sábado, 5 de junho de 2010

Você



Por Danclads Lins de Andrade


Um sorriso largo e encantador
Que te fecham os olhos;
Uma tez macia
Em um corpo escultural;
Um cérebro de sábia
E uma elegância Real;
A maturidade de mulher
E um jeito de menina;
Uma "Afrodite" humana;
Uma "Leila Diniz" divina!
1 metro e 68 centímetros
De singular grandeza;
Cinqüenta e um quilos
De força e beleza.
Assim eu te vejo...
Entre o humano e a perfeição;
Tens o teu lugar reservado,
Cadeira cativa no meu coração.


(Danclads Lins de Andrade).

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dança do amor


Foto: El Brujo

... E ela dança...
Com seu corpo nu...
Na lua "cheia de amor”,
Para dar...
E pulsa em rodopios incontidos...
Sangue nas veias,
Paixão...
Emerge do fundo do mar com seus lábios rubros,
Agora sem véus...
O ventre incendeia em desejos,
Num incessante prazer, amar...
Beija, com boca salgada...
Beijos com gosto de mar.


(Ednar Andrade).

Total Deslize


Foto de propriedade de El Brujo

Deslize total,
Sem bloqueios ou freios,
Versos que transbordam...
Na loucura rimada da paixão,
Ardentemente alterados e alagados...
Loucas estrofes
Que fazem doer a carne
De quem sente e os olhos de quem lê.
E assim as letras rasgam os sentidos da libido
E levam ao prazer
Neste cântico profano...
Tocas a boca, os seios e a face com desejo,
Dando sentido ardente qual fogo,
Com um ritmo que a pele tatua.
Transbordas... E escreves como quem toca um instrumento,
Invades, deixas sem calma os invadidos de paixão.


(Ednar Andrade).

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Oração do dia (Carta ao Criador)



Senhor, leva-me para a suave brisa desta oração de amor. Que meus olhos fiquem cegos da mágoa desta tristeza, que minha boca alcance o beijo do meu tão sonhado “poema”, que meu abraço chegue em forma de oração ao coração dos que amo, que eu possa transmitir o calor que há no meu querer... (Um querer que independe da minha vontade) (Amar), amar o gesto silencioso de cada amigo, o olhar de cada irmão, amar o sacrifício sublime dos que amam sem ser amados, doar compreensão ao desprezado, fechar os olhos para o desprezível... Que eu saiba enfeitar de alegria a alma aflita do meu amigo, do meu irmão e até do que se diz meu inimigo. Senhor, mas que, acima de tudo, que eu possa perdoar o que ninguém perdoaria, que eu chegue até ti na minha oração, que eu sorria num gesto de doação, que minha mão não se feche para outra apertar, não me deixes desistir de sonhar... Mesmo quando a dor vier me visitar. Ensina-me a não ser triste, ensina-me a caminhar no deserto dos jardins que, mortos, já não são belos. Ensina-me a colher sementes para ter rosas, a ser como a chuva que rega a vida nas florestas, a ser como o rio; que se mistura a terra sem deixar de ser natureza, mostra-me como ser nuvem para proporcionar água aos que têm sede de carinho... Ensina-me a ser como os caminhos que levam os pés cansados a um remanso, um ninho... Meu pai, quero ser sem vaidade um anjo bom, uma mãe, uma avó, uma amiga fiel (amante), uma mulher barulhenta de esperanças... Sonora como a passarada nas manhãs de setembro. Ser como as orquídeas que, mesmo depois da primavera, ainda assim, enfeitam de saudade os corações. Como o outono, ter no peito meu um vasto tapete de folhinhas ternas, em sépia para que eu deite nele os versos que faço com amor... Ser um acorde na canção da poesia... Ensina-me também a ser silêncio, também a ter a palavra certa no meu silenciar, a ser pausa, a ser corajosa, a não ter medo do escuro, que eu não olhe para trás jamais... Que eu possa seguir com fronte erguida o resto dos meus dias; que eu saiba cantar quando me sentir só; acreditar neste amor tão forte que carrego comigo; guardar o segredo do verso que não digo; continuar olhando o “Sol” sentindo-o um Rei *e louvando a sua chegada*. Olha Deus: tudo que te peço é para mim muito, é como um tesouro que quero ter comigo, só não me tires dos olhos o mar, o verde da minha ilha, o canto dos teus pássaros, o riachinho que corre na porta da minha casa pobre, a lagoa onde me banho. Senhor, também não me tires a capacidade de sonhar, não me deixes cética de amar, ainda que cedo ou tarde eu morra; os ventos possam espalhar a minha poesia, que ela chegue a quem precise de amor, como uma oração, que ela vá até o mais fundo de algum coração, que algum dos meus versos possa trazer paz, trazer contentamento. Senhor, sei que sou pequena, sou como no deserto a mais frágil florzinha... Sou obra das tuas mãos, irmã do teu amado filho “Jesus”, aquele que por nós padeceu na cruz.

