sexta-feira, 8 de março de 2013

Quem dera um dia, ser mulher todos os dias...



Aprendi muito cedo o gosto amargo desta desigualdade. Onde mulheres não podiam, mas... F...  Mesmo sem ter vontade.

Obrigada a casar muito cedo, levei comigo na bagagem um filho no ventre e bonecas na sacola. Da vida, nada entendia e do meu silêncio fiz pão que me tecia lágrimas como alimento. Por tudo, ou por quase tudo isto que descreves, passei. Tive eu mesma que atear fogo nos meus escritos, um imenso saco de Nylon, contendo cadernos e mais cadernos com anotações e poesias que eram meu refúgio e segredo... Lá estava minha "salgada" história feita e regada a dor e sofrimentos. Certo dia fui obrigada a fazer uma fogueira com tudo que escrevi desde os treze anos, pois o meu “dono” descobriu que eu os guardava debaixo do colchão... Aos 17 anos me viam mulher, eu era só uma menina que obedecendo a ordens tive que casar e largar a escola*. Mulher casada não podia nem precisava estudar. Isto era coisa de mulher que queria ser P... Não foram fáceis os caminhos e descaminhos que pisei... Aos 22 anos, ainda menina, cuidava e educava três meninos (Rs...). Cresci junto com eles e sempre tive um sonho de tornar-me livre daquela escravidão, onde em bandeja luzente de machismo e falsidade, um LOUCO me impunha toda sorte de MALDADES E MANIPULAÇÕES.

Felizmente em 1982, já cansada e querendo respirar, abri a janela e pulei fora. Isto me parecia bom, um bom desfecho: a glória!!

Hum... Não, não era ou não foi ainda. Desde que saí pela janela, encontrei uma porta cá fora que me mostrou onde mora a liberdade e só vai realmente tê-la quem lutar por matar toda sorte de maldade.

Este pequeno e simples comentário é apenas um suspiro de liberdade... Quem sabe um dia eu possa realmente contar esta história com detalhes.............Rs... Mas aqui, neste momento, parei como quem assiste a um filme, onde mulheres implícitas neste teu poema, mostram-me como é bom poder hoje, ver-me MULHER aos quase 56, feliz e livre!!!

Ser mulher, não é apenas ter uma vagina.

Mulheres, LUTEM!!!!!!!!!!!!!!!!

A vida é hoje, ser feliz é urgente.
(Ednar Andrade).

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Boletim de Ocorrência

BOFETADA
PALAVRÃO
ROUPA RASGADA
TAPA NA CARA
AMEAÇAS
ARRANHÕES NO PESCOÇO
MENTIRAS
INSULTOS
TENTATIVAS DE SUÍCIDIO
PINTURA DESTRUÍDA
LIVRO INCENDIADO
LEPTOP JOGADO NA PAREDE
HUMILHAÇÃO PÚBLICA
TENTATIVAS DE ESTRANGULAMENTO
EXTORSÃO E AÇOITE
PROIBIÇÃO DE SE DIZER O QUE SE PENSA
SANGUE NA LÁPIDE
HOMICÍDIO DOLOSO
PROIBIÇÃO DE SE FAZER O QUE SE SENTE
SILÊNCIO
GRITO HOMOFÓBICO
DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS
ETERNO RETORNO DA PEDOFILIA
ESTUPROS
ESTATÍSTICAS DE MAIS VIOLÊNCIA
NOVAS VÍTIMAS
DELEGACIA
LUTO!!!

(Tânia Lima).





segunda-feira, 4 de março de 2013

Digitais



Do teu jeito.

É este teu sorriso ,
Vezes triste,
Vezes menino,
Sempre lindo ...Safado...

Que acende a chama do meu
Sempre pra ti,
Sempre querendo beijar o teu.
São estes silêncios,


Cheios de sussurros...
Gritando tudo ,gemendo...
Que me faz te amar....
Assim,pra mim...

(Ednar Andrade).

Quem sabe?



Tinha um olhar de santo,
Quem sabe monge.
Nas mãos um tridente ...
Na boca mel,no peito quem sabe...?

Tinha a voz suave ,
Com os pássaros, parceria.
Se anjo ou demônio,
...Ninguém saberia...

