sábado, 12 de junho de 2010

Infinito no verso (reverso).

Imagem pesquisada na web

... Tentando criar um verso para o infinito ou configurando uma dor.


Minha alma está doente... E a cura só vem quando declamo, quando rasgo a dor com poesia... Ontem, de tão triste, o meu peito abriu, e num descuido meu coração partiu, despencou da prateleira do amor, fiquei gemendo... Deitei-me no chão da minha saudade... Com tanta dor... Que o mar, o vento, as estrelas, todos os astros, vieram ao meu socorro... Quando tudo que eu precisava era ver e sentir o calor do Sol... Deixar meu corpo se banhar da sua luz... Iluminar os meus desejos com seus raios em fogo. Beijar a boca da carne nua e por, dentro de mim, a sedução daquele olhar que não vejo. Ai... Ontem uivei como uma loba perdida dentro da escura noite. Engoli meu pranto para não acordar o meu segredo e chorei baixinho; abracei o meu lençol... Havia nos meus olhos uma ferida aberta; uma fenda que deixava escapar um rio transparente de agonia. Como desejei que fosse dia... Dia de correr no campo como um bichinho brincalhão, uma borboleta livre, pássaro cantante dentro da mata, ver passar o dia como que mirando as águas de um rio que conheço e deságua em minha emoção, levando na correnteza as mágoas e o frio da espera infinita de ti. Dia de ser o teu barco náufrago e, nestas águas mornas, ficar em tuas mãos como um pequenino barquinho. Dia de ser viçosa como a flor bela da manhã, ser como a aurora que se mistura ao dia. Ser singela como a flor do campo, que alguém descobre sem saber o nome e ser apenas silenciosa... Nos ruídos do amor e no seu contentamento, ser profundamente amada na relva dos teus desejos. Como sonhei com o carinho mudo que de tua boca viria me fazer chover de emoção, de felicidade e de paixão, mas a violência da saudade mata a realidade sem perdão, sem escrúpulos e sem permissão. Cruel castiga o peito, fustiga, faz escorrer um fel dos olhos que desce e atravessa a garganta e vai até o lugar mais fundo da alma, o lugar mais escondido do amar... Invade-me como uma espada dentro da noite a rasgar-me as feridas feitas das lembranças... Sento-me no pó deste inferno, para tecer a trança infinita deste sentimento algoz e íntimo, num duelo de constatação.

... É desta dor que me habita, que me alimento e respiro, bebo, nesta fonte “indesejada que desejo” (e quero tanto...) e morro e vivo, para renascer plena de todos os suspiros e sussurros que me faz este sentido, que ora beija, ora bate na face de forma escancarada e contida; diálogo mudo que travo com o mundo; frases escritas com saudade e medo num desespero que me arrasta calmo, que empurra ao tudo, e ao mesmo tempo ao nada que podemos... Assim, com o coração em fragmentos, sigo, segues, como que juntando os destroços em total tristeza; a carne em lamentos, querendo tanto este querer permanente em mim e em ti. Não sei se há nele bênção ou maldição, mas sei o quanto nos queremos sem pensarmos na razão. Somos conduzidos pela mão suave e perigosa com infinita paixão, algumas vezes lascivo, cheio de luxúria, carnal, ardentes e céticos de outros sentidos, não há neste sofrer lamento mais gemido do que a dor deste querer... Um querer errante, pagão, maciço, barulhento como é, fez-se trovão, e acordou em nós, partindo o coração, maré, enchente desperta na noite, sai pelas narinas em forma de ar... Perfumando as rosas, fechando ou abrindo abismos, nos faz, deste olor, amantes... Sublimemente perdidos. Não há como medir, só sentir, e mergulhar cada vez mais... E de tanto querer, almas sem juízo, sem juiz que o julgue, viver com verdade este delito, sem culpas, ilhados na cumplicidade tocar a carne quente dos que descem ao inferno, para chegar ao céu do amor sonhado.

(Ednar Andrade).

sábado, 5 de junho de 2010

Mulher sem Idade


Por Danclads Lins de Andrade

O tempo não diz de ti;
És atemporal; ultrapassa-o...
Mulher sem fronteiras;
Mulher sem idade;
Atrevimento da natureza
Que a cronologia não explica
E espanta a humanidade
Que desafia os anos...
Brincas com a eternidade
Teu nome?
Ednar Andrade.


