quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Verbos




Tecendo alguns verbos,
Enquanto degusto a inquietude das mãos,
O desarrumado da caixa de linhas contém contas de vidro e de cristais...
Coloridas em todos os tons... Observo...

Eles desabam sobre ombros e olhares, desfiam, letras, fazem e desfazem...
São verbos, palavras sutis ou sisudas, sábias palavras ou vãs....
São linhas, são traços, são risos e tempo; verbos....
Em todos os tempos e lugares....

São templos...
Altares,
Precisos
Austero,
Vagares e divagar...

INFERNOS; CÉU NÃO.

Estão na minha, na tua boca,
Nos medos calados de cada olhar, são fatos, fotos, sorrisos e nada.
São verbos soltos, tontos, tantos ao vento e nau....
Na vida, na sorte, no leito, na morte.

INVERSOS,VERBOS...

Quem deles foge?
Quem deles só rir?
Com eles, tudo ou nada.
Sem eles...... (                )

(Ednar Andrade).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Até o fim



Perguntava-me à pouco tempo sobre coisas e pensamentos tão diversos...
Pensamentos são como grandes aves – voam longe com asas gigantes em busca do seu viver e desconhecem a razão e o medo...

Assim são os pensamentos, viajantes em seus labirintos de sins e nãos.

Vezes, obscuro; outras como pássaros felizes, em bando batendo asas azuis...
No verde dos meus, todos os cantares e desencantos.

Carrego comigo uma ave noturna que não me deixa, por mais que busque, eu, dela fugir.

Sou como o canto seco do Acauã chamando a chuva e dentro das noites e nos fins de tarde é natural que o meu canto se espalhe, onde a minha seca corta o chão.

Ontem ia na direção da ilha, cá pensava e quase chorava, não fosse o grande esforço que fiz e contive a emoção...

... Então perguntava-me, fazia-me perguntas sobre o amor, sobre amar, desta forma ou daquela, se existe uma forma comum de dizer-se ou sentir-se tal sentimento, se tantas vezes não se toca o objeto amado, se não se vive a aventura de caminhar na vida lado a lado.

Passando por entre cercas e pedras da estrada, eu te sentia, eu me sentia como alguém que faz parte da vida, dentro da minha historia, porém como personagem oculto... E vivo, deito, acordo e sonho e vives e deitas e acordas e sonhas e espero e esperas e não toco ou não tocas, que vagamente vês ou vejo.

Perguntas brotam da minha espreita, como bolinhas de champanhe em efusiva anarquia dentro do meu eu... Tirando, assim, meus pés da real expectativa do que sou e do que somos. Nada pode mudar o tempo, nem o que há de vir; seja o que for.
Mas, penso que tantas perguntas que me faço, também deves fazer a ti...................................?

............... Por que, mesmo sendo alegres, cheios de esperanças, alguma beleza que ainda nos reste, somos carne e mortais e dentro desta fortaleza que a vida parece-nos mostrar, só existe uma verdade: a vida vai acabar.... Assim como um filme, um livro bom cheio de emoção e depois volta ao armário e dele só imagens nascida do que foi narrado e absorvido para quase sempre.

A vida é, sem dúvida alguma, efêmera e a morte, prosaica e fria.

E lá vou eu, noite adentro, ave noturna, num canto místico de choro e riso, adentrando o vazio e vem a aurora e eu e tu e todos, mais perto do ponto que pode ser o final.

Qual é o final?

Insisto.

Contida, partida, aos versos, reversos...

Palavras são:
A VIDA,
O TEMPO,
O SILÊNCIO,
AS VERDADES,
AS MENTIRAS,
“O REAL E A FANTASIA SE SEPARAM NO FINAL”, ALGUÉM DISSE.

... E resta a fresta, o veio, o fio da esperança que não sabemos se verde ou sépia... Não é desespero, é a profundeza de viver agora, de mergulhar até o fim.

