quarta-feira, 8 de junho de 2011

Textos de Clarice Lispector



A descoberta do amor

“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.

Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.

Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.”

A importância da maternidade

“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”

Ideal de vida

“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.

O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la.

[...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.

É pouco, é muito pouco.”

Um vislumbre do fim

“Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente. Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará de existir no mínimo silêncio que se locomove. Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido. Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto — serei ainda eu, horrivelmente esperta. Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si. Para voltar de ‘dois e dois são quatro’ é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto...”

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cor de flor (à flor...)

    (Mauricio Costa).



Sou para ti
Aquela, louca... (FELIZ)
E perguntar-te para que serve o juízo?
Aquela que brinca com nosso perigo


Ainda sou aquela menina
Que o tempo não apagou
Que  a mágoa não fez mudar de cor...
Aquela - aquela cor - que com ela

Pintamos uma fugaz primavera
E depois dela, tudo que é lilás tem cor de FLOR
Rs....
Mora em mim um menina

Que brinca contigo de esconde-esconde...
E... SORRI  QUANDO ME ENCONTRAS...
E quase choramos de saudades...
Brincando de brincar de AMOR...

Tudo muda de sentido,
Tudo ganha vida, toda a minha PELE FICA À FLOR
Todos os vazios perdem o espaço
AINDA

Meus olhos em raio-x
Fotografaram e guardam de ti a última lembrança do sorriso teu
Quase cínico de tão safado... Rs...
Mais que riso; devassidão...

De silêncio, ainda, é feito o meu melhor poema
Quase sempre, diz  de amor
E  de tudo que quero não dizer... Rs... Diz
Ai... Como brinca esta menina com a própria sina,

Mesmo depois de tanto frio, ainda abre a janela
Só para te ver de longe... Muito longe...
E escuta os pássaros e chora quando canta...
E canta para não chorar ("às vezes").

(Ednar Andrade).

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Cantiga das águas

    Foto do meu arquivo pessoal.

Acalanto,
...................
Murmúrios,
...................
Cantiga das águas
........................... 
Leito brilhante, onde o Sol também se banha
Sons que sussurram notas com perfume - verde
Este balanço  doce tem feitiço
Num vai-e-vem sonoro e sutil...
Amanhecem, tuas águas cristalinas...
Lençol  tépido aquece-me a alma
Fazendo deitar e repousar...
Zum-zum... As folhas  em acalanto fazem,
Fazendo para ninar...
A dor repousa. Brisa mansa...
O olhar se perde... Num vagueio "irmão da fantasia"...
Festa do natural  "azul..."
Onde os peixinhos beijam-se, saudando  o leito...
Aguardando  o transbordar
BRINCAM COM GOTAS DE CHUVA...
LAGOA...
Onde adormecem sonhos lindos e encantados
De amores e de vidas.
ILHOTA 
Tuas calmas  e onduladas ondas e espumas,
São  versos, 
Que fazem  ser bela e feliz
A nau perdida  (qualquer)(quaisquer...)
E as lágrimas que  misturam-se à tua beleza
Abençoam a vida pondo luz  na escuridão.

(Ednar Andrade).
(01*06*2011).

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Um grande dia


Um grande dia, um dia lindo, não para todos, na verdade; para quem é avó, para quem é mãe, para quem já viveu muito.

Hoje é um dia muito especial, não para todos, mas para aquela pessoa que criou quase toda nossa família: pai, mãe, tios, às vezes primos, mas é assim, assim é o grande dia.

Feliz Dia da Avó.

Homenagem a vovó Ednar.

(Ana Júlia). 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Coisas da vida


"Já escondi um amor com medo de perdê-lo,
Já perdi um amor por escondê-lo,
Já segurei nas mãos de alguém por estar com medo,
Já tive tanto medo ao ponto de não sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava da minha vida,
Já me arrependi por isso....
Já passei noites chorando até pegar no sono,
Já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos...
Já acreditei em amores perfeitos,
Já descobri que eles não existem....
Já amei pessoas que me decepcionaram,
Já decepcionei pessoas que me amavam...
Já passei horas na frente do espelho, 
Tentando descobrir quem sou,
Já tive certeza de mim,
ao ponto de querer sumir...
Já menti e me arrependi...
Já falei a verdade e também me arrependi....
Já fingi não dar importância as pessoas que amava,
Para mais tarde chorar quieta em meu canto....
Já sorri chorando lágrimas de tristeza,
Já chorei de tanto rir...
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena,
Já deixei de acreditar nas que realmente valiam....
Já tive crises de risos quando não podia...
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns,
Outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para desagradar outros...
Já senti muita falta de alguém,
Mas nunca lhe disse.
Já gritei quando devia calar.
Já calei quando devia gritar...
Já contei piadas e mais piadas sem graça,
Apenas para ver um amigo feliz...
Já inventei histórias de final feliz, para dar esperança a quem precisava....
Já sonhei demais,
Ao ponto de confundir com a realidade...
Já tive medo do escuro,
Hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali"....
Já caí inúmeras vezes,
Achando que não iria me reerguer,
Já me reergui inúmeras vezes, achando que não cairia mais...
Já liguei para quem não queria,
Apenas para não ligar para quem realmente queria....
Já corri atrás de um carro,
Por ele levar alguém que eu amava embora.
Já chamei pela mãe no meio da noite,
Fugindo de um pesadelo, mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda....
Já chamei pessoas próximas de "amigo", e descobri que não eram,
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada,
E sempre foram e serão especiais para mim....
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!...
Não me façam ser o que não sou,
Não me convidem a ser igual,
Porque sinceramente sou diferente!....
Não sei amar pela metade,
Não sei viver de mentiras.
Não sei voar com os pés no chão....
Sou sempre eu mesma,
Mas com certeza não serei a mesma para sempre....
Com o tempo aprendi que o que importa não é o que você tem na vida, mas
QUEM você tem na vida....
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Gosto de cada um de vocês de um jeito especial e único.....