Por tudo isto Senhor, é que te peço nesta longa e simples oração, que é quase um poema de emoção, é uma cartinha feita para ti com muito carinho. Senhor, guarda contigo os segredos que te digo, dá-me a força para não ser vencida, e mostra-me a luz que preciso e peço. Que eu não morra distante do Sol, que eu possa me banhar nesta fonte de vida por todas as minhas manhãs.

Amém...

(Ednar Andrade).

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Com saudade do São João

 


“Maio, eu queria junho” E se junho desse milho desse milho
Eu comeria pra valer,
Mas como ainda é maio,
“Junho bastava ver”,
Mesmo que fosse um pouquinho,
De milho só um grãozinho...
Mas, mesmo assim, é junho (era)
“Junho... Maio, sabe por quê?”
Hoje eu sei, é mais maio, mas...
Eu flutuo, explodo, sou fogueira,
Queimo, estou ardendo...,
Adivinhações, fazendo,
Tá tudo no clima de junho,
Porque junho? Por quê?
Maio é mês de mãe, de noiva,
De flores, de amor...
Junho? Tem balão, fogo, fogueira,
Queira maio, ou não,
Hoje para mim é junho,
Até que termine maio


(Ednar Andrade).

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A Cara do Dia




Acordei, e como quem faz um texto; abri minha janela.
Rsrs... E lá estava ele; o Sol, lindo para mim, sorrindo...
Ai! Meu Deus!
Que alegria! Que contemplação!
Tão lindo!!! Iluminando a vida, iluminando o céu...
Me dand0 a certeza de viver para esperar... E crer, no amor.
Para respirar a poesia que há... Nesta manhã;
Intenso e quente como o fogo;
Vermelho como a paixão que há no amanhecer dos apaixonados;
Mágico como o coração dos encantados;
E tão secreto como o coração dos poetas que vivem um amor pagão.
Uma sede, um afã, um desejo, um beijo,
O Sol que é tudo: vida ou morte.
A vida vista da janela.
Meu dia claro, minha paz,
Mesmo sem razão, minha fé,
Meu raio de Sol,
Minha janela de onde vejo a vida.
(Aqui, deste cantinho, assisto)
Da saudade, a fresta.
Aqui do meu canto assisto este espetáculo que o Sol me desperta.
Respiro...
Fico feliz, pura emoção;
Este aconchego entre nós e a natureza.
Minha dúvida não tem certeza;
Meu sentimento, razão.
Já que para ser feliz não preciso dela... Rsrs
Razão, razão para que?
Eu quero é viver, amar.
Amar da forma que sei...
Ser feliz e gozar da felicidade de pertencer à poesia
E ela a mim pertencer.
Se sou louca ou desvairada não sei, não quero saber.
A vida e o tempo já não cobram de mim nada que não tenha dado, sentido ou doado.
O amor, este me rega as veias de uma forma sem tamanho.
Busco sempre encontrar o calor da minha verdade
E ela é tão ardente que me inspiro no Sol
E a comparo com a minha vida;
Meu maior deleite nas manhãs:
Abrir a janela e deixá-lo entrar;
Entrar e aquecer.
É como um soluço incontido,
Sai da memória manhãs tão lindas...
Olhando por sobre as janelas,
Vejo as montanhas altas de verdes,
Paraíso que é chamado, por ser assim, de Sol.
Me encanto, me encanta e canto
Em notas que desconheço
Esta música matinal,
Que me dá de presente tanta melodia e prazer.
Sou amante do Sol, sou a própria Lua
Que neste alvorecer fica nua
E vestida de tanto sentimento...
Viagem de emoção;
Minha respiração muda
E meu coração se contrai com mais força e compreensão
E penso numa canção do Roberto, onde ele canta: “Além do horizonte”.
Sorrio, faço um tour, vou até o meu paraíso,
Onde a passarada com alegria certamente desperta e canta.
O Sol, sempre tão belo,
Meu mensageiro do amor...
Minha, quase sempre, inspiração;
Eterna e doce visão.
Talvez, por isto, eu goste tanto das janelas...
Pois são elas a moldura das manhãs...
Aurora boreal, temporal ou arco-íris.
Mas eu, daqui, assisto ao Sol que me deixa tão excitada e sonhadora...
Do Sol, amante;
De calor, plena.
Olho em volta, tomo meu café feliz.
Nesta manhã em que meus olhos despertam, assisto tão belo cenário.
Obra de Deus;
Fruto da vida;
Excelência da natureza.
Vivo em meu ser, és magnífico, és o rei da manhã,
A fotografia real do Universo; da minha visão, meu pomar de luz,
Transbordante de raios que cintilam dentro e fora do meu peito;
Festa do meu olhar; oração que digo em silêncio;
Minha paisagem divina; meu Sol.
A cara da manhã.

