segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Grandiosas miudezas



“A estrada que leva ao hoje será sempre... O hoje” (Ednar Andrade).


Parou em frente ao espelho e se surpreendeu: viu no rosto uma imagem de mulher... Já com rugas, mas que, mesmo assim, guardava uma juventude desafiadora da cronologia: aparentava muito mais nova do que realmente o era. O tempo pareceu ser-lhe generoso e ela sentiu um acréscimo maior de auto-estima. Quis certificar-se de que os anos tinham passado e recorreu à sua “cápsula do tempo”: um pequeno baú que continha lembranças, objetos, testemunhas de um tempo ido e vivido.

Reminiscências... Fotos já em sépia; cartas com bordas arabescas escritas em caligrafia impecável, digna dos palimpsestos medievais; um relógio de algibeira com o vidro quebrado e os ponteiros congelados no tempo; cartões postais de onde esteve e as datas neles postadas indicavam a severidade de Cronos; e outros objetos amealhados ao longo de quase... Bem, a cronologia é dispensável, o que importa não são os anos acumulados, mas a vida aproveitada, o “carpe diem” levado a efeito.

Ah! E o que estas grandiosas miudezas testemunharam? Viagens, tanto no interior do país, como no exterior; seu casamento, dia feliz...; seu trabalho; pessoas que lhes foram importantes e que ela nunca mais verá... Isto a fez pensar, também, que a sua vida – como a vida de qualquer pessoa – nem sempre lhe passou em tons “rosáceos”, claro que a vida lhe reservou momentos duros que a tornaram mais realista e madura. Aprendera, ensinara e... Cansara. Agora extraía da vida os louros da experiência; um quase-nirvana que a despojara do que era inútil e vazio, deixando-lhe, apenas, o que é essencial.

A axiologia extraída das vivências lhe ensinara quais são os verdadeiros valores que devemos considerar. Amor, paciência, prudência, persistência, dentre outros tantos, se mostraram mais valiosos durante esta viagem temporal.

O rosto, ainda pouco macerado pela passagem dos anos, lhe empregava uma serenidade própria dos sábios que a distinguia dos demais com quem convivia. Sabia que a contagem dos anos, das décadas, por si só, não conferem às pessoas maturidade, experiência, sabedoria; é necessário ter “radares” capazes de captar e traduzir com leveza e precisão, e por que não com arte?, os ensinamentos de tudo que vivemos e reverter em nosso proveito. “O homem quer viver e viver bem”, pensara. Este pensamento socrático a seguiu durante sua vida, norteando-a. E conseguira até ali um acordo com o tempo, extraindo dele o melhor e sabendo que não seria cobrada do que a vida não lhe tivesse dado.

Pensou em tudo isso e resolveu recolher suas lembranças, seus “portais temporais” e encarou novamente o espelho, mas, desta vez, com menos espanto e mais satisfação, pois tinha a certeza de ter contribuído para ser tão cúmplice do seu espelho e sem mágoas que a fizessem sofrer, olha-se, sorri, perfuma-se e sai num passeio matinal feliz, e sem olhar para trás... Pensou e disse em baixo tom de voz uma frase, para ela bem familiar:

“A estrada que leva ao hoje será sempre... O hoje”.

(Danclads Lins de Andrade).