(Clarice Lispector).

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Teu nome é Pedro


Um pedaço de pão,
(Teu alicerce  de vento)                           
Uma bebida forte,
Um gosto amargo
Na garganta e a total
AUSÊNCIA DE FOME
Sussurro... "Silêncios..."
Um gemido, um grito sufocado pelo abismo.
Uma pedra no peito,
Uma ânsia inútil... Buscando na ilusão
O que resta de um afago,
A descrença  da mão.
"A solidez da solidão..."
As chamas, as cinzas...
Que o vento arrasta para além do real...
Lâmina  afiada, coração desfeito,
Sem jeito, partido, morto,
Jogado no chão.
QUE O MEU CALAR TE SEJA PAZ...
Que minha tristeza te seja PRECE...
Que minhas lágrimas sejam teu veneno,
Que delas te alimentes e maldigas tua falsidade...
Eu: olhando-te
Maldigo o sentimento que mais amei...
Quero cuspir ou vomitar... As tuas pedras,
Escarrar sobre o amor que um dia senti por ti,
Quero estrangular as tuas juras de amor,
Depois te ver lentamente em mim morrer
Sepultar-te e ser sepultada também em ti.
E na lápide  escreverei apenas:
JAZ...
Quero arrancar da pele os arrepios  que senti um dia,
Virar do avesso as areias do querer,
Para plantar e cultivar esquecimento.
E... Assim como ser livre... Bater as asas...
Como anjo... Sem remorsos...
Apagar como numa lousa o giz...
E ''desescrever'... O que escrevi.
Desbotar as cores daquela primavera,
Desmascarar o teu rosto, rasgando tua máscara!
(Pintar-te de palhaço.)
APALUDIR TUA CANALHICE.
Rasgar com minhas mãos o teu peito,
Só... Para... Sentir se o teu coração bate,
Se és gente, se és carne... Ou apenas cinismo...
Morder e mutilar teus dedos,
Para não mais escreveres mentiras.
E chamá-las, dúvidas... (...)...
Um instinto animal de mim se adona...
Estou ferida, quase morta;
Ai... Comigo carrego uma certeza:
Teu nome é "Pedro"
"Negas"... Mas não me trais,
A ti traístes...
Por isso te condenas,
UMA BEBIDA FORTE, UM PEDAÇO DE PÃO...


(Ednar Andrade).

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A vida é movimento...


Olhando o espelho, tentei contar as rugas, tentei achar nelas rusgas...

Tentei achar as digitais  dos risos, dos meus desabrigos, questionei, invadi os sonhos já desfeitos, olhei os meus defeitos, se a tristeza mora dentro ou fora de mim... (?).

Ai... Quantas lágrimas derramamos... Quantos desejos temos e não provamos deles o sabor, quantas ilusões... Quantos planos e os sentimentos como se esvaem... Como chuva de verão, como uma estação apenas, passam... Como o calendário que se renova e os outonos com novas e secas folhas que jamais se repetem e no sabor do novo fruto acontecerá uma ilegítima presença do mesmo sabor de outro igual fruto sem poder jamais ser o mesmo, passam... Deixando em cada lacuna um sabor de vazio..., ou uma vontade inacabada de refazer-se neste vazio, porque o homem é sedento de felicidade. E vive na busca de algo novo, insatisfeito, eterno sonhador, buscando na vida o peito materno, um insatisfeito.

Olhei-me longamente... Não consegui contar  as rugas, apenas notei que já são tantas e tive a impressão de que cada uma guarda um registro, assim como digital, como um segredo e a gente nem se dá conta de suas marcas do quanto cada uma custou...

...Os amores, as perdas, despetalados anseios... Verdadeiros vulcões... São terremotos, maremotos... Tempestades d'alma a clamar por vida, por felicidade...