(Danclads Lins de Andrade).


Em homenagem a mulher que amo, minha poetisa Ednar Andrade.

Você



Por Danclads Lins de Andrade


Um sorriso largo e encantador
Que te fecham os olhos;
Uma tez macia
Em um corpo escultural;
Um cérebro de sábia
E uma elegância Real;
A maturidade de mulher
E um jeito de menina;
Uma "Afrodite" humana;
Uma "Leila Diniz" divina!
1 metro e 68 centímetros
De singular grandeza;
Cinqüenta e um quilos
De força e beleza.
Assim eu te vejo...
Entre o humano e a perfeição;
Tens o teu lugar reservado,
Cadeira cativa no meu coração.


(Danclads Lins de Andrade).

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dança do amor


Foto: El Brujo

... E ela dança...
Com seu corpo nu...
Na lua "cheia de amor”,
Para dar...
E pulsa em rodopios incontidos...
Sangue nas veias,
Paixão...
Emerge do fundo do mar com seus lábios rubros,
Agora sem véus...
O ventre incendeia em desejos,
Num incessante prazer, amar...
Beija, com boca salgada...
Beijos com gosto de mar.


(Ednar Andrade).

Total Deslize


Foto de propriedade de El Brujo

Deslize total,
Sem bloqueios ou freios,
Versos que transbordam...
Na loucura rimada da paixão,
Ardentemente alterados e alagados...
Loucas estrofes
Que fazem doer a carne
De quem sente e os olhos de quem lê.
E assim as letras rasgam os sentidos da libido
E levam ao prazer
Neste cântico profano...
Tocas a boca, os seios e a face com desejo,
Dando sentido ardente qual fogo,
Com um ritmo que a pele tatua.
Transbordas... E escreves como quem toca um instrumento,
Invades, deixas sem calma os invadidos de paixão.


(Ednar Andrade).

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Oração do dia (Carta ao Criador)



Senhor, leva-me para a suave brisa desta oração de amor. Que meus olhos fiquem cegos da mágoa desta tristeza, que minha boca alcance o beijo do meu tão sonhado “poema”, que meu abraço chegue em forma de oração ao coração dos que amo, que eu possa transmitir o calor que há no meu querer... (Um querer que independe da minha vontade) (Amar), amar o gesto silencioso de cada amigo, o olhar de cada irmão, amar o sacrifício sublime dos que amam sem ser amados, doar compreensão ao desprezado, fechar os olhos para o desprezível... Que eu saiba enfeitar de alegria a alma aflita do meu amigo, do meu irmão e até do que se diz meu inimigo. Senhor, mas que, acima de tudo, que eu possa perdoar o que ninguém perdoaria, que eu chegue até ti na minha oração, que eu sorria num gesto de doação, que minha mão não se feche para outra apertar, não me deixes desistir de sonhar... Mesmo quando a dor vier me visitar. Ensina-me a não ser triste, ensina-me a caminhar no deserto dos jardins que, mortos, já não são belos. Ensina-me a colher sementes para ter rosas, a ser como a chuva que rega a vida nas florestas, a ser como o rio; que se mistura a terra sem deixar de ser natureza, mostra-me como ser nuvem para proporcionar água aos que têm sede de carinho... Ensina-me a ser como os caminhos que levam os pés cansados a um remanso, um ninho... Meu pai, quero ser sem vaidade um anjo bom, uma mãe, uma avó, uma amiga fiel (amante), uma mulher barulhenta de esperanças... Sonora como a passarada nas manhãs de setembro. Ser como as orquídeas que, mesmo depois da primavera, ainda assim, enfeitam de saudade os corações. Como o outono, ter no peito meu um vasto tapete de folhinhas ternas, em sépia para que eu deite nele os versos que faço com amor... Ser um acorde na canção da poesia... Ensina-me também a ser silêncio, também a ter a palavra certa no meu silenciar, a ser pausa, a ser corajosa, a não ter medo do escuro, que eu não olhe para trás jamais... Que eu possa seguir com fronte erguida o resto dos meus dias; que eu saiba cantar quando me sentir só; acreditar neste amor tão forte que carrego comigo; guardar o segredo do verso que não digo; continuar olhando o “Sol” sentindo-o um Rei *e louvando a sua chegada*. Olha Deus: tudo que te peço é para mim muito, é como um tesouro que quero ter comigo, só não me tires dos olhos o mar, o verde da minha ilha, o canto dos teus pássaros, o riachinho que corre na porta da minha casa pobre, a lagoa onde me banho. Senhor, também não me tires a capacidade de sonhar, não me deixes cética de amar, ainda que cedo ou tarde eu morra; os ventos possam espalhar a minha poesia, que ela chegue a quem precise de amor, como uma oração, que ela vá até o mais fundo de algum coração, que algum dos meus versos possa trazer paz, trazer contentamento. Senhor, sei que sou pequena, sou como no deserto a mais frágil florzinha... Sou obra das tuas mãos, irmã do teu amado filho “Jesus”, aquele que por nós padeceu na cruz.

