terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Etc. e tal



“Quando eu vim para este mundo...” (Gabriela. Gal Costa).

Nada de novo.
A vida é uma canção
Que já conheço
E canto,
Ás vezes,
Com desencanto...
Nada novo.
Uma canção
Que altera
O ritmo
E é a mesma,
Se bem observada,
Em tom de balada.
Em dias tristes,
Um tango,
Ou quem sabe,
Uma valsa,
Numa falsa
Harmonia
Que vai... E vem...
Que não mudou,
Nem muda.
“Gabriela...”
É mais ou menos
Assim, etc. e tal.

(12.07.2006).
(Ednar Andrade).

Visage d'amour


Bela visagem...
Meu amor.
Meu amor...
Belo nome,
Muito belo...
Maravilhosa
Visão.
Eu conheço
Tua pele,
Teu perfume...
Eu conheço...
Eu te amo.
Belo, como sempre.
Música,
Canção de amor,
Meu passado
Que surge.
Grande felicidade...
Eu conheço...
Eu não esquecerei
Jamais.

(Ednar Andrade).


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Visage d'amour 

Beau visage ...
Mon amour.
Mon amour ...
Nice nom,
Très belle ...
Merveilleux
Visage.
Je sais
Votre peau
Votre parfum ...
Je sais ...
Je t'aime.
Belle, comme toujours.
Musique,
Chanson d’amour
Mon passé
Se pose.
Grand bonheur ...
Je sais ...
Je n'oublierai pas
Jamais.

(Ednar Andrade).

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Jardins abandonados


Se chegares, mansamente pises... Entres.
Não precisas bater, apenas vá entrando,
Sorrateiro...
Com cuidado, não faças alarde...
Olhes-me... Sem nada perguntar (...)
Não rias... Não fales,
 Silêncio e tato não podem faltar
Ando assim  tão frágil,
Assim como  a imagem de mim nas águas do rio...
Que com o vento balança sem precisar ser carne
Apenas sombra, apenas imagem refletida.
Daí  se quiseres: SENTA-TE...
De modo -  e - com maneiras suaves,
Encosta-te ao pé  do meu calado  medo
...E depois de me haveres olhado, e ainda com cuidado;
Podes se quiseres e se souberes cantar aquela canção
Que canto, quase que todas as tardes
Quando a noite vem me visitar...
Folheies o meu secreto coração,
Isto pode, e vejas:
Que de tão dissílabo, tornou-se sino...
Batendo... Mas sem som... Batendo...
Depois, leias meus versos, jamais escritos ou falados;
Eles  estão em meus olhos  tatuados, sentidos e guardados...
POR NINGUÉM LIDO.
Por favor, não te espantes  se forem graves,
Se tiverem  manchados... São versos tão íntimos
TÃO RAROS...
Tão sofridos e caros... Custaram-me tanto...
TANTA TRISTEZA...
Parecem de tão sérios -"um fado"...
Podes adentrar em "quase" todos os sussurros
Podes passear nos meus jardins abandonados
Podes colher os jasmins e margaridas
E as orquídeas, ai... As orquídeas...
Olhando para elas; até já tenho chorado...
Podes... Podes mesmo até te banhares no lago
Só não podes  é roubar de mim o último sorriso...
Entres sim, mas com muito cuidado...
Este sorriso é único que  - hoje -tenho guardado.
(RS...) 

(Ednar Andrade).


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Quintais do tempo


Calendário sem páginas,
Relógio em descompasso,
QUINTAIS DO TEMPO,
Caminhos de rosário, conto tuas contas
Em cada uma há uma história... Bordada no linho
Como digital- água não -lava
Folha por folha, viajante ébrio
Areia  nos dedos,
Riacho e ponte...
Hoje a água está quente.
Paisagem na parede, parecendo um olhar,
pintada pelo barro, casebres  vazios.
Mirando o nada
MAR, DESAFIO...
Tecendo teias, aranhas  trabalham
Misteriosamente-mente 
Mente quem diz que não sente
Quem não parece vê
E CRÉDULO DO INCRÉDULO
O pêndulo.
"As horas psseiam "
NO VELHO ARMÁRIO
Que guarda como um diário o que não vê,
Mas sente... Horas  de vagos silêncios
Tilintar dos sinos,
Esquizofrênico,
Caduco
Sem calendário,
Ampulheta louca.
Deserto, invento...
Pinto a areia no tempo.

(Ednar Andrade).

sábado, 29 de janeiro de 2011

Metade


Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

(Osvaldo Montenegro).

sábado, 22 de janeiro de 2011

Borboletas



Sobre o verde as borboletas,
Numa maestria natural,
Como flores saltitantes,
Balançam... Dançam... No meu quintal...
Coisinhas miúdas, ternas, suaves,
Coloridas... Amarelinhas e azuis... Lilases e branquinhas...
Há uma festa no verde, feliz–cidade,
Murmúrio de lagoa,
Cantiga das águas,
Magia pra encantar,
Fazendo rodeios em volta das flores,
Dizendo em versos poemas...
Pro meu '"amor" encantar...
Leves, distraídas,
Felizes como pequeninos anjos... Vão e vem...
Passam por mim; beijam-me...
Sorrio  com uma lágrima o olhar.
Chegaram com a chuva
Festejam o cheiro das folhas molhadas
Banquete feito pro simples...
No desmaio desta tarde,
Cigarras...
No regaço da natureza
Terra molhada, conchinhas d’água
Zumbido de besouros, cintilantes vagalumes
Os passarinhos cantam, a tarde então descansa...
A noite vai dedilhar versos, os sapos seu coaxar...
Na mata  não  há tristeza.
Só uma canção no ar...
A natureza em festa.  

(Ednar Andrade)
 
(*22*01*2011*)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Quimera



Sisuda  mágoa .
Espelho do meu pálido sorriso,
Nem devaneio, nem dispersão...
Nem prazer és... És quimera ...?
És-me cálice de longe e tardio olhar desigual 
Que lanço sem saber o desatinado tremor...
Espada aguda e cega.
És-me chama, 
Fogueira de bruta e rubra violeta cor.
És-me guerra...
Enfadonho  trilho  ...
Mescla de carne em conflituoso escárnio.
Sombra....  Ave de rapina
Soberbamente carregado de engano
PORQUE (?) Porque?
Em calmas nuvens, não traz-mes brisas?
Podias ser anjo, podias ser inerente paz...
Mas fugitiva força, me atrais...
Oceânico  sonho...
Distante cometa sem brilho ,
Sem vida própria.
Imperfeita  e amputada luz...
És como a primavera sem flores,
És o chão estéril,
O abismo  e o sofrimento  dos esquecidos,
A carência do pão que foi"cuspido..."
O aborto, o peito que arde e queima pelo latejante leite contido.
O filho pródigo,
O rio irreverente  que segue, sem  se importar com o que arrasta...
Torrente...
Devastando tudo sem rastro deixar´
És... O começo e o fim do nada ...
És, sobremaneira, estúpido, mortal sentido
Venerado e soberano  sem de nada seres Rei...
Crucificado e escarlate sacrifício...
...Também calvário ...
És cruz.
(Ednar Andrade)
(21*01*2011*)