quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Romantismo


*Cecília Meirelles desenhada de Arpad Szénes




Seremos ainda românticos
- e entraremos na densa mata,
em busca de flores de prata,
de aéreos, invisíveis cânticos.

Nas pedras, à sombra, sentados,
respiraremos a frescura
dos verdes reinos encantados
das lianas e da fonte pura.

E tão românticos seremos
de tão magoado romantismo,
que as folhas dos galhos supremos
que se desprenderem no abismo

pousarão na nossa memória
- secas borboletas caídas -
e choraremos sua história,
- resumo de todas as vidas.

Cecìlia Meireles (in Mar Absoluto) 





RECEITA DE UMA VIDA.

(D. Cacilda, 92 anos)

Jogue fora todos os números não essenciais para sua
sobrevivência.
Isso inclui idade, peso e altura. Deixe o médico se preocupar com eles.

Para isso ele é pago. Freqüentemente dê preferência a seus amigos alegres. Os "baixo astrais" puxam você para baixo.
Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa.
Não deixe seu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é a oficina do diabo. E o nome do diabo é Alzheimer.

Curta coisas simples. Ria sempre, muito e alto.
Ria até perder o fôlego.
Lágrimas acontecem. Agüente, sofra e siga em frente.
A única pessoa que acompanha você a vida toda é VOCÊ mesmo.
Esteja VIVO, enquanto você viver.
Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: pode ser
família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, o que for. Seu lar é o seu refúgio. 

Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a.
Se está instável, melhore-a.
Se está abaixo desse nível, peça ajuda.
Não faça viagens de remorsos.
Viaje para o shopping, para cidade vizinha, para um país
estrangeiro, mas não faça viagens ao passado.
Diga a quem você ama, que você realmente os ama, em todas as oportunidades.


E LEMBRE-SE SEMPRE QUE:


 "A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego...
 de tanto rir... de surpresa... de êxtase...de felicidade..."
(D. Cacilda, recifense, 92 anos)


E-mail recebido, enviado pelo meu amigo Marcos Antônio Pinto*****

domingo, 8 de novembro de 2009

Verdades ou Mentiras?


Onde se esconde da mentira "a verdade"?
O silêncio do grito...
No grito do silêncio?
A luz dos dentes é o sorriso. 
Os dentes sem o riso ficam cegos e limitam-se ao que mastigam e fazem caras agudas como pregos; um rostinho doce, amargo e... velho...
Os sonhos do homem não podem ser fracos; precisam ser maiores que ele... carece ter sonho para continuar vivendo, amando, vencendo e chegar até onde a meta galgar o degrau e olhar lá de cima o tamanho do menor, o peso do ar e a importância de um bom oxigênio.

Sei que às vezes, que são muitas, poucas nisso cremos. As pessoas fermentam bem mais que precisam e tornam-se seu próprio veneno.
Sei de casos de mortalidade moral e espiritual e outras e lamento.
E o conserto para isso ninguém melhor que o tempo; que transforma a noite em dia; hoje em ontem, atrapalhando a bússola dos desejos no momento de cada momento.
O que é um grande rio? (  )
Se a água viaja para outros leitos, deixando estéril de entusiasmo a areia, branca e seca e ali, havia um rio...
Minha cabeça entra em erupção, quando começo a pensar, até mesmo acho que seria chamada de louca, dizendo estas coisas aos outros que estão mais preocupados com a informática, com as mudanças estatais, politicamente políticas para me fazerem política...
O Ser mais importante do universo tornou-se escravo de si; luta por uma liberdade retardada, tarada, retorcida, esquecendo de achar uma saída eficazmente infalível: o amor a Deus e ao próximo.
Ele, o homem, treme de medo de si. Uma vez disse Sílvio Brito: "Tá todo mundo louco! Oba!!"


(Ednar Andrade)*****


________________
*Texto escrito em 12.01.1986.


Obs.: Você não precisa concordar. Leia, vire a página, esqueça, delete!


"Eu escrevo; você pensa" (Ednar Andrade).


"Não me leve a sério; sou quase humorista" (Ednar Andrade).