domingo, 17 de outubro de 2010

Casquinha de limão




Casquinha de limão,
E uma presença viva
Em mim.
Dá para sentir o cheiro
Do forno de lenha,
Onde ali assava...
Um bolo,
Que maravilha de bolo!
Que sabor inesquecível!
Casquinha de limão...
Farinha,
Manteiga,
Gemas,
Açúcar,
Leite quente,
Casquinha de limão...
Claras em neve,
E depois de tudo batido,
A disputa pela bacia em ágata,
Lavrada em verde,
Para lamber,
Para degustar,
Não sei se era melhor
Que o próprio bolo.
Um troféu e a colher de pau,
Hum... Deliciosa colher,
Delícia, lembro...
Onde Tia Zefinha
Batia o bolo.
Depois do bolo pronto,
Eu olhava para aquela delícia...
Hum...
Um cheiro de limão no ar,
Com passas esparsas,
Quase um sorteio,
Um bolo pronto,
Passinhas no bolo,
Um dourado,
Como contracapa,
Mais parecendo moldura,
Um dourado inesquecível.
Ali estava posto,
Saía daquele forno
À lenha.
Família reunida,
Café no bule de ágata,
Café da tarde.
Doces tardes,
Tardes dominicais
Que até hoje me trazem
Do limão,
O cheiro da casquinha.
Casquinha de limão...
Bolo amarelinho,
Agora em fatias,
Enfeitando a mesa,
E todos comiam
E alguns queriam mais
E a velha tia dizia:
“Chega”.
Quem não tem na lembrança
Momentos assim,
Não viveu,
Nem foi criança.
Bolo batidinho, feito à mão
Com casquinha de limão.

(Ednar Andrade).


sábado, 16 de outubro de 2010

Faxina da Alma


Não importa onde você parou,  em que momento da vida você cansou.


Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as   esperanças na vida e, o mais importante, acreditar em você de novo. Sofreu muito  nesse  período? Foi aprendizado. Chorou muito? Foi limpeza da alma. Ficou com
raiva das pessoas?

Foi para perdoá-las um dia. Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste a porta até para os anjos.


Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da tua melhora.

Pois é... agora é hora de reiniciar, de pensar na luz, de
encontrar prazer nas coisas simples de novo.

Um corte de cabelo arrojado diferente, um novo curso, ou aquele velho desejo de aprender a pintar, desenhar, dominar o computador, ou qualquer outra coisa. Olha quanto desafio, quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando... Ta  se sentindo sozinho? Besteira, tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento".

Tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu  para "chegar"  perto de você. Quando nos trancamos na tristeza, nem nós mesmos nos suportamos, ficamos horríveis. O mau humor vai comendo nosso fígado,  até a boca fica amarga. Recomeçar...

Hoje é um bom dia para começar novos desafios.

Onde você quer chegar? Alto? Sonhe alto! Queira o melhor do melhor. Queira coisas boas para a vida. Pensando assim, trazemos prá nós aquilo que desejamos.

Se pensamos pequeno, coisas pequenas teremos. Já se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor  vai se instalar na nossa vida. E é hoje o dia da faxina mental.

Jogue fora tudo que te prende ao passado, ao mundinho de coisas tristes. Fotos, peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagens e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados.

Jogue  tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração. Fique pronto para a vida, para um novo amor.

Lembre-se, somos apaixonáveis, somos sempre capazes  de amar muitas e muitas vezes, afinal de contas, nós somos o "Amor".

Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.

(Carlos Drummond de Andrade).

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Simples assim






Simples assim, como tudo que é grandioso pode ser muito "simples", não precisa ser grande basta ser "grandioso."

Tão infinitamente supremo como o amor, sentimento que não se explica, falo do "amor", não de amor... De amor falamos ou falam todos, confessam, pintam, bordam... Mas, simples e "grandioso" sentimento, anda em falta.

Nas prateleiras, camisinhas estão à venda e há quem chame sexo de amor, quem veja ou tenha com elas afinidades, eu, sem drama e sem pretensão, prefiro amar, a ter ou não razão. Simples assim, é preciso ter simplicidade para ter ouvidos.

Assim (nesta manhã) concluo: é preciso ser grandioso para não ser apenas grande.

Olhar em volta e sentir-se amado, e grandiosamente ser feliz, feliz como as ondas que vão e vem num balanço desigual, sem questionar.
Apenas ser grandioso *e feliz, fazer também.