(Ednar Andrade).

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Editando no teu Corpo


Foto encontrada na web.

Deslizo poemas do meu idioma
No editor da tua pele
Rimas ardentes, quentes, estrofes rimadas
Harmonizando o “sol” em sua nota "la, sem dó" em versos da nossa música
Falo a língua do teu corpo com minhas mãos reproduzindo os teus gestos
Dormências dos dedos na grafia sonora
Respeitando teu ritmo e tempo no teclado musical
Poemas sem recatos escritos com as lavas do teu vulcão, em constante erupção
Rimas com o magma expelido em sons ungidos das tuas chamas
Poemas que cortam com seu fio de navalha teu decote e contornos
A figura de linguagem é a nossa do desejo
Grito a nossa língua em ardentes beijos


(El Brujo).

terça-feira, 25 de maio de 2010

Fins de tarde



... E à tardinha... Eles voltavam. Passavam em minha porta, chapéus rasgados, pés descalços, cigarro de palha... Um a um, olhavam para o meu sisudo pai que ali estava sentado em todos os finais de tarde, como quem fazia uma oração, postado à porta. Uma velha cadeira, como que saudando à tarde. Lembro-me do muro da minha casa, pintado em amarelo... Janelões protegidos por grades de ferro... De frente para o pôr-do-sol. Rua de areia, não havia asfalto e lá eles vinham... Eram os pescadores, que voltavam para o lar... Passavam um a um, nos cumprimentavam, com uma reverência incomum: - boa tarde, senhor! – boa tarde, sô – meu pai respondia.
 
Era um ritual que antecedia a Ave Maria de Gounod. Eu recostada no muro, achava maravilhoso aquele calor, para ver a tarde cair. Lá da cozinha, um perfume exalava... Batatas-doce, uma boa carne assada na brasa; um banquete nos esperava... Tia Zefinha, uma boa senhora que nos criou, companheira das lutas domésticas, fazia o café. Aquilo era como um incenso que sinalizava a noite... Meu pai, homem forte... Musculoso, bonito, cabelos lisos, bem-humorado – herdei dele o riso... Homem sério, homem calado. Parece que tinha o saber, para mim ele era o livro – havia nele um mistério, eu não conseguia ler. Mas era lindo o anoitecer. Ás vezes, ouvíamos um som, era o sinal, um aviso de que o navio aportado anunciava a partida. E ele me dizia sábio: “o navio está indo embora”. Relatos da minha vida, partes da minha história.
 
Este homem mudo e tão calado e falava dos astros, das estrelas, das estrelas cadentes e eu ficava contente; de tudo que ele dizia, era eu crente. Momento que não esqueço e quando assim, de repente, ouvia no rádio a canção mais bela, que até hoje escuto: “Ave... Maria... Maria, Maria...” Então minha mãe chegava à porta e anunciava o jantar. Ali começava uma ceia, meu pai, minha mãe, meus irmãos... Era uma comunhão que o tempo não vai apagar.



(Ednar Andrade)*****

domingo, 23 de maio de 2010

Na tua Geografia quero fazer Mestrado - Loucuras Geográficas

Imagem pesquisada na web.

Por Ednar Andrade

I – TESES DE MESTRADO EM VOCÊ

TUA GEOGRAFIA BIOLÓGICA I

Conceito, observação, olhos nos olhos, da tua geografia biológica, curvas, acidentes, temperaturas altas e baixas e a relação com outras ciências de intercurso, paciência ao interar-me dos organismos do meio. O aparecimento e evolução dos seres vivo, seus montes e picos em total elevação.

TUA GEOGRAFIA BIOLÓGICA II

Estudo zonal das paisagens biogeográficas nos teus vales. Os grandes biomas savanais, teus campos e desertos, períodos climáticos para tua colheita e estiagem. Estudo de toda tua vegetação, cerrado, savanas, selvas e zonas rurais. Descobrimento das melhores zonas... Irrigação das cavidades internas.

TUA GEOGRAFIA FÍSICA BÁSICA

Introdução, Sol na Lua, Terra no Universo. Orientação geográfica na tua rosa dos ventos. Novamente tempo atmosférico e clima. Estrutura da tua dinâmica das formas de relevo. Hidrografia, dos teus fluidos. Teus solos e tua flora tropical.

