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Os dias nublados
Têm cara de romance...
As tardes ficam lindas...
As manhãs cinzas...
E nos convidam
A um passeio nos sonhos.
Eles são pintados
Com pinceladas fortes
De melancolia...
(Ou de paixão).
Desperta nos amantes;
Ternura;
Em todos; emoção.
A garoa cai fininha...
Como uma cortina...
Cortina de sentimentos,
Trazendo inspiração.
Perfume nos ventos...
E nas flores, canção.
O silêncio nos bosques;
Na folhagem mansa;
Que não se balança;
No piar das aves;
Que parecem não ter frio;
No mugir do gado;
No meu pensamento;
Tudo fica belo...
Com cara de romance,
Um convite ao vinho;
Acender lareira,
Fazer uma fogueira
E cantarolar,
Na felicidade
Deste quase ninho
Que as frias tardes,
Por serem nubladas,
Nos levam a sonhar.
(Ednar Andrade)*****.
Dias nublados... Lembro... Chocolate quente... Aconchego de vó... Bolinhos de chuva... "Um bom lugar para ler um livro" (como diria meu conterrâneo Djavan)... Namoro bem abraçadinho... Uma tarde em Londres (Green glass, blue eyes, gray sky [London, London] ...)... Muito bom, delicioso... Obrigada pela memória. Belíssimo texto!!
ResponderExcluirVi que vc tbm se chama Ednar. Incomum, nunca tinha visto antes alguém, além de mim, com este nome: gostei.
ResponderExcluirAlgo para fazer nos dias nublados... Arrumar Livros!
ResponderExcluirDécimo Sétimo Cálice
Sobre o azul das cadeiras
Um ágil miosótis saltita
Alinha livros, limpa prateleiras
Cujos meneios são mil maneiras
De pôr o pó fora dessa palafita.
Aldeia dos lótus em flor
Siando à tona do olhar
Brancos, porém criando vida e cor
No horizonte desse teimoso leitor
Que decifra sentidos no imaginar.
Repõe a ordem nos fugitivos
Expulsa os intrusos do lugar
E se alguns são mais activos
Dá-lhes refrega e põe-nos cativos
Ordenando-lhes a onde ficar.
É autoritária esta serviçal
Dominadora perante residentes
Exigindo aos súbditos renitentes
Que assumam a sua posição real
Na estante, antes que lhe suceda mal.
E eles, livros perdidos, em jeito cru
Submissos, intérpretes do conhecimento
Acatam a catalogação em CDU
Como soldados em missão na ONU
Ou em serviço maior do seu regimento...
Tu prà'qui, tu prà'li, em fila, marchando
Pondo acerto no passo e tino nas maneiras
Que aqui, ao alto subida nestas cadeiras
Não há outras leis nem demais fronteiras
Pois que aqui, sou eu quem mais mando.
E perante essa razão incontornável
Sobre aqueles na reticência activos
Eis que Arina, o Sol da tarde perscrutável
Assume por momentos
As semelhanças e movimentos
De uma arrumadora de livros!
Vigésimo Cálice
ResponderExcluirArina, rainha dos astros e sóis
Que nos aquece e jamais esquece
Quem ama, se da tarde os atóis
Se inundam, eis que singela se oferece
E declama, como à luz de sua chama, nos tece.
E nos tem, sob protecção e tutela
Quando ao troar das trombetas liberta
O passado de seu túmulo e ao tempo acerta
Dando ao futuro o acumulo duma janela
Aberta, lente virtual que nos modela
Em alerta acenado A deus
Erguendo as mãos aos céus
Como Ela.
Dez dedos que são os nossos
Com outros dez que são os seus,
Depondo no alfabeto águas e ossos
Qual Xis a bailar ondeando véus
De gazes, de tules, de seda rosada
Estampados dédalos e labirintos
Cujas pétalas desenhadas camada
A camada, nos instruem os instintos
Nos sete sentidos da rosa desfolhada:
Olhar de pétala, lábios de veludo
Táctil cálice cuja sépala escuta
A concha do mar a degustar o escudo
No registo do Outro que tão-só executa
A empatia ao semear-nos pelo mundo.
E assim, água ardente vertida de oceano
Em oceano, sistema de líquido contínuo
Irriga-nos de sangue todo o ano
Por uma gota de momento exímio
E exíguo no equilíbrio suserano
De dois triângulos unidos pelo vértice
Da língua, enlaçadas margens do cálice
Na máxima míngua do estremecido ápice.
Comunhão do poder entre géneros
Acesos raios aquilinos do Sol universal
Onde o abraço resoluto das sementes e sócios
Gémeos nascidos da mesma luz na espiral
Em que os ócios merecidos são do labor igual
Além de mais igualmente da natureza – os números
Que põem e dispõem, ordenam o nível
Entre o lido e o por ler, o eterno e o perecível;
Entre o terreno e o espiritual, a matéria e o imortal
Poema lembrar minha caverna, quando chove. Bom, muito bom.
ResponderExcluirحسن بلوق جدا. أعجبني حقا ، وذلك أساسا بسبب كونها امرأة ، مما يدل على ان في البرازيل لدينا بها. المؤسف أن في بلدي (الكويت) ، والمرأة حرة في أن تفعل ذلك... القصيدة هي أيضا جميلة جدا ، والكثير من الحساسية. الله يكون معك.
ResponderExcluirMuito bom o blog. Gostei muito, principalmente pelo fato de ser de uma mulher, o que demonstra que no Brasil nós temos força. Pena que em meu país (Kuwait), as mulheres não sejam livres para isso... O poema também é muito lindo, de muita sensibilidade. Que Deus esteja convosco.
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