segunda-feira, 12 de março de 2012

O trilho e o trem


Ás vezes fico
Entre o trilho e o trem,
Entre o sério
E o desdém;
Entre o que quero
E o que duvido.
Às vezes,
E são tantas as vezes,
O desabrigo aquece,
O que a dor esquece
De lembrar.
E outras tantas vezes
Não vejo o que há
Entre partir e ficar;
Querer e desistir.
Às vezes o vagão
É tão escuro,
Tão negro
Que qualquer luz neon
Pintaria de escuridão
O espaço.
Submergir, fluir, sofrer,
Sorrir, gozar, nada faz
Tanto sentido.
É como jogar-se
Da embarcação em alto-mar
E apenas, como uma pedra,
Submergir e lá ficar.

(Ednar Andrade).  

quinta-feira, 1 de março de 2012

Quem dera



Eu, ébria, louca, alucinada.
Quem dera,
Pudesse traduzir tanto silêncio,
Silenciosamente, tocasse a alma do vago,

O uivo que habita este espaço.
A margem gelada deste rio,
Que chorando arrasta-se no escuro breu,
Na noite vã...

Na total escuridão da verde folha,
Na sublime, agonia, que este querer
Faz tremer minha carne...
Quem dera, pudesse,

Beijar a boca da apneia,
Cair nos afagos do somente,
...E como quem na verdade sente,
Caísse trêmula,apenas somente...

(Ednar Andrade).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Vem e vão


No vão das coisas,
As coisas como vão... 
_ 

Os vãos das coisas
Das coisas vãs...
Como vão? 
Se vem e vão 
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(Ednar Andrade).

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Carnaval


Vai! Estampa nos muros,
Diz na cara lavada
Dos descrentes,
Cospe na verdade

E lambe o sal das mentiras,
Porque hoje que os tambores ruflam,
Meu coração veste-se
De escarlate fantasia.

É carnaval, o peito pulsa,
A carne grita,
Visto a máscara,
Rasgo a fantasia.

Vai! Pinta de tristeza
Ou de alegria a cara
Do palhaço que nunca mente.
Ele ri da dor que sente

E faz chorar quem quer sorrir.
Vai, desce a ladeira, desce do pedestal
Da tua ilusão, abraça a tua carne fria,
Antes que a noite seja um dia

Sem fantasia e sem carnaval.  

(Ednar Andrade).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Os poemas de Ednar



Os poemas de Ednar

Sentimos e jogamos fora ,
Andamos e paramos de  andar.
Fazemos  poemas e não paramos
De fazer.
É como um vento eterno,
É como um amor sem  fim,
É como uma chuva longa,
São como os poemas de Ednar.   

(Ana   Júlia B. Coelho dos Santos).

N. A.: Para minha avó que eu amo muito!!**

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Chama





...Só para te ver sorrir, sorrio...
...Sou rio,
Correnteza, amanhecer e verde remanso...
Lago,
Festa, estrela em noite deserta.

Sonho e vagar...
Espera...
Amanhecer e Sol.
Só para te respirar... Aspiro.

O cinza, o verde,
O olor da ardente chama.
Sou a tua festa,
Teu medo, teu tudo,

Tua paz, tua agonia...
Só para tua Lua,
Lampejo,
Sou plena.

Raiz,
Universo, 
Certeza, 
Amor.

(Ednar Andrade).








segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Homenagem ao grande mestre Deífilo Gurgel



Em certos momentos, toda palavra é vã.

Agora, ele é uma estrela.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fio de luz




Naquela noite, juro.
Peguei na mão do silêncio,
Beijei a gelada boca da pergunta...
Parecia partir... Romper o fio.

Depois de alguns muitos passos,
Ergui a cabeça e o peito.
Abracei novas incertezas:
Seguir é rumo.

Sussurro, nem sempre é gozo.
Nenhuma alegria é permanente,
Agora é antes, depois é sempre...

Só o agora é urgente.
Eu sou, tu és,
Rio corrente.

(Ednar Andrade).

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Depois.


Respirar, viver, lutar,
Dormir e acordar,
Quem sabe,
De repente,
Apenas silenciar.
E depois do silêncio.
E depois?
Será que tudo valeu?
E se valeu, valerá?
Chegar, partir, querer, amar,
Sorrir, sonhar, seguir, voltar,
Desistir, odiar.
E depois?
Quando o silêncio
For a única canção,
Quando nada
For o abrigo que restar,
Valeu, ser e ter tudo
E não lembrar?
As interrogações
Serão sempre pontos,
Traços e finais.

(Ednar Andrade).

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Poema de Verão



Curvo a cabeça,
Reverenciando o vento
E a folhagem verde,
Como se comigo falasse,
Numa sabedoria natural,
Ao movimento do vento,
Rende-se no calor
Dourado da tarde.
Olhando o horizonte,
Silencio ao tilintar
Do mensageiro do vento;
Natureza viva.
À mesa, lembranças postas,
Como e me alimento
De saudade viva.
Ao redor de tudo, olho,
Reverenciando o tempo,
Os afagos, os silêncios,
Os poemas calados,
A sépia, pelo verão, pintado;
Morna tarde de verão
Que enche de amor, a vida
E pinta de fogo, o Sol,
O coração.


(Ednar Andrade).