Frases (12.01.1986)




"Da dor, quem não a sabe, foi certamente abortado" (Ednar Andrade)*****


"Contento-me com a felicidade que tenho, pois não sinto saudade da que não tive" (Ednar Andrade)*****


"Os dias são todos iguais, exceto quando chove" (Ednar Andrade)*****


"A única certeza que temos, nos dá incertezas demais" (Ednar Andrade)*****


"Nada vale tanto mais que o instante em que é" (Ednar Andrade)*****


"Não tive amores, tive amor por meus amores" (Ednar Andrade)*****


"A dúvida embaça os desejos" (Ednar Andrade)*****


"A saudade existe no instante em que a carência engravida" (Ednar Andrade)*****


"Vale mais um amor ausente, que a moeda corrente" (Ednar Andrade)*****


"Como tudo que nasce, o amor também nasce ou não morre" (Ednar Andrade)*****


"Bobagens, bobagens, só bobagens. O que é que não é bobagens?" (Ednar Andrade)*****


"Se um dia eu partir, que eu não fique tarde" (Ednar Andrade)*****


"O amanhã é só uma lacuna (  )" (Ednar Andrade)*****


"Não tenho medo do ódio; disso, sou deficiente" (Ednar Andrade)*****


"Duas coisas me fascinam: viver e... morrer" (Ednar Andrade)*****


"Em cada solidão, você se tem ao seu lado" (Ednar Andrade)*****


"Faço da minha insônia, minha hora de lazer" (Ednar Andrade)*****


"Só serviria ser flor, sendo sempre viva" (Ednar Andrade)*****


"A distância aproxima a ausência" (Ednar Andrade)*****


"Nada tenho dito ou dado" (Ednar Andrade)***** 


"Escrevo; você pensa" (Ednar Andrade)***** 















































É duro ter coração mole




Por favor
não me aperte tanto assim
tenha cuidado, pega leve
olha onde pisa
isso é meu coração
meu ganha-pão
instrumento de trabalho,
meio de vida, profissão
meu arroz com feijão
meu passaporte
para qualquer parte
para qualquer arte
não machuque esse meu coração
preciso dele
para me levar a Marte
sem sair do chão
não me aperte
não machuque
tome cuidado
eu vivo disso
poesia, sonhos
e outras canções
sem emoção
morro de fome
sinto muito
mas não há nada
que eu possa fazer
sem coração

(Alice Ruiz).

Bilhete ao meu poeta *Zé*






Não sei por que amigo, mas desde criança, sábado para mim é preto e branco, não sei por quê; mas o Domingo me anuncia um vermelho lindo, reluzente, resplandecente. Enfim, o Domingo é sempre colorido, transcendente... talvez, seja porque é a cara do Sol; a cara do Verão... É como casca de tangerina; biscoitos waffle, com sabor de abacaxi; suco de maracujá; hortelã no arroz; peixe na casa de mãe; chegar da praia salgada; comer couve desfiada; tomar um vinho; sair com a família; tudo isso para mim é Domingo. Ver você na telinha... Beijos, amigo!

Hoje é domingo... Reverencio o Domingo, tanto que o escrevo com "D" maiúsculo, não me pergunte por que, tentei explicar Zé, mas assim, numa manhã de Domingo, que acordo, abro a janela da minha sala e vejo o Sol assim, entrando, me aquecendo, me enchendo de vida, é inevitável, é quase, sem querer, mergulho numa saudade feliz e lembro que no calendário da infância os domingos eram marcados em vermelho, talvez por isso ou, certamente, porque Domingo é sempre um dia lindo.

Domingo é aquele dia que vejo os amigos; que acordo cedo; ao contrário dos outros, que faço um suco delicioso, numa mistura de tomates, cenoura e limão e sorvo, como quem sorve, na ausência, pitangas, fruta já citada em outro texto. Aí me vem tu, amigo que amo, e como amo... Amigo que me escuta, que me compreende, às vezes surpreende, como nesta manhã, com um poema quente, novo, inacabado até, diz que escreve pensando em mim, assim, assim e “apenasmente” (rsrsrs)... Por que Domingo é, por que vermelho é, por que tudo, enfim, é Domingo... Beijos muitos, muitos amigo Zé.  

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Apenas um crânio?





Quando o presente for ontem,
Quando as lembranças da "vida" forem, 
No futuro, presente,
O presente muito ausente
Será apenas a mente 
Que ri ou chora, suponho...
Quando sombras já retidas 
Do meu agora forem sonhos
Já não sei se minha mente
Será (apenas) um crânio...
Quando falo em tudo isto,
Isto pra mim é estranho;
Não tenho medo, não fujo;
"Nada é eterno", alguém disse e eu confirmo:
"É um sonho"
"Passamos a vida dormindo
E vivemos um incerto sonho..."
Quando tudo já for cinzas, 
o meu passado medonho
Me fará grande surpresa 
descobrir que o ontem é hoje.


(5/7/1982)


(Ednar Andrade)*****



Rifa-se um coração


Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.

Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que 
Tim Maia
estava certo quando escreveu…
“…não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero…”.
Um idealista…Um verdadeiro sonhador…

Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.

Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.

Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando 
o tempo,
defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
“O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer”

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.




Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

Frases de Caio Fernando Abreu:




"Acho que sou bastante forte para sair de todas as situações em que entrei, embora tenha sido suficientemente fraco para entrar."





























































quinta-feira, 5 de novembro de 2009