Por tudo isto Senhor, é que te peço nesta longa e simples oração, que é quase um poema de emoção, é uma cartinha feita para ti com muito carinho. Senhor, guarda contigo os segredos que te digo, dá-me a força para não ser vencida, e mostra-me a luz que preciso e peço. Que eu não morra distante do Sol, que eu possa me banhar nesta fonte de vida por todas as minhas manhãs.

Amém...

(Ednar Andrade).

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Com saudade do São João

 


“Maio, eu queria junho” E se junho desse milho desse milho
Eu comeria pra valer,
Mas como ainda é maio,
“Junho bastava ver”,
Mesmo que fosse um pouquinho,
De milho só um grãozinho...
Mas, mesmo assim, é junho (era)
“Junho... Maio, sabe por quê?”
Hoje eu sei, é mais maio, mas...
Eu flutuo, explodo, sou fogueira,
Queimo, estou ardendo...,
Adivinhações, fazendo,
Tá tudo no clima de junho,
Porque junho? Por quê?
Maio é mês de mãe, de noiva,
De flores, de amor...
Junho? Tem balão, fogo, fogueira,
Queira maio, ou não,
Hoje para mim é junho,
Até que termine maio


(Ednar Andrade).

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A Cara do Dia




Acordei, e como quem faz um texto; abri minha janela.
Rsrs... E lá estava ele; o Sol, lindo para mim, sorrindo...
Ai! Meu Deus!
Que alegria! Que contemplação!
Tão lindo!!! Iluminando a vida, iluminando o céu...
Me dand0 a certeza de viver para esperar... E crer, no amor.
Para respirar a poesia que há... Nesta manhã;
Intenso e quente como o fogo;
Vermelho como a paixão que há no amanhecer dos apaixonados;
Mágico como o coração dos encantados;
E tão secreto como o coração dos poetas que vivem um amor pagão.
Uma sede, um afã, um desejo, um beijo,
O Sol que é tudo: vida ou morte.
A vida vista da janela.
Meu dia claro, minha paz,
Mesmo sem razão, minha fé,
Meu raio de Sol,
Minha janela de onde vejo a vida.
(Aqui, deste cantinho, assisto)
Da saudade, a fresta.
Aqui do meu canto assisto este espetáculo que o Sol me desperta.
Respiro...
Fico feliz, pura emoção;
Este aconchego entre nós e a natureza.
Minha dúvida não tem certeza;
Meu sentimento, razão.
Já que para ser feliz não preciso dela... Rsrs
Razão, razão para que?
Eu quero é viver, amar.
Amar da forma que sei...
Ser feliz e gozar da felicidade de pertencer à poesia
E ela a mim pertencer.
Se sou louca ou desvairada não sei, não quero saber.
A vida e o tempo já não cobram de mim nada que não tenha dado, sentido ou doado.
O amor, este me rega as veias de uma forma sem tamanho.
Busco sempre encontrar o calor da minha verdade
E ela é tão ardente que me inspiro no Sol
E a comparo com a minha vida;
Meu maior deleite nas manhãs:
Abrir a janela e deixá-lo entrar;
Entrar e aquecer.
É como um soluço incontido,
Sai da memória manhãs tão lindas...
Olhando por sobre as janelas,
Vejo as montanhas altas de verdes,
Paraíso que é chamado, por ser assim, de Sol.
Me encanto, me encanta e canto
Em notas que desconheço
Esta música matinal,
Que me dá de presente tanta melodia e prazer.
Sou amante do Sol, sou a própria Lua
Que neste alvorecer fica nua
E vestida de tanto sentimento...
Viagem de emoção;
Minha respiração muda
E meu coração se contrai com mais força e compreensão
E penso numa canção do Roberto, onde ele canta: “Além do horizonte”.
Sorrio, faço um tour, vou até o meu paraíso,
Onde a passarada com alegria certamente desperta e canta.
O Sol, sempre tão belo,
Meu mensageiro do amor...
Minha, quase sempre, inspiração;
Eterna e doce visão.
Talvez, por isto, eu goste tanto das janelas...
Pois são elas a moldura das manhãs...
Aurora boreal, temporal ou arco-íris.
Mas eu, daqui, assisto ao Sol que me deixa tão excitada e sonhadora...
Do Sol, amante;
De calor, plena.
Olho em volta, tomo meu café feliz.
Nesta manhã em que meus olhos despertam, assisto tão belo cenário.
Obra de Deus;
Fruto da vida;
Excelência da natureza.
Vivo em meu ser, és magnífico, és o rei da manhã,
A fotografia real do Universo; da minha visão, meu pomar de luz,
Transbordante de raios que cintilam dentro e fora do meu peito;
Festa do meu olhar; oração que digo em silêncio;
Minha paisagem divina; meu Sol.
A cara da manhã.