Invade o que se chama calma
Faz sangrar,rasga o peito,dói e faz bem...
Dizem que é como prece;cura.
Mata de dor e de saudade

É céu é inferno.
Cedo e tarde...
Hoje não sei ,amanhã quem sabe?
...Diz que é amor...Quem sabe?

(Ednar Andrade).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Verbos




Tecendo alguns verbos,
Enquanto degusto a inquietude das mãos,
O desarrumado da caixa de linhas contém contas de vidro e de cristais...
Coloridas em todos os tons... Observo...

Eles desabam sobre ombros e olhares, desfiam, letras, fazem e desfazem...
São verbos, palavras sutis ou sisudas, sábias palavras ou vãs....
São linhas, são traços, são risos e tempo; verbos....
Em todos os tempos e lugares....

São templos...
Altares,
Precisos
Austero,
Vagares e divagar...

INFERNOS; CÉU NÃO.

Estão na minha, na tua boca,
Nos medos calados de cada olhar, são fatos, fotos, sorrisos e nada.
São verbos soltos, tontos, tantos ao vento e nau....
Na vida, na sorte, no leito, na morte.

INVERSOS,VERBOS...

Quem deles foge?
Quem deles só rir?
Com eles, tudo ou nada.
Sem eles...... (                )

(Ednar Andrade).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Até o fim



Perguntava-me à pouco tempo sobre coisas e pensamentos tão diversos...
Pensamentos são como grandes aves – voam longe com asas gigantes em busca do seu viver e desconhecem a razão e o medo...

Assim são os pensamentos, viajantes em seus labirintos de sins e nãos.

Vezes, obscuro; outras como pássaros felizes, em bando batendo asas azuis...
No verde dos meus, todos os cantares e desencantos.

Carrego comigo uma ave noturna que não me deixa, por mais que busque, eu, dela fugir.

Sou como o canto seco do Acauã chamando a chuva e dentro das noites e nos fins de tarde é natural que o meu canto se espalhe, onde a minha seca corta o chão.

Ontem ia na direção da ilha, cá pensava e quase chorava, não fosse o grande esforço que fiz e contive a emoção...

... Então perguntava-me, fazia-me perguntas sobre o amor, sobre amar, desta forma ou daquela, se existe uma forma comum de dizer-se ou sentir-se tal sentimento, se tantas vezes não se toca o objeto amado, se não se vive a aventura de caminhar na vida lado a lado.

Passando por entre cercas e pedras da estrada, eu te sentia, eu me sentia como alguém que faz parte da vida, dentro da minha historia, porém como personagem oculto... E vivo, deito, acordo e sonho e vives e deitas e acordas e sonhas e espero e esperas e não toco ou não tocas, que vagamente vês ou vejo.

Perguntas brotam da minha espreita, como bolinhas de champanhe em efusiva anarquia dentro do meu eu... Tirando, assim, meus pés da real expectativa do que sou e do que somos. Nada pode mudar o tempo, nem o que há de vir; seja o que for.
Mas, penso que tantas perguntas que me faço, também deves fazer a ti...................................?

............... Por que, mesmo sendo alegres, cheios de esperanças, alguma beleza que ainda nos reste, somos carne e mortais e dentro desta fortaleza que a vida parece-nos mostrar, só existe uma verdade: a vida vai acabar.... Assim como um filme, um livro bom cheio de emoção e depois volta ao armário e dele só imagens nascida do que foi narrado e absorvido para quase sempre.

A vida é, sem dúvida alguma, efêmera e a morte, prosaica e fria.

E lá vou eu, noite adentro, ave noturna, num canto místico de choro e riso, adentrando o vazio e vem a aurora e eu e tu e todos, mais perto do ponto que pode ser o final.

Qual é o final?

Insisto.

Contida, partida, aos versos, reversos...

Palavras são:
A VIDA,
O TEMPO,
O SILÊNCIO,
AS VERDADES,
AS MENTIRAS,
“O REAL E A FANTASIA SE SEPARAM NO FINAL”, ALGUÉM DISSE.

... E resta a fresta, o veio, o fio da esperança que não sabemos se verde ou sépia... Não é desespero, é a profundeza de viver agora, de mergulhar até o fim.