"Felicidade" ,esta mora em algum lugar e ninguém tem seu endereço... Rs... Mas como ser feliz? Passamos a vida a perguntar... E num primeiro passo, ainda bem moços, pensamos erradamente que no outro está... Conclui que é puro engano, esta palavra é "solitária" como cada um de nós... (felicidade...???) nosso maior conflito interior, pensei ao mirar o espelho.

Fiz uma viagem sem passaporte... Clandestina viagem... Traiçoeira viagem de insegura interrogação...Pois não há mais em mim, tempo para mágoas, tempo para dúvidas... É MESMO A VIDA "HOJE".

Sem amanhã e sem tempo... Voar... Voar... E, nas asas do que resta, juntar o que ficou, "somar ao que for agora" a vida, não perguntar nada ao espelho, apenas seguir... Viver sem desejar, sem sofrer, olhar-se no espelho e reconhecer-se no tempo como o conteúdo da moldura.

Ser o verdadeiro editor da  história, sem se arrepender, sem lamentar, esquecer a vã filosofia e repudiar os mistérios... Perguntei ao espelho, se existe alguém que pergunte mais do que eu... Rsrs... Ele permaneceu calado... Eu desisti da questão...
  
Concluí que esta busca é inútil, que tudo assim como vem vai... E nada permanece, pois a vida é movimento... Nada permanecerá no tempo... Que até as lembranças perdem o colorido, e se nos vem, também passam dando espaço para o hoje, como um perfume, um aroma "LAVANDA" com cheiro de frescas  manhãs... Que no penteador só ficou o frasco... Alguns amores caminharão contigo no teu respirar, te serão eternas memórias que te servirão de companhia, mas sem causar incômodo, como uma suave lembrança que te faz gostar de está vivo e havê-lo tido, e deles fazes poemas que jamais serão editados. Passearás com tuas saudades de mãos dadas em plena comunhão, são quase sagradas tuas visões, teus momentos de abstração, gemidos e sussurros, são secretos, como a alma, e nem no espelho conseguirás identificá-los. Carregarás no olhar sem que ninguém  veja os olhares, os risos... Talvez no coração, escutes uma batida diferente e ao sentires a identifiques, como vida ainda em ti. E em seu movimento lembres sem sofrer, mas sem poderes deter uma lágrima. Então a isso chamarás de amor, e para cada amor nomeies uma ruga. E para cada sorriso, outro sorriso.

A vida é movimento... E os espelhos, também, mudam...

(Ednar Andrade).

domingo, 22 de maio de 2011

Tua mão



“Dá-me a tua mão desconhecida,que a vida está me doendo,e não sei como falar - a realidade é delicada demais,só a realidade é delicada,minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas

(Clarice Lispector).


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Infância




Infância...

Idade de querer
Ser adulto.
Por exemplo:
Cozinhar,
Se vestir
Com roupas
De adulto,
Namorar,
Ter filhos.
Assim
É a infância.
É querer imitar
É querer fazer
Tudo
Que um adulto
Faz...
Mas,
Quando
Amadurecemos
Nos arrependemos
Do que queríamos ser.

ASSIM É A VIDA
E O TEMPO TAMBÉM.

(Ana Júlia).

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Camaleoa-olhar...

    Tela de Teresa Robalo.


Invento versos,
Como se fosse poeta , pintando as letras 
E dando asas, brinco de escrever,
Brinco de sentir saudades, de  não chorar...

De não querer,
De não amar,
De  esquecer...
Brinco de brincar:

"De não sofrer"...

Brincar com as flores ,
De infinitas cores e jeitos ,
Pálidas, violetas e rubras em versos de paixão
Invento alegria, ponho em teu lugar...

Ai... Também com as sombras e sons
Da lagoa em pranto e sussurros...

Invento no vento que vem me beijar,
Invento um canto triste e canto a lembrar,
Para não  esquecer esta "tristeza "de amar
Que mora em teu e no meu olhar,

Finjo crer nesta bobagem
Que queres que eu creia.
Faço cara de descaso para esta sen-hora...
Duvido  daquela dúvida ,...

Mas, seco o rio 
De tanto lavar o pranto.
Me banho... Não rio ...
Só, rio..., Rio... Quase mar...

Me escondo no verde ,
Sou camaleoa, rastejo sutil ,
Por entre as folhas Verdes
E sépias, caço..."disfarço",

Pinto de azul uma estrela,
* 

E a mirá-la permaneço olhando o céu...
Assim... Tão distraída, quanto a fria noite...

E tudo faço, tudo desfaço
E permaneço, e silencio...
Interrogo  o pássaro no seu calado ninho...
Ele como eu, não sabe por que ficou tão triste,

E perdeu-se no caminho.
Então, fazendo, do amor, o meu brinquedo,
Sigo-te amando ... E...
Desenhando versos...

(Ednar Andrade).