(Ednar Andrade).




segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Amor







O amor dorme/
No leito de um rio que corre dentro da alma de quem cala/
(...)
Vagueia ...e delirante nos ofusca/
Diz que não ama, mente/
Faz com que as nervuras das águas molhem corações/
Mente...minto, mentes.../
Mas calma , apenas sinto/
O amor desperta/
Quando o sol da vida encontra uma fresta/
Invade irreverente/
Ele apenas chega/
Assim chega as vezes sutil/
te pega , te deixa/
Abre ou fecha a porta/
Mas é o amor/
Nada a mais importa/
Quando ele chega *

(Ednar Andrade)

Sua Imagem



Uma foto, um olhar e só...
A beleza, em preto e branco,
Emoldurada por seus cabelos
Que terminavam na nudez das costas
Era o que, no início, eu via de você.
Mas sempre me perguntara,
Quem estava por trás daquela imagem?
O tempo passou, não tão rápido;
Não tão lento...
Fomos nos descobrindo
Nos revelando; nos delatando
Um para o outro...
Descobri um sentimento
Não mais experimentado...
Descortinei seu mundo,
Você desnudou o meu.
Encontrei em você muitas virtudes
E também os defeitos que mais amo.
As nossas imperfeições se encontraram
E nos completamos com nosso amor.
E hoje, que o calendário assinala
Mais um aniversário deste encontro,
Estou aqui olhando a mesma imagem,
Mas sabendo que a mulher, nela refletida,
Caminha hoje comigo; faz parte de minha vida.

(Danclads Lins de Andrade).

domingo, 10 de outubro de 2010

(Criança)

Ana Júlia (esquerda) e Bruna (direita): netas. 

                                         

Ela alimenta um sonho:
Sonho feito de                                                                    Sorvete,
                                                                                       Barbie,
                                                                     Esconde-esconde,
                                                               Amarelinha,
                                                           Bola,
                                                      Balão,
                                           Figurinhas,
                                      Chocolate,
                                 Macarrão.
Ela acredita na vida colorida
                            Do Fantasminha,
                       Pateta,
           Margarida,
       Príncipe,
  Rainha,
Emília e Picapau.

.......................................................

Quando o seu sonho acabar,
A fantasia deste mundo medonho
Vai lhe ensinar o caminho
Que ninguém pode evitar.

Correr?
Ficar?
...
.
,
!


Em um sonho feito figurinha
Terá, então, sua vida:

Príncipe
     Sem Princesa,
                   Rei sem
                       Rainha,
                        Pateta sem
                           Margarida,
                                     Bola sem
                                        Macarrão,
                                            Sorvete sem
                                                        Barbie,
                                                            Esconde-
                                                            esconde sem
                                                                 Amarelinha,
                                                                           Bola sem
                                                                                      Balão,
                                                                              Figurinhas sem
                                                                                          Chocolate,    
                                                                                                   


Quando o balão não voar:
Para onde irão os sonhos?
Como será sua vida?
(: , ... ! ?)
                  
(Ednar Andrade).




A uma Deusa


És realmente Deusa,
No corpo escultural de mulher.
Mas, não te disse
A qual credo pertences...
Não és católica,
Nem muçulmana,
Muito menos budista.
Pertences ao panteão grego,
Talvez maia
Ou quem sabe asteca,
Onde os deuses
E as deusas
Viviam entre os mortais,
Desfrutando das delícias,
Das experiências mundanas.
És minha Afrodite,
Minha Xochiquetzal,
Deusa, com certeza,
Deusa, mas sem templos,
Sem distanciamentos...
Ah não!  Não suportaria
Só te adorar!
Deusa, para ser venerada,
Mas para ser amada,
Deusa do meu amor!
E do meu altar!

(Danclads L. Andrade).





sábado, 9 de outubro de 2010

Woman (tradução)

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"Sentimento à flor da pele, sempre: John Lennon"

Mulher, eu quase não consigo expressar
Minhas emoções confusas na minha negligência.
Afinal de contas, estou eternamente em dívida com você.
E, mulher, eu tentarei expressar
Meus sentimentos interiores e gratidão
Por me mostrar o significado do sucesso.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.

Mulher, eu sei que você compreende
A criancinha dentro do homem.
Por favor, lembre-se: minha vida está em suas mãos.
E, mulher, mantenha-me próximo do seu coração
Por mais que [estejamos] distantes, não nos mantenha separados.
Afinal de contas, está escrito nas estrelas...

Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo,
Bem...

Mulher, por favor deixe-me explicar:
Eu nunca tive intenção de te causar tristeza ou dor.
Então, deixe-me te dizer de novo e de novo e de novo

Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim...

(John Lennon).