(Ednar Andrade).









terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ápice



… É mistério…
Se para morrer, nascemos,
Para que viver?
… É mistério…
É menos que sonho,
Mera caminhada vã.
Inútil é querer, sofrer, desejar, amar
Se para morrer, estamos?
Então – para que
- nascer, querer, sonhar, sofrer?
Se para morrer, nascemos.
É mistério?
Para que nascer, se para morrer vivemos?
Morrer é a glória sem glória,
É o ápice da espera; o final.

(Ednar Andrade),


domingo, 6 de janeiro de 2013

Fragmento




Hoje..............

Estou como diria Vanusa: vasculhando minhas gavetas, arrumando as ideias... Dando ordem de comando ao que está fora do lugar na minha louca vida.

É preciso retirar os fragmentos tolos que se escondem nas frestas da alma, bater bem o pó.... Retirar o que não nos serve nem como lembranças......Para assim aprender a respirar o ar mais puro que ainda houver no pulmão dos sentimentos...... Poucas palavras me prendem e só por elas estou decidindo o meu destino agora, pois aprendi que destino escolhemos.... Ele não nos invade.
Estou fazendo uma escolha, não sei se vou não sei se fico. Talvez vá.........

O domingo acabou.... Agora que o sol se foi.... E eu sou como a noite, quieta e sem luz, apenas sons que só eu escuto ficam comigo e aguardam na quietude da minha boca.

(Ednar Andrade).




sábado, 22 de dezembro de 2012

Natal



Festa de plebeus e nobres.
Nozes, luzes, presentes, árvores,
Papai Noel, as lojas em promoção,
Corre-corre nos shoppings,
Sapatinho na janela, guirlandas, a cidade em festa,
Profusão de cores, expectativas, sonhos,
A felicidade na efeméride da confraternização.
Na parede, Jesus, em uma cruz,
Aguarda o convite da festa.

(Danclads Lins de Andrade).

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Festa divina?




Todos falam de festa (Festas) O mundo parece que espera uma fusão de felicidade e sonhos... Luzes e cores em toda parte, anjos de papel, pura arte.
Sinos e sons, canções e versos. É tudo tão controverso. E onde mora a paz?

Papai Noel é o rei ou o aniversariante? Parece que há uma con-fusão no sentido da data.
*
Quem nasceu em Dezembro?
Quem trouxe a paz e as promessas?
Quem deu pelo homem a vida?
Quem acendeu nos corações o amor?
Quem tão humilde em simples manjedoura nasceu e brilhou?
Quem anunciou a paz entre os homens?
Quem é o menino tão pobre e lindo?
(............)
*
PAPAI-DO-CÉU
“Sempre novo” nos abençoa e enche de graça e de paz.... Sempre paz......
Nos dá todos os dias, mesmo que não mereçamos sua benção e raros presentes.
Nos dá flores, Sol e mar, pássaros, rios e verde. Tudo enfim ...E como se não bastasse, Deus deu ao mundo seu amado filho, seu grande e único amor.
Mas o homem tudo faz errado, nada agradece, não aprendeu o mandamento que salva a todos de tudo que está errado: AMOR.
Natal Festa divina, festa de amor fraterno, festa ao Deus menino...
É festa do alter-ego, deuses inflados.

Festa na mesa de alguns...
Fome na rua dos meninos,
Fagulha apagada nos abandonados...
Nos bêbedos, nos viciados: a fome voraz cracoolizados....
Mas é Natal e nas lojas tudo é colorido e caro, tudo é de alguns...
E o que resta é encher a cara de festa, engolir falsos sorrisos, usar o melhor vestido, rir louco, desordenado, - sem aplausos o menino - sem se importarem com os velhos, com os pobres descalços e sujos...
Aqueles que não têm lar, nem bolo, nem panetone. Comem do lixo o que sobra da festa mentirosa e porca.

...Então é Natal e o que você fez?

(Ednar Andrade).

domingo, 2 de dezembro de 2012

Ser rei



Espero a esperança
Do meu lado ficar,
Como eu sempre sonhei.
Amar uma criança
É melhor que se amar;
É como ser rei.

(Ana Júlia Barreto Coelho Andrade Dos Santos).