sexta-feira, 4 de março de 2011

Fantasiado de Adão

   Detalhe da Capela Sistina, de Michelangelo Buonarrotti. Adão. 


Linda esta tua fantasia!
Coração guardado no peito,
O sexo em exposição,
Vestido de Adão,
Assim, para mim,
Tua Eva, que cheia
De emoção
Assisto radiante
A esta tentação.
Donos do Paraíso
Na floresta noturna
Dos nossos sonhos
Vejo-te nu;
Meus olhos pulam
De excitação,
Ai quem me dera,
Quisera eu...
Compartilhar essa maçã contigo,
Ser a serpente do teu paraíso...
Viver no Éden deste pecado...
Que nos faz loucos,
Nos faz meninos
E sem juízo,
Cheios de saudade,
Para cometer loucuras,
Virar uma serpente,
Para te tentar,
Me enroscar contigo,
Mergulhar no gozo
Deste jogo-carne
Destes teus perigos.

(Ednar Andrade).

quinta-feira, 3 de março de 2011

Um carnaval que passou...



Bate como se fossem tambores,
Sem serpentina nem cores,
Em pleno carnaval.
Sem festas, , serpentinas, nem cores.
Bate, meu coração,
Anunciando um estandarte sem brilho
E o que cintila na porta-bandeira
É tão opaco que quase não se vê.
Mas, a vida caminha...
E aqui dentro
Cada batida num dó maior,
Maior que as passarelas,
Que as fantasias e confetes,
Sorrisos e desilusões.
E continua este carnaval...
E continua sem desfiles,
Nem vitórias,
Porque o fim da batucada não acabou.
O Sol não veio, nem vai chegar
Bate... meu coração,
Como se fossem tambores
Em pleno carnaval,
Sem serpentinas, nem cores.

(Ednar Andrade).

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Eu, tu.


Um verso
De encontro
Ao sempre,
Enquanto durar
O sentir,
O amor,
O amar.
Eu, tu,
Todos, enfim.
Tudos.
Segredo, mágoa,
Abstração, sonhar,
Querer, quereres,
Amar, amares,
Sentir, sentires.
Depois, a noite.
Secreto medo,
Saudade, lampejo,
Vida em flor,
Amor, sempre.

(Ednar Andrade)
(27*02*2011).

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Hoje



Hoje chorei
E as minhas lágrimas
Serviram
Para regar
As flores
Da noite.
Hoje rasguei
Meu peito
E dele tirei
Versos e poemas;
Da minha dor;
Fiz novos temas;
Do meu sentir;
Novas razões.
Hoje, de tanto sofrer,
Vesti de negras nuvens
O meu céu claro.
Pintei de azuis
Tão severos
Meus vermelhos temas.
Um deles é o amor,
O amar, o querer.
Hoje, somente, hoje
Vi o vazio do tamanho
Infinito do espaço
E mergulhei
A alma
Numa infeliz ausência
De calma.
Hoje e... Somente, hoje
Desejei
Que a noite
Fosse dia.

(Ednar Andrade).
(27*02*2011).

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Amor: dança sem fim


É perdido todo o tempo que não se amou
Pois,
Se todo amor é perdição
Prefiro viver perdida...
Largada...
Consumida pelos amores  da minha vida...
Amores são amores... Assim sempre serão:
Amores, somam-se...
O amor é uma dança sem fim.
E mesmo que morra, nascerá em outra dança...
Re-nas-ce-rá.
Assim: dance... Enquanto durar a canção: amar..
Dance... E, nesta dança, esqueça tudo,
VIVA TUDO
Beba na boca do amor o sabor dos dez-sabores,
Ou sorva com total  engano,
Suas mescladas verdades ou mentiras...
Alimente-se deste  manjar ...
Que tantas vezes, oferece fel como deguste...
Nada esperes deste mórbido sentimento...
Ele veste-se de vida  e mata
Tem mãos suaves... E MAL-TRATA....
Tem dez-razões...
NENHUM MOTIVO
OK... OK...
Esta tudo bem... OK...
O amor não se discute...
ALGUÉM JA DISSE:
"Se ouvires seu chamado, siga-o" (Gibran Kalil Gibran)
(Ednar Andrade).
(25.02.2011). 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O amor


Devasta,
Arrasta,
Tortura,
Ou...
Mata.
Inunda...
Desnuda?
Transforma.
Muda...
Irreverente...
Inconseqüente...
Ardente
Como o fogo,
Quente...
O amor.

(Ednar Andrade)

Entre linhas



Entrelinhas...(?)(...,  : .)
Escorrem:
Amores,
Vidas,
Abraços, 
Sentimentos
E... Entre os dedos 
Sonhares e sonhos...
Versos, sem rimas, tristonhos...
Entrelinhas...
Estrela e estrelinhas,
Estrelar-Universo, risos e flores...
Ávida a vida segue e seguirá...
Sem que o relógio , "a pare," ampare...
Disparo, certeiro,  incerto tiro, disperso,  rio...
LARVA DE INVENTOS...
Contra tudo, contra o vento ...
Entre traços & trapos 
Entrelinhas(...)
Navega o barco... 
Bússola em total des-arrumos...
Descendo ou subindo,vai...
Vou,vamos .
Irei, ou quem sabe, iremos...
TODOS NÁUFRAGOS...
Felizes & Tolos.
ENTRE-ABERTOS 
Dispostos  contra o destino 
Nestes des-alinhos...Dias...
MUNDOS... Imundos,
Entre os sins e os nãos
Ser feliz a ter razão... Estendidas mãos...
Naus... Perdidas
Buscam...
Olhares que interrogam,
"Ouvidos" que falem...
Verdades que mintam...
MENTIROSAS  VERDADES.
Brinquedos de gente:
Esperança, fé , jogo de faz de conta.
MA-LA-BA-RIS-MO....
Cismo...
O QUE É?
Para que? Porque será???
Os relógios caminham sem pressa.
Dançando, vamos, aqui nesta festa...
Enquanto a canção durar...
Eu, tu, nós.
Até que tudo 
Estanque.

(Ednar Andrade).

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A última estrela


Sempre haverá um Sol que nos desperte.
Mesmo, e ainda, que sejam tardias,
As auroras... As auroras...
Elas virão.
Nebulosas  ou cinzas, trarão  a  luz.
"Porque são manhãs."
E se renovam ...
Na boca  amarga , ficará  a memória da ultima alegria...
No olhar distante
A imagem que perdeu-se no horizonte...
No silêncio, um riso, um sonho...
Mas sempre, haverá
Um brilho na derradeira estrela
Haverá o segredo das rimas   ...
Um novo instante...
Aquele poema que, de tão guardado, é novo...
O sabor do beijo,
Aquele que ninguém esqueceu
Ou a saudade daquele que não aconteceu...
Uma doce e terna lembrança ,
A  felicidade esperada dos amantes,
Uma grande história de amor
Uma longa  espera,
Alguém que ficou  ou partiu em você...
E... Um Sol que   nos desperte .
E a estrela derradeira *
Sempre haverá.
 
(Ednar Andrade)
 
16*02*2011*