TUA GEOGRAFIA HUMANA E ECONÔMICA

Teus recursos naturais e seu aproveitamento completo. O aproveitamento econômico, economizando no teu-espaço, e gastando energia no seu interior. Caracterização e exploração das tuas grandes regiões sul e centro-oeste principalmente.

INTRODUÇÃO ORAL A TUA GEOMORFOLOGIA

Exploração da tua natureza, teus elementos e fatores geomorfológicos. O controle estrutural, tectônico e tátil-no-teu-cônico nas geoformastologias do teu prazer. A tua influência climática no controle litológico dos meus beijos. Processos dominantes nas vertentes dos teus lábios verticais. Beijos em processamentos nas tuas formas fluviais, troca de fluidos salivares, com suores e outros líquidos. Pesquisa dos teus rios e afluentes, bem como das correntes.

SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DA TUA GEOGRAFIA

Informações especiais avaliadas no tato, mapas e sistemas de informação geográfica dos teus conceitos em nossas relações. Funções vitais, no vital momento, pra isso uma breve leitura da previsão do teu tempo. Coleta dos teus dados, feita visualmente ou através do estudo e contato do falo, geocodificação e tratamento do que tem dado, como e quando, e das contrações da superfície e das cavidades profundas. Gerenciamento de tuas informações geográficas e estruturas de suporte, suportando e se entregando do jeito que gosta (O quanto suporta e como suporta). Sistemas: aplicações e introduções lentas e rápidas na sua profunda cratera interior.

GEOGRAFIA DA NOSSA CO-PULAÇÃO

Bases teóricas, PRÁTICAS e conceituais da geografia da Co-pulação. Métodos e técnicas em práticas táteis, orais-corporais. Dinâmica de toda tua geografia em ritmos de entrega. Estrutura e crescimento dos relevos na excitação. Políticas de pulsos e impulsos e processo de procedimentos invasivos com instrumentos nas tuas cavidades, para colher teus dados científicos e obter o máximo de informações dos teus recursos naturais.

TEORIA NAS REGIONALIDADES DO TEU CORPO

Fundamentos epistemológicos regionais das tuas curvas e relevos. Métodos osculares em todas as regiões. Critérios clitórioso das sensações durante o tráfego palatal, conforme seus prazeres. Ocupando teus espaços linguisticamente.

(El Brujo).

Liberdade


A liberdade conduzindo o povo, quadro de Delacroix

Por Ednar Andrade

E ele estava ali! Cabisbaixo, olhos cravados no chão, mãos para trás: a representação visual da infelicidade e da vergonha. Seu advogado tinha falado em transação penal (um tal de prestação de serviços à comunidade, frase que de tão comprida e pomposa, terminou decorando) que o livraria da prisão. Mas ele continuava ali, sendo julgado por seu ato impensado, uma "tolice" (pensara antes de fazer), mas agora via a gravidade do mesmo. É certo que não foi um delito dos mais complexos ou comprometedores, mas ele, que nunca tinha experimentado uma situação assim, perdera bens mais preciosos que qualquer riqueza material: paz, liberdade, tranqüilidade, dignidade.

Absorto em seus pensamentos, lembrava-se do que seu pai dizia: "Com responsabilidade, você tem a liberdade para fazer tudo que quiser e puder". Então, ele começou a ouvir, ao longe, uma voz falar-lhe: era o juiz que estava a fazer uma síntese dos fatos para, depois, dizer-lhe dos benefícios da tal "transação penal" e só então indagar-lhe: "O senhor concorda?" Sua resposta durou o tempo que os neurônios levam entre o despertar para o fato de estar sendo perguntado e a pronúncia das palavras; respondendo (após este intervalo para o cérebro processar as ideias): "Sim". Um monossílabo que ainda não o demovia da angústia interior de ter errado; sentimento próprio dos homens honestos.

Pronto, agora assinara um acordo na Justiça e iria mensalmente trabalhar como carpinteiro - ofício que bem desenpenhava - em uma instituição de caridade, como punição por seu erro.

Para com a sociedade ele iria se redimir; mas de sua consciência, quem o absolveria? Que advogado seria tão brilhante a ponto de livrá-lo de seu próprio julgamento? Sabia que aquela assinatura não o eximiria da condenação de sua consciência ou, pelo menos, que um bom tempo seria necessário para o seu tribunal íntimo conceder-lhe o benefício de uma liberdade condicional: a aceitação de que, com o erro, crescemos.

(Danclads Lins de Andrade).