(Ednar Andrade).

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Editando no teu Corpo


Foto encontrada na web.

Deslizo poemas do meu idioma
No editor da tua pele
Rimas ardentes, quentes, estrofes rimadas
Harmonizando o “sol” em sua nota "la, sem dó" em versos da nossa música
Falo a língua do teu corpo com minhas mãos reproduzindo os teus gestos
Dormências dos dedos na grafia sonora
Respeitando teu ritmo e tempo no teclado musical
Poemas sem recatos escritos com as lavas do teu vulcão, em constante erupção
Rimas com o magma expelido em sons ungidos das tuas chamas
Poemas que cortam com seu fio de navalha teu decote e contornos
A figura de linguagem é a nossa do desejo
Grito a nossa língua em ardentes beijos


(El Brujo).

terça-feira, 25 de maio de 2010

Fins de tarde



... E à tardinha... Eles voltavam. Passavam em minha porta, chapéus rasgados, pés descalços, cigarro de palha... Um a um, olhavam para o meu sisudo pai que ali estava sentado em todos os finais de tarde, como quem fazia uma oração, postado à porta. Uma velha cadeira, como que saudando à tarde. Lembro-me do muro da minha casa, pintado em amarelo... Janelões protegidos por grades de ferro... De frente para o pôr-do-sol. Rua de areia, não havia asfalto e lá eles vinham... Eram os pescadores, que voltavam para o lar... Passavam um a um, nos cumprimentavam, com uma reverência incomum: - boa tarde, senhor! – boa tarde, sô – meu pai respondia.
 
Era um ritual que antecedia a Ave Maria de Gounod. Eu recostada no muro, achava maravilhoso aquele calor, para ver a tarde cair. Lá da cozinha, um perfume exalava... Batatas-doce, uma boa carne assada na brasa; um banquete nos esperava... Tia Zefinha, uma boa senhora que nos criou, companheira das lutas domésticas, fazia o café. Aquilo era como um incenso que sinalizava a noite... Meu pai, homem forte... Musculoso, bonito, cabelos lisos, bem-humorado – herdei dele o riso... Homem sério, homem calado. Parece que tinha o saber, para mim ele era o livro – havia nele um mistério, eu não conseguia ler. Mas era lindo o anoitecer. Ás vezes, ouvíamos um som, era o sinal, um aviso de que o navio aportado anunciava a partida. E ele me dizia sábio: “o navio está indo embora”. Relatos da minha vida, partes da minha história.
 
Este homem mudo e tão calado e falava dos astros, das estrelas, das estrelas cadentes e eu ficava contente; de tudo que ele dizia, era eu crente. Momento que não esqueço e quando assim, de repente, ouvia no rádio a canção mais bela, que até hoje escuto: “Ave... Maria... Maria, Maria...” Então minha mãe chegava à porta e anunciava o jantar. Ali começava uma ceia, meu pai, minha mãe, meus irmãos... Era uma comunhão que o tempo não vai apagar.



(Ednar Andrade)*****