(Ednar Andrade).









terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ápice



… É mistério…
Se para morrer, nascemos,
Para que viver?
… É mistério…
É menos que sonho,
Mera caminhada vã.
Inútil é querer, sofrer, desejar, amar
Se para morrer, estamos?
Então – para que
- nascer, querer, sonhar, sofrer?
Se para morrer, nascemos.
É mistério?
Para que nascer, se para morrer vivemos?
Morrer é a glória sem glória,
É o ápice da espera; o final.

(Ednar Andrade),


domingo, 6 de janeiro de 2013

Fragmento




Hoje..............

Estou como diria Vanusa: vasculhando minhas gavetas, arrumando as ideias... Dando ordem de comando ao que está fora do lugar na minha louca vida.

É preciso retirar os fragmentos tolos que se escondem nas frestas da alma, bater bem o pó.... Retirar o que não nos serve nem como lembranças......Para assim aprender a respirar o ar mais puro que ainda houver no pulmão dos sentimentos...... Poucas palavras me prendem e só por elas estou decidindo o meu destino agora, pois aprendi que destino escolhemos.... Ele não nos invade.
Estou fazendo uma escolha, não sei se vou não sei se fico. Talvez vá.........

O domingo acabou.... Agora que o sol se foi.... E eu sou como a noite, quieta e sem luz, apenas sons que só eu escuto ficam comigo e aguardam na quietude da minha boca.

(Ednar Andrade).




sábado, 22 de dezembro de 2012

Natal



Festa de plebeus e nobres.
Nozes, luzes, presentes, árvores,
Papai Noel, as lojas em promoção,
Corre-corre nos shoppings,
Sapatinho na janela, guirlandas, a cidade em festa,
Profusão de cores, expectativas, sonhos,
A felicidade na efeméride da confraternização.
Na parede, Jesus, em uma cruz,
Aguarda o convite da festa.

(Danclads Lins de Andrade).

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Festa divina?




Todos falam de festa (Festas) O mundo parece que espera uma fusão de felicidade e sonhos... Luzes e cores em toda parte, anjos de papel, pura arte.
Sinos e sons, canções e versos. É tudo tão controverso. E onde mora a paz?

Papai Noel é o rei ou o aniversariante? Parece que há uma con-fusão no sentido da data.
*
Quem nasceu em Dezembro?
Quem trouxe a paz e as promessas?
Quem deu pelo homem a vida?
Quem acendeu nos corações o amor?
Quem tão humilde em simples manjedoura nasceu e brilhou?
Quem anunciou a paz entre os homens?
Quem é o menino tão pobre e lindo?
(............)
*
PAPAI-DO-CÉU
“Sempre novo” nos abençoa e enche de graça e de paz.... Sempre paz......
Nos dá todos os dias, mesmo que não mereçamos sua benção e raros presentes.
Nos dá flores, Sol e mar, pássaros, rios e verde. Tudo enfim ...E como se não bastasse, Deus deu ao mundo seu amado filho, seu grande e único amor.
Mas o homem tudo faz errado, nada agradece, não aprendeu o mandamento que salva a todos de tudo que está errado: AMOR.
Natal Festa divina, festa de amor fraterno, festa ao Deus menino...
É festa do alter-ego, deuses inflados.

Festa na mesa de alguns...
Fome na rua dos meninos,
Fagulha apagada nos abandonados...
Nos bêbedos, nos viciados: a fome voraz cracoolizados....
Mas é Natal e nas lojas tudo é colorido e caro, tudo é de alguns...
E o que resta é encher a cara de festa, engolir falsos sorrisos, usar o melhor vestido, rir louco, desordenado, - sem aplausos o menino - sem se importarem com os velhos, com os pobres descalços e sujos...
Aqueles que não têm lar, nem bolo, nem panetone. Comem do lixo o que sobra da festa mentirosa e porca.

...Então é Natal e o que você fez?

(Ednar Andrade).

domingo, 2 de dezembro de 2012

Ser rei



Espero a esperança
Do meu lado ficar,
Como eu sempre sonhei.
Amar uma criança
É melhor que se amar;
É como ser rei.

(Ana Júlia Barreto Coelho Andrade Dos Santos).

sábado, 1 de dezembro de 2012

Dezembro




Mais uma vez, Dezembro.
Mas uma vez, Promessas...
Mais um Dezembro e fé.
Uma vez mais, a vida.
Mais uma esperança.
E brilha, nos olhos, uma eterna estrela *
Nasce e renasce, em todos, a luz....
Nasceu o menino.
Seu nome é Jesus*

Feliz natal.

(Ednar Andrade).

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Livro









"Vai passar, eu sei que vai passar"
(Caio Fernando Abreu).


Respiro profunda e inutilmente
E balbucio um texto
("Vai passar, eu sei que vai passar")
Mas eu apenas
Balbucio;
Certeza que passa,
Não tenho.
Preciso comer este texto
Para alimentar a esperança
Que não tenho
E, dizendo a mim mesma,
Tudo passa, inclusive
Eu
Que sigo...
Olhos abertos;
Peito fechado;
Punho cerrado.
Em certos pontos da vida,
Somos como um livro jogado.
Uma história,
Digamos,
Até interessante...
Mas, largado num canto,
Lá está:
Esquecido, empoeirado
E dentro dele
Toda história,
Todos os silêncios,
Todas as exclamações
E uma inútil interrogação
Insiste
Em contar fatos.
Suas verdades
São como contos
Mal-assombrados
Bizarros,
Macabros.
Um dedo na narina;
Outro na ferida.
Assim, respira
Um livro fechado.
Uma porta,
Duas insinuações de janela,
Uma caixa com fendas
E uma teimosa alma
insistindo em vazar pela fresta.
O dia dorme;
A noite acorda.
Feito de contrastes,
O relógio parece querer enganar
O tempo veloz
Que,
Irreverente, nada tem a ver
Com a indiferença
Que permeia
O desabitado
Mundo meu.
Feriado é como dia de enterro:
Morto,
Posto entre as paredes
E a luz fluorescente
E através das escadas sujas,
Mal postas que me dão acesso
Às batidas do coração,
Implodo
Numa busca que me parece inútil
E é inútil tentar
Fazer e dar sentido
Ao que está morto.
É inútil adoçar o café,
Mastigar o pão.
Inútil é, também,
Abrir os braços
Para doar
E pedir abraço.
(Há braços estendidos
Que abraçam apenas o vão
E mãos vazias de corpos gelados
Que desfiam sorrisos vagos).
... Não quero me enganar;
Não gosto da mentira.
Dela tenho total pavor,
Mas a feia verdade é bela,
Penso nela
Como alguém que num deserto ]
Entende
Que a verdade é:
Ainda posso respirar,
Mesmo que por uma narina.
Passar, talvez, não passe.
Mas, deixará nos pés feridos, calejados
De quem pisa em brasa,
De quem beija espinhos,
Marcas,
Como troféus
E dentro das feridas,
Um livro jogado, esquecido
Entre a poeira e o sangue.

(Ednar Andrade).

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Silêncio de caboclo


   ("O Caipira", de Almeida Júnior).

Sentado, naquela pedra,
O caboclo chora e sonha;

Sentado, naquela pedra,
O caboclo chora e ri;

Depois, como quem come,
Faz um cigarro e pita

E brinca de que acredita
No que a vida faz sentir.

Sentado, naquela pedra,
O caboclo, para ninguém, mágoas, conta

E o vento, apenas o vento,
Passa e lhe sorri.

Depois o cigarro apaga,
O caboclo engole a mágoa...

Cospe, olha em volta,
E deitado, naquela pedra,...

Olha pro céu... Assovia...
Faz dela, cama macia;

Cobre-se de desencanto, encolhido no seu canto,
Olha o sol...; já é dia.

(Ednar Andrade).