Contam histórias de mar, de pesca/
De grandes peixes/
E até de sereias/
O fim da tarde é sempre festa/
Ancoram barcos, ancoram barquinhos/
Com velas coloridas/
Algas no caçoá e peixes também.../
No coração deles, amores/
São eles que chegam/
Mãos diligentes, sempre contentes/
São os pescadores/
Rostos marcados e o sol nas testas/
Felizes, cantantes e contentes/
Seguem na vida /
E sentem suas dores e seus amores/
No Norte ou no Sul /
Do meu Pirangi*
(Ednar Andrade)
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
E aí?
Tanta etiqueta, se no fundo tudo é uma faceta
Pra que tanto ódio, tanta agonia?
Tanto corre-corre, em vez de euforia
Se não se leva nada, nem a etiqueta,
Nem o ódio, nem a farsa
Tudo que se leva está na caixa
Vamos amar mais, elevar as mentes para as coisas boas
Porque qualquer dia o sopro acaba
E você meu chapa... o que fez de tudo?
A não ser: Não fez nada?
Não sei porque te falo
E aqui tentando...
Acho que falei,
Mas se ainda tens tempo, faz como te digo
Sejas mais amigo, ame, isto faz bem
Tenha para o próximo um sorriso amigo
Porque qualquer hora vai chegar o trem
E aí? Como é que fica?
(02.06.1982).
(Ednar